O que fazer quando a triha sonora do dia é só e somente Roberto Carlos?
Na boa, RC é o Rei, mesmo. Minha irmã tem razão: o cara É uma declaração de amor. Chico Buarque entende de alma feminina, mas Roberto Carlos entende de amor. Isso ninguém tira. E para entender não precisa obrigatoriamente escrever as letras. Basta imprimir a carga de sentimento que o Rei imprime.
Poucas coisas são mais belas, poucas declarações de amor são mais contundentes do que
Proposta
Eu te proponho nós nos amarmos, nos entregarmos
neste momento tudo lá fora deixar ficar
Eu te proponho te dar meu corpo
depois do amor, o meu conforto
e além de tudo, depois de tudo
te dar a minha paz
Eu te proponho na madrugada, você cansada
te dar meu braço no meu abraço fazer você dormir
Eu te proponho não dizer nada
seguirmos juntos a mesma estrada
que continua depois do amor
no amanhecer
********
— Estou enjoada, sonolenta...
— ESTÁ GRÁVIDA?
Engraçado como nenhuma mulher entre 14 e 53 anos pode ter enjôo. Chega a ser chato.
O meu médico acha que sou a encarnação da Messalina do ínicio do século XXI. Os meus amigos acham que eu sou uma ninfomaníaca. Minha família pensa que o meu diário serviu de inspiração para "The Ballad of Chasey Lane". Sigh... e a verdade, zente, e a verdade???
E para a pergunta não ficar em suspenso:
— Grávida?? Só se for o novo Messias! Do Divino, e mesmo assim acho que ele tinha opções melhores do ponto de vista do marketing.
********
Ah, é uma baita sinusite galopante que me deixa enjoada e sonolenta...
domingo, fevereiro 16, 2003
Coisa boa de ver: Catapulta no Altas Horas. Moisés, amigo querido de longa data, companheiro de cervejadas, carinho puro, foi, lá pelas tantas, também um colega de trabalho, na minha época de TV Salvador. Nos encontramos no Aeroporto de Salvador no dia em que eles embarcaram para fazer o programa.
Acompanhei a briga deles com a gravadora escrota. Estou insuspeitamente feliz por ver o CD deles bonito na fita.
De arrepiar esse encontro do Olodum, potência de notas graves, tambores que imitam o coração, com o rock roots do Catapulta. Há tempos não sentia tamanho orgulho de ser baiana.
********
Hã? Baiana? Me entusiasmei...
********
Se esse Ary Vidal me dá bola... Caso, vou cuidar das crianças, levar Menina e Menino pra escola, passar as roupas dele...
Êeee, lá em casa!
Acompanhei a briga deles com a gravadora escrota. Estou insuspeitamente feliz por ver o CD deles bonito na fita.
De arrepiar esse encontro do Olodum, potência de notas graves, tambores que imitam o coração, com o rock roots do Catapulta. Há tempos não sentia tamanho orgulho de ser baiana.
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Hã? Baiana? Me entusiasmei...
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Se esse Ary Vidal me dá bola... Caso, vou cuidar das crianças, levar Menina e Menino pra escola, passar as roupas dele...
Êeee, lá em casa!
Louco.
********
O que esperar de uma noite clara como o dia nascendo, véspera de pleniluni?
A energia estava péssima. Uma dor de cabeça violenta, só no lado direito. Totalmente fora da sintonia da mesa. Minha amiga que usaVA óculos tentou uma doação de energia. Bloqueei. Exercício de hiperventilação. Fiquei tonta, tonta, tonta. O estômago pediu arrego. O vulcão que me vai na alma veio pro esôfago.
Uma molezinha, uma impaciência, e horas depois puxei um incenso que trouxe do Rio. Instantâneo. Carol acendeu, e fiquei com ele na mão. Evocar o ar para limpar aquilo ali fez um efeito absurdo. A dor de cabeça aliviou, a energia também. Segunda meia noite, e encosta um bêbado. Me pede um cigarro, fala algumas coisas, e quando o Dani acende, ele traga, segura a fumaça, estende a mão para cima da minha cabeça e começa a falar em yorubá. Não era, de maneira alguma, uma energia ruim.
Débora do Zeba, na outra ponta, lança um olhar mais atento, olhar que carrega uma sabedoria infinita. O bêbado segue em frente, rumo a um sambão. Atabaques, pandeiros, palmas. Débora mata a charada:
— Meia noite, olha onde a gente está: numa encruzilhada. Olha como o cara saiu (com o braço direito dobrado para trás)... Exu. Dani, você está devendo alguma coisa?
— Uh... o bori está atrasado para caramba...
— Bom, quem quer que seja, veio, limpou, e sumiu. Era um Exu.
E tenho certeza de que posso procurar por Salvador inteira que nunca mais acho esse cara... Mas que limpou o que estava MUITO, MUITO carregado, ah, isso limpou...
********
— Quem tá aí?
Sorriso pouco ébrio. Silêncio.
— Como é o seu nome?
— Antônio Não-Sei-o-Quê da Bahia.
— É Baiano?
Sorriso TOTALMENTE lúcido. Breve assentir da cabeça.
Arrepio desta que vos fala.
********
O estômago continua um lixo, mas é pura somatização. Sempre foi assim.
********
Estou morrendo para comer um acarajé! Aliás, meu problema hoje é fritura... Ai, bolinho de queijo... coxinha... pastel...
********
O que esperar de uma noite clara como o dia nascendo, véspera de pleniluni?
A energia estava péssima. Uma dor de cabeça violenta, só no lado direito. Totalmente fora da sintonia da mesa. Minha amiga que usaVA óculos tentou uma doação de energia. Bloqueei. Exercício de hiperventilação. Fiquei tonta, tonta, tonta. O estômago pediu arrego. O vulcão que me vai na alma veio pro esôfago.
Uma molezinha, uma impaciência, e horas depois puxei um incenso que trouxe do Rio. Instantâneo. Carol acendeu, e fiquei com ele na mão. Evocar o ar para limpar aquilo ali fez um efeito absurdo. A dor de cabeça aliviou, a energia também. Segunda meia noite, e encosta um bêbado. Me pede um cigarro, fala algumas coisas, e quando o Dani acende, ele traga, segura a fumaça, estende a mão para cima da minha cabeça e começa a falar em yorubá. Não era, de maneira alguma, uma energia ruim.
Débora do Zeba, na outra ponta, lança um olhar mais atento, olhar que carrega uma sabedoria infinita. O bêbado segue em frente, rumo a um sambão. Atabaques, pandeiros, palmas. Débora mata a charada:
— Meia noite, olha onde a gente está: numa encruzilhada. Olha como o cara saiu (com o braço direito dobrado para trás)... Exu. Dani, você está devendo alguma coisa?
— Uh... o bori está atrasado para caramba...
— Bom, quem quer que seja, veio, limpou, e sumiu. Era um Exu.
E tenho certeza de que posso procurar por Salvador inteira que nunca mais acho esse cara... Mas que limpou o que estava MUITO, MUITO carregado, ah, isso limpou...
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— Quem tá aí?
Sorriso pouco ébrio. Silêncio.
— Como é o seu nome?
— Antônio Não-Sei-o-Quê da Bahia.
— É Baiano?
Sorriso TOTALMENTE lúcido. Breve assentir da cabeça.
Arrepio desta que vos fala.
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O estômago continua um lixo, mas é pura somatização. Sempre foi assim.
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Estou morrendo para comer um acarajé! Aliás, meu problema hoje é fritura... Ai, bolinho de queijo... coxinha... pastel...
sábado, fevereiro 15, 2003
Quatro anos esperando. Quão doce pode ser?
********
Gripe? Sinusite? Stuffs. As órbitas doíam na noite que antecedeu o sábado. Tentei congelar o nervo ótico, não deu. "Olha pra lua, você gosta dela crescente!". E depois disso todos os problemas acabaram. Doce, na mais completa acepção da palavra. A dor de cabeça passou, e nem por um minuto lembrei que algumas partes do corpo ainda doiam.
Se eu tivesse feito um prognóstico, jamais teria chegado nem perto. Foi melhor. Foi doce. Gosto doce, abraço doce, olhos doces, mãos doces. Pimenta na boca, pimenta na alma, ácido insuspeito, camuflado por um verniz de base. Turbulento lago de águas azuis, mergulho tépido. Tépido, cego, confortável. Doce. Doce no sabor. Doce nas mãos. Doce na alma.
********
Guardem esse nome: Brenner Bianco. Ele me fez erguer as sobrancelhas bem feitas e abrir um pouquinho mais os olhos. Um bom clip, independente, uma boa música, uma boa voz. "Sete e meia".
********
Falando em clip... Se alguém conseguir capturar uma imagem de clip, por favor, me mande o trechinho de "Segredos" em que o bonequinho alcança as estrelas??? Já tentei de todas as maneiras e não consigo.
********
Voltar dia 24 ou dia 28? Dia 28 é meio do Carnaval. Mas é aniversário de duas almas companheiras. Guilherme e Guilherme. Um Frederico, outro Luis. Um quer que eu me forme em Direito pra ser sua sócia. Planos antigos, desde a época do colégio, quando eu fazia os trabalhos de biologia dele. "Vamos ter freezers horizontais ao invés de mesas. Cerveja dentro."
O outro é meu futuro roomate em Sampa City. Eu vou na frente para arrumar o bunker. Ele se forma e segue mais tarde. Amigo lindo, dos lindos olhos azuis...
Eu queria poder levar todo mundo comigo. "Tudo, nunca terás." O melhor dos dois mundos? Meus amigos, minha cidade, todos juntos? Poder promover os jantares de sempre com a minha irmã estrela da sorte, meu amigo lindo, dos lindos olhos azuis, meu clown preferido, meu valete querido, minha amiga de óculos, meu elfo querido, minha águia, meu panda, meu pato e meu dragão?
********
Saudade de casa, saudade da minha irmã, saudade de uma noite que sucedeu um dia Ally McBeal. Vida louca!
— Uma dose de conhaque e uma dose de martini doce. Gelo, por favor
Uma voz ao fundo:
— Maria Mole?????
E eu nem estava na minha Pasárgada. Esse diálogo improvável aconteceu na Bahia, mesmo. O carinha tinha morado oito anos em SP e me acompanhou na Maria Mole.
Eu adoro esses recadinhos que recebo do Cosmo. Don't give up!
********
Gripe? Sinusite? Stuffs. As órbitas doíam na noite que antecedeu o sábado. Tentei congelar o nervo ótico, não deu. "Olha pra lua, você gosta dela crescente!". E depois disso todos os problemas acabaram. Doce, na mais completa acepção da palavra. A dor de cabeça passou, e nem por um minuto lembrei que algumas partes do corpo ainda doiam.
Se eu tivesse feito um prognóstico, jamais teria chegado nem perto. Foi melhor. Foi doce. Gosto doce, abraço doce, olhos doces, mãos doces. Pimenta na boca, pimenta na alma, ácido insuspeito, camuflado por um verniz de base. Turbulento lago de águas azuis, mergulho tépido. Tépido, cego, confortável. Doce. Doce no sabor. Doce nas mãos. Doce na alma.
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Guardem esse nome: Brenner Bianco. Ele me fez erguer as sobrancelhas bem feitas e abrir um pouquinho mais os olhos. Um bom clip, independente, uma boa música, uma boa voz. "Sete e meia".
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Falando em clip... Se alguém conseguir capturar uma imagem de clip, por favor, me mande o trechinho de "Segredos" em que o bonequinho alcança as estrelas??? Já tentei de todas as maneiras e não consigo.
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Voltar dia 24 ou dia 28? Dia 28 é meio do Carnaval. Mas é aniversário de duas almas companheiras. Guilherme e Guilherme. Um Frederico, outro Luis. Um quer que eu me forme em Direito pra ser sua sócia. Planos antigos, desde a época do colégio, quando eu fazia os trabalhos de biologia dele. "Vamos ter freezers horizontais ao invés de mesas. Cerveja dentro."
O outro é meu futuro roomate em Sampa City. Eu vou na frente para arrumar o bunker. Ele se forma e segue mais tarde. Amigo lindo, dos lindos olhos azuis...
Eu queria poder levar todo mundo comigo. "Tudo, nunca terás." O melhor dos dois mundos? Meus amigos, minha cidade, todos juntos? Poder promover os jantares de sempre com a minha irmã estrela da sorte, meu amigo lindo, dos lindos olhos azuis, meu clown preferido, meu valete querido, minha amiga de óculos, meu elfo querido, minha águia, meu panda, meu pato e meu dragão?
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Saudade de casa, saudade da minha irmã, saudade de uma noite que sucedeu um dia Ally McBeal. Vida louca!
— Uma dose de conhaque e uma dose de martini doce. Gelo, por favor
Uma voz ao fundo:
— Maria Mole?????
E eu nem estava na minha Pasárgada. Esse diálogo improvável aconteceu na Bahia, mesmo. O carinha tinha morado oito anos em SP e me acompanhou na Maria Mole.
Eu adoro esses recadinhos que recebo do Cosmo. Don't give up!
sexta-feira, fevereiro 14, 2003
Coisa mais sensual que o clipe de "Feel", do Robbie Williams? Uh... "Wicked Game", do Chris Isaaks...
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Ele pode ser gay o quanto for, pode ser o namoradinho do Kelly Slater, mas eu eu O AMO mesmo assim: Eddie Vedder!
********
Alguém tem um apartamento quarto e sala pra alugar em SP? E no Rio? E em Yargo?
********
O bom de ser livre é poder levar a cabo a conjugação do lema "Eu posso!". Eu posso voar para onde eu quiser, eu posso estar onde eu quiser, eu posso estar com quem eu quiser. Eu vim a Salvador porque eu posso, eu volto para São Paulo porque eu posso. Eu posso escolher a cidade que vai receber esse espírito cigano. E tem clássico no Mineirão! Ir ou não ir?
********
Numa conversa com a Carol, descobri que tanto eu quanto ela cantarolamos "It´s my party", da Brenda Lee, quando as coisas não davam muito certo. Loucas, loucas e parecidas, loucas e divertidas.
Pra quem não lembra, é a música que toca no filme "O Pestinha", na festa de aniversário à fantasia, quando ele está enfiando bombinhas no bolo, jogando os presentes da aniversariante-margarida na piscina.
Cantarolar os versos de "It´s my party" sempre evitou que uma ou duas gotas d'água escorregassem olho abaixo, talvez pq a cena da margaridinha que pula e chora no filme seja por demais patética.
Outro recurso que sempre estancou a enxurrada de lágrimas: "Se isso fosse um filme...". Usado prodigamente em foras monumentais, de preferência em cais de atracação. Porque é CLA-RO que esse ser humano chique já tomou um pé na bunda na beira do mar, num cais. Mais Ally McBeal, impossível. Faltou Vonda Shepard cantando "I've been searching my soul".
"Se isso fosse um filme, ele não me deixaria ir embora. Na hora em que o navio (no caso, um ferry, mas pensar em navio é mais glamouroso) apitasse anunciando a partida, ele viria correndo (Rá, e o fôlego?) e me pediria pra ficar. Ou estaria sofrendo tanto quanto eu. Corte rápido para o rosto dele no portão, entre as grades, iluminado pela luz de mercúrio, me vendo caminhar em direção à prancha de embarque. Uma grua sobe pelas minhas costas, enquanto me misturo na multidão, entra o BG (na época da criação desse plugin anti sofrimento público, era a adequadíssima "Bittersweet Simphony", do Verve), e a imagem alterna entre um plano fechado no meu rosto e no dele."
Pronto! Já no comando da minha vida (que nada mais é que um seriado da Fox), esqueço do percalço e me envolvo na direção de fotografia do episódio que marca a nova temporada.
********
Escolhendo endereços:
Daniela, do Tucuruvi?
Daniela, da Sta. Cecília?
Daniela, da República?
Daniela, da Liberdade?
Daniela, do Limão?
Daniela, da Vila Mariana?
Daniela, da Vila Madalena?
Daniela, da Lapa?
Ou Daniela, de Copacabana?
Daniela, do Leme?
Daniela, da Urca?
Daniela, de Botafogo?
Votem, organismos, no bairro que mais combina com o meu nome...
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Ele pode ser gay o quanto for, pode ser o namoradinho do Kelly Slater, mas eu eu O AMO mesmo assim: Eddie Vedder!
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Alguém tem um apartamento quarto e sala pra alugar em SP? E no Rio? E em Yargo?
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O bom de ser livre é poder levar a cabo a conjugação do lema "Eu posso!". Eu posso voar para onde eu quiser, eu posso estar onde eu quiser, eu posso estar com quem eu quiser. Eu vim a Salvador porque eu posso, eu volto para São Paulo porque eu posso. Eu posso escolher a cidade que vai receber esse espírito cigano. E tem clássico no Mineirão! Ir ou não ir?
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Numa conversa com a Carol, descobri que tanto eu quanto ela cantarolamos "It´s my party", da Brenda Lee, quando as coisas não davam muito certo. Loucas, loucas e parecidas, loucas e divertidas.
Pra quem não lembra, é a música que toca no filme "O Pestinha", na festa de aniversário à fantasia, quando ele está enfiando bombinhas no bolo, jogando os presentes da aniversariante-margarida na piscina.
Cantarolar os versos de "It´s my party" sempre evitou que uma ou duas gotas d'água escorregassem olho abaixo, talvez pq a cena da margaridinha que pula e chora no filme seja por demais patética.
Outro recurso que sempre estancou a enxurrada de lágrimas: "Se isso fosse um filme...". Usado prodigamente em foras monumentais, de preferência em cais de atracação. Porque é CLA-RO que esse ser humano chique já tomou um pé na bunda na beira do mar, num cais. Mais Ally McBeal, impossível. Faltou Vonda Shepard cantando "I've been searching my soul".
"Se isso fosse um filme, ele não me deixaria ir embora. Na hora em que o navio (no caso, um ferry, mas pensar em navio é mais glamouroso) apitasse anunciando a partida, ele viria correndo (Rá, e o fôlego?) e me pediria pra ficar. Ou estaria sofrendo tanto quanto eu. Corte rápido para o rosto dele no portão, entre as grades, iluminado pela luz de mercúrio, me vendo caminhar em direção à prancha de embarque. Uma grua sobe pelas minhas costas, enquanto me misturo na multidão, entra o BG (na época da criação desse plugin anti sofrimento público, era a adequadíssima "Bittersweet Simphony", do Verve), e a imagem alterna entre um plano fechado no meu rosto e no dele."
Pronto! Já no comando da minha vida (que nada mais é que um seriado da Fox), esqueço do percalço e me envolvo na direção de fotografia do episódio que marca a nova temporada.
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Escolhendo endereços:
Daniela, do Tucuruvi?
Daniela, da Sta. Cecília?
Daniela, da República?
Daniela, da Liberdade?
Daniela, do Limão?
Daniela, da Vila Mariana?
Daniela, da Vila Madalena?
Daniela, da Lapa?
Ou Daniela, de Copacabana?
Daniela, do Leme?
Daniela, da Urca?
Daniela, de Botafogo?
Votem, organismos, no bairro que mais combina com o meu nome...
Ouço Closing Time, do Semisonic, e desde 17 de abril de 2000 eu não a ouvia. Desde que parti da belíssima cidade sul-baiana, quando o Junior gravou pra mim essa música. Repassamos a fita cassete duas horas antes do meu embarque. Nunca mais tive coragem de ouvir o material gravado naqueles dois dias em que estive acampada na base, esperando ordens para me desligar.
Saudade boa que deu. Equipe boa, amigos não de toda a vida, mas tão intensos naquele período curto de vida que fez valer. Poucos ficaram, estranhamente. Um foi pra onde eu tinha que ter ido há dois anos (mas não Miami, por Deus! Maine, e "eu não desisto assim tão fácil, meu amor, das coisas que eu quero fazer e ainda não fiz. Na vida tudo tem seu preço, seu valor, e o que eu mais quero nessa vida é ser feliz!"), três voltaram pra terra do "Mar de Montanhas", a maioria ficou.
E eu toquei meu dragão adiante, vamos continuar a voar, meu bichinho nada doce, alter ego escamado. Segundo Caio Fernando Abreu, "Os dragões não conhecem o paraíso".
Errado, apesar do texto lindo. Eu, dragão que sou, tão bem caracterizada, conheci o inferno. Ora, se fui a um extremo, inevitavelmente conheci o outro. Isso é fato! Não sombra se não houver luz. A parte boa de ser tão intensa é essa: deixo vir a dor inteira, deixo que ela se vá na íntegra, me deixo ser feliz por completo, absorvo cada gota de felicidade que me é permitida pelo caminho. E logo adiante estou pronta de novo para uma chacoalhada, um tranco, um freio de arrumação. E pra ser feliz de novo.
"Tenho por princípios nunca bater portas, mas como mante-las abertas o tempo todo, se em certos dias o vento quer derrubar tudo?"
********
E deixei o meu dragão esticar as asas sob o sol. Voamos, eu agarrada em seu pescoço numa confiança cega, num amor incondicional. Olhos fechados, deixei que ele me conduzisse para onde éramos necessários. Alguns dois, três anos parados na mesma cidade, e partimos de novo. A quest. A big quest. We won!
Indiana Jones e seu chapéu, inseparáveis, o dragão e eu cruzamos os ares em busca de respostas. Vôo turbulento, mas eu estava abraçada ao seu pescoço, e com o meu dragão por perto, nada pode me ferir. "Eu estou vestida com as roupas e as armas de Jorge", mas desta vez o dragão era parte do arsenal de proteção.
Pairamos, pousamos, pairamos de novo, nos perdemos, nos achamos. Nos achamos e achamos a nós mesmos. Achamos também muitas das respostas que precisávamos. Vôo de reconhecimento; não do terreno, mas de autoconhecimento. Todos as nossas verdades mudaram. Família, amor, carinho, anjos, companheiros, tudo isso foi revisto e posto sob nova direção. Uma boa direção.
Nós, o dragão e eu, e os bons companheiros. Muitos, todos, todos os que cruzaram o nosso caminho nesses últimos quinze dias. Excelentes peregrinos como nós, cujos caminhos se tocaram por alguns instantes de luz.
A volta foi mais suave. Eu, mais leve, corpo e mente. Ele, mais maduro, asas maiores, com uma impressionante autonomia de vôo. E na bagagem — e no coração — mais um membro para essa troupe saltimbanca: a águia, que ainda não sabe voar com as próprias asas, mas que afivela o cinto e plana sem medo algum. Mais um membro para o clã das Almas sem Âncora, mais um pra ensinar e aprender.
Somos três agora.
"Junte um bico com dez unhas, quatro patas, 32 dentes e o valente dos valentes ainda vai nos respeitar. Todos juntos somos forte, não há nada pra temer. "
Saudade boa que deu. Equipe boa, amigos não de toda a vida, mas tão intensos naquele período curto de vida que fez valer. Poucos ficaram, estranhamente. Um foi pra onde eu tinha que ter ido há dois anos (mas não Miami, por Deus! Maine, e "eu não desisto assim tão fácil, meu amor, das coisas que eu quero fazer e ainda não fiz. Na vida tudo tem seu preço, seu valor, e o que eu mais quero nessa vida é ser feliz!"), três voltaram pra terra do "Mar de Montanhas", a maioria ficou.
E eu toquei meu dragão adiante, vamos continuar a voar, meu bichinho nada doce, alter ego escamado. Segundo Caio Fernando Abreu, "Os dragões não conhecem o paraíso".
Errado, apesar do texto lindo. Eu, dragão que sou, tão bem caracterizada, conheci o inferno. Ora, se fui a um extremo, inevitavelmente conheci o outro. Isso é fato! Não sombra se não houver luz. A parte boa de ser tão intensa é essa: deixo vir a dor inteira, deixo que ela se vá na íntegra, me deixo ser feliz por completo, absorvo cada gota de felicidade que me é permitida pelo caminho. E logo adiante estou pronta de novo para uma chacoalhada, um tranco, um freio de arrumação. E pra ser feliz de novo.
"Tenho por princípios nunca bater portas, mas como mante-las abertas o tempo todo, se em certos dias o vento quer derrubar tudo?"
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E deixei o meu dragão esticar as asas sob o sol. Voamos, eu agarrada em seu pescoço numa confiança cega, num amor incondicional. Olhos fechados, deixei que ele me conduzisse para onde éramos necessários. Alguns dois, três anos parados na mesma cidade, e partimos de novo. A quest. A big quest. We won!
Indiana Jones e seu chapéu, inseparáveis, o dragão e eu cruzamos os ares em busca de respostas. Vôo turbulento, mas eu estava abraçada ao seu pescoço, e com o meu dragão por perto, nada pode me ferir. "Eu estou vestida com as roupas e as armas de Jorge", mas desta vez o dragão era parte do arsenal de proteção.
Pairamos, pousamos, pairamos de novo, nos perdemos, nos achamos. Nos achamos e achamos a nós mesmos. Achamos também muitas das respostas que precisávamos. Vôo de reconhecimento; não do terreno, mas de autoconhecimento. Todos as nossas verdades mudaram. Família, amor, carinho, anjos, companheiros, tudo isso foi revisto e posto sob nova direção. Uma boa direção.
Nós, o dragão e eu, e os bons companheiros. Muitos, todos, todos os que cruzaram o nosso caminho nesses últimos quinze dias. Excelentes peregrinos como nós, cujos caminhos se tocaram por alguns instantes de luz.
A volta foi mais suave. Eu, mais leve, corpo e mente. Ele, mais maduro, asas maiores, com uma impressionante autonomia de vôo. E na bagagem — e no coração — mais um membro para essa troupe saltimbanca: a águia, que ainda não sabe voar com as próprias asas, mas que afivela o cinto e plana sem medo algum. Mais um membro para o clã das Almas sem Âncora, mais um pra ensinar e aprender.
Somos três agora.
"Junte um bico com dez unhas, quatro patas, 32 dentes e o valente dos valentes ainda vai nos respeitar. Todos juntos somos forte, não há nada pra temer. "
*Ouvindo Everlasting Love, com o U2*
Noite boa, de luz. Zeba, Felipe, Carol, Daniel, Danúbia. Carinho irrestrito da Dona Alice e do Reinhart. Notícias cobradas, a garantia de que orações são feitas por mim todos os dias.
Eu sei, Dona Alice, não fossem orações, carinhos e força desses que tanto me amam eu jamais teria voltado do meu deserto pessoal. Não fosse a garantia dos abraços que recebi hoje, jamais teria arriscado ir. Não fosse a certeza desse amor, jamais correria o risco de voar para outras paragens...
********
Imagina o Richard Clayderman, terninho branco, em My Brazilian Collections, volume 136, tocando a Ragatanga no piano? E a Jessica Rabbit em cima do dito instrumento, dançando no ritmo? Não alcançou? Oh, yeah, baby, too late, tonight...
********
Pessoa 1:
— Rá, estou de amarelo, visto a camisa do Banco que trabalho!
Pessoa 2:
— Rá, estou de amarelo mais fechado, trabalho na Helmann's, divisão de mostarda!
Pessoa sem noção 3, confabulando sozinha:
— E eu estou de listradinho... Trabalho na Close Up?
********
A Nana, que não degenerou pq saiu aos seus, ADOROU a águia... Inseparáveis durante o dia, águia e cachorra. Cabecinha ruiva, como a minha, apoiada no corpo castanho do meu bicho de pêlospenas...
Noite boa, de luz. Zeba, Felipe, Carol, Daniel, Danúbia. Carinho irrestrito da Dona Alice e do Reinhart. Notícias cobradas, a garantia de que orações são feitas por mim todos os dias.
Eu sei, Dona Alice, não fossem orações, carinhos e força desses que tanto me amam eu jamais teria voltado do meu deserto pessoal. Não fosse a garantia dos abraços que recebi hoje, jamais teria arriscado ir. Não fosse a certeza desse amor, jamais correria o risco de voar para outras paragens...
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Imagina o Richard Clayderman, terninho branco, em My Brazilian Collections, volume 136, tocando a Ragatanga no piano? E a Jessica Rabbit em cima do dito instrumento, dançando no ritmo? Não alcançou? Oh, yeah, baby, too late, tonight...
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Pessoa 1:
— Rá, estou de amarelo, visto a camisa do Banco que trabalho!
Pessoa 2:
— Rá, estou de amarelo mais fechado, trabalho na Helmann's, divisão de mostarda!
Pessoa sem noção 3, confabulando sozinha:
— E eu estou de listradinho... Trabalho na Close Up?
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A Nana, que não degenerou pq saiu aos seus, ADOROU a águia... Inseparáveis durante o dia, águia e cachorra. Cabecinha ruiva, como a minha, apoiada no corpo castanho do meu bicho de pêlospenas...
quinta-feira, fevereiro 13, 2003
Não sei se o meu problema são as decolagens ou se Guarulhos me faz chorar mesmo. Fato é que mais uma vez escondi meus olhos molhados embaixo da asa da minha águia. A confluência de fatores foi fundamental para esse derrame de lágrimas: 3 noites sem dormir, alimentação precária, problemas enfim resolvidos, e a música que ouço como segundo pensamento que não cala, repetida não só duas, mas três vezes. "Você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui...".
E vitoriosa. Passei pelo meu deserto. Agora estou pronta.
E vitoriosa. Passei pelo meu deserto. Agora estou pronta.
Bem ao gosto do Jânio Quadros, "forças ocultas" me obrigaram a uma retirada estratégica. Eis-me em Salvador de novo! OK, OK, é o tempo de resolver a pendura de grana, a passagem de volta já compro amanhã, e os classificados são o meu pastor e nada me faltará.
********
Daniela em números
24 horas, 3 Estados, um cafezinho que me custou a bagatela de R$ 3,00 (e eu ainda sorri com o ar mais blasé para o caixa da Black Coffee: "é o melhor café de São Paulo. Por isso vale a pena pagar o preço dele..."), terceira noite virada (o projeto, viu, CL?), Rio 2 vezes no mesmo dia.
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A menina (d)a águia
O que fazer quando o seu alter ego passa a significar mais que você? Pois é... Ninguém ao meu lado no vôo GRU/RIO/SSA, coloquei a águia sentada na poltrona e fiz com que ela obedecesse o aviso de apertar os cintos. Minha águia, que tão prodigamente secou as minhas lágrimas, voou pela primeira vez amarrada num cinto de segurança. Ela só declinou do lanche: águias não comem croissant.
O resultado? Bom, na segunda escala eu já era a "Menina da Águia". Os meninos da Petrobrás ofereceram lanche pra ela, zoaram, brincaram. Pudera... Aquela mulher ruiva, enigmática, toda de preto, fazendo carinho na cabeça de uma águia de pelúcia como se filho fosse? Surreal, né?
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Resolvido o problema de Daniela vs Computador em SP (ou RJ). Vou comprar um novo cooler e uma nova motherboard pro falecido Pentium 3 da mamãe... E um Speedy em SP... ai, ai... se tiver NET no apartamento que vou alugar eu nunca mais saio de casa...
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Laivos da insensatez (monólogo para uma alma sem âncora)
"Ai, que calor que tá no Rio. Mas eu não estou no Rio. Se eu abrir os olhos, vou saber onde estou? Mas esse calor... Que dia da semana é hoje? Eu estou indo pra onde? Será que entrei no vórtice e estou indo pro Rio de novo? Mas eu viajei de manhã, não de noite... Ih, esse cara da frente ronca horrores! Vou me cobrir com o casaco. Ah, dormir abraçada na águia é tão bom... Mas onde eu estou mesmo que esfriou tanto? Ah, no ônibus... mas pra onde? Ah, tem jogo do Galo no Mineirão, estava mesmo indo pra lá... Mas... O jogo é só dia 15 (ou 16)... E que dia é hoje? Se eu acender a luz, será que eu perco o sono? Ah, o ar condicionado está fraco agora... Mas ar condicionado de onde, se no meu quarto não tem ar condicionado? Ih, Acho bom tirar as lentes e dormir de novo, pq tenho que acordar daqui a pouco... Mas pq mesmo???"
********
Ganhei dois presentes da Cidade Maravilhosa. Dois amigos sem par, duas almas elevadas, dois dias diferentes no mesmo bar, dois homens sensacionais, com uma visão de mundo e de vida que dá inveja (branca!!!!). Dois companheiros de caminho, duas mãos com as quais eu posso contar... E vcs dois sabem exatamente quem são...
********
Daniela em números
24 horas, 3 Estados, um cafezinho que me custou a bagatela de R$ 3,00 (e eu ainda sorri com o ar mais blasé para o caixa da Black Coffee: "é o melhor café de São Paulo. Por isso vale a pena pagar o preço dele..."), terceira noite virada (o projeto, viu, CL?), Rio 2 vezes no mesmo dia.
********
A menina (d)a águia
O que fazer quando o seu alter ego passa a significar mais que você? Pois é... Ninguém ao meu lado no vôo GRU/RIO/SSA, coloquei a águia sentada na poltrona e fiz com que ela obedecesse o aviso de apertar os cintos. Minha águia, que tão prodigamente secou as minhas lágrimas, voou pela primeira vez amarrada num cinto de segurança. Ela só declinou do lanche: águias não comem croissant.
O resultado? Bom, na segunda escala eu já era a "Menina da Águia". Os meninos da Petrobrás ofereceram lanche pra ela, zoaram, brincaram. Pudera... Aquela mulher ruiva, enigmática, toda de preto, fazendo carinho na cabeça de uma águia de pelúcia como se filho fosse? Surreal, né?
********
Resolvido o problema de Daniela vs Computador em SP (ou RJ). Vou comprar um novo cooler e uma nova motherboard pro falecido Pentium 3 da mamãe... E um Speedy em SP... ai, ai... se tiver NET no apartamento que vou alugar eu nunca mais saio de casa...
********
Laivos da insensatez (monólogo para uma alma sem âncora)
"Ai, que calor que tá no Rio. Mas eu não estou no Rio. Se eu abrir os olhos, vou saber onde estou? Mas esse calor... Que dia da semana é hoje? Eu estou indo pra onde? Será que entrei no vórtice e estou indo pro Rio de novo? Mas eu viajei de manhã, não de noite... Ih, esse cara da frente ronca horrores! Vou me cobrir com o casaco. Ah, dormir abraçada na águia é tão bom... Mas onde eu estou mesmo que esfriou tanto? Ah, no ônibus... mas pra onde? Ah, tem jogo do Galo no Mineirão, estava mesmo indo pra lá... Mas... O jogo é só dia 15 (ou 16)... E que dia é hoje? Se eu acender a luz, será que eu perco o sono? Ah, o ar condicionado está fraco agora... Mas ar condicionado de onde, se no meu quarto não tem ar condicionado? Ih, Acho bom tirar as lentes e dormir de novo, pq tenho que acordar daqui a pouco... Mas pq mesmo???"
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Ganhei dois presentes da Cidade Maravilhosa. Dois amigos sem par, duas almas elevadas, dois dias diferentes no mesmo bar, dois homens sensacionais, com uma visão de mundo e de vida que dá inveja (branca!!!!). Dois companheiros de caminho, duas mãos com as quais eu posso contar... E vcs dois sabem exatamente quem são...
sábado, fevereiro 08, 2003
PQPFC!!!
Como eu odeio esse sotaque carioca!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
********
Rá, e pq o meu próprio sotaque é arrrrraxxxtaaaaado desse jeito?
********
Surreal é ver bolsas Louis Vuitton vendidas pela cidade a módicos 300 reais.
Surreal é não tentar se roubada por causa do sotaque estranho numa cidade que não é a minha.
********
Diágolo
— Vamos entrar num chat de São Paulo e sacanear os paulistas?
Uh, acho que vou embora...
Como eu odeio esse sotaque carioca!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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Rá, e pq o meu próprio sotaque é arrrrraxxxtaaaaado desse jeito?
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Surreal é ver bolsas Louis Vuitton vendidas pela cidade a módicos 300 reais.
Surreal é não tentar se roubada por causa do sotaque estranho numa cidade que não é a minha.
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Diágolo
— Vamos entrar num chat de São Paulo e sacanear os paulistas?
Uh, acho que vou embora...
Num totem de ponto de ônibus
Precisamos conversar!
- Deus
Agora, né? Fala que eu te escuto!
********
E não é que a louca da Dani está procurando empregos por aqui? Master of poker face! Rá, eles têm minas terrestres! E tem KR, tb!
********
Ah, esqueci de contar: a águia tem cuidado tanto, tanto, tanto de mim... U got a good point again! Grazie!
********
How to be double in Rio de Janeiro
.blusas tomara que caia funcionam.
.5 quilos menos numa semana também fazem milagres.
.um ar ligeiramente blasé
.óculos escuros mas não tão escuros
.um certo charme para o carinha da lan house
.sorrisos. Muitos.
Eu tenho usado todos esses expedientes, menos um: eu não tenho empenhado esforços nessa árdua tarefa de be double in Rio. I wanna be alone, single, everywhere.
********
Daniela em números
5 kg menos, 4 dias de confusão, 3 noites de sono que viraram fumaça, 2 unidades alcoólicas (ah, esse choppinho de 200 ml...), 1 caminho de tijolos vermelhos. 0 companhia.
- Deus
Agora, né? Fala que eu te escuto!
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E não é que a louca da Dani está procurando empregos por aqui? Master of poker face! Rá, eles têm minas terrestres! E tem KR, tb!
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Ah, esqueci de contar: a águia tem cuidado tanto, tanto, tanto de mim... U got a good point again! Grazie!
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How to be double in Rio de Janeiro
.blusas tomara que caia funcionam.
.5 quilos menos numa semana também fazem milagres.
.um ar ligeiramente blasé
.óculos escuros mas não tão escuros
.um certo charme para o carinha da lan house
.sorrisos. Muitos.
Eu tenho usado todos esses expedientes, menos um: eu não tenho empenhado esforços nessa árdua tarefa de be double in Rio. I wanna be alone, single, everywhere.
********
Daniela em números
5 kg menos, 4 dias de confusão, 3 noites de sono que viraram fumaça, 2 unidades alcoólicas (ah, esse choppinho de 200 ml...), 1 caminho de tijolos vermelhos. 0 companhia.
sexta-feira, fevereiro 07, 2003
Ah, Holden, separados no nascimento?
"Post de quase dois anos atrás, que eu deveria gravar com ferro em brasa na minha cabeça tonta:
Três da tarde
Agora eu só quero paz. Já passou para mim o tempo em que paixão efervescente me causava tonturas, me deixava acordado uma semana, enfeitando minha alma, organizando festas incríveis aqui dentro do meu peito, te recebendo com faixa e banda de música e tapete vermelho. Eu abro mão daquela agonia lancinante e, sim, devo admitir, extasiante, de te demonstrar através de minha performance que eu valho a pena, que eu sou especial e que eu não mereço ser ferido.
A partir de agora só quero amor cream cracker. Amor três da tarde. Amor edredom.
HOLDEN CAULFIELD 3:53 PM 2 Shout Outs"
********
Daniela em Números
3 refrigerantes, 2 horas, 1 amigo querido conquistado.
********
Buenas... Here I am, na Cidade Maravilhosa, cujos encantos mil estão escondidos pelos motoristas de ônibus, pelo calor diário de 43 graus. O que estou fazendo aquî? Bom, seria idiota se eu dissesse que só uma viagem de seis horas, 500 km poderiam me dar a paz de espírito tão ambicionada? Seria estúpido se eu dissesse que São Paulo é uma cidade pequena demais para acolher a mim e ao meu desconforto?
Resposta 1 para a pergunta não feita: não, não estou fugindo. Estou reciclando. Recarregando, como o Ultraman fazia perto do sol. Minha luzinha vermelha estava disparada, precisava voltar para perto do sol para que ela voltasse a ficar azul. Voltei a assumir minha condição de Sundance Girl.
Resposta 2 para a pergunta não feita: eu sou dona da minha vida. Dia 15 tem clássico no Mineirão. Se me der na telha (e na conta bancária) eu vou. Ah, é em BêAgá, mesmo.
********
Ao contrário do que eu acreditei, minha fé em Deus continua inabalável. Não entendo a sua letra, não entendo o idioma, mas a mim não cabe questionar. É acreditar, e acreditar, mesmo sem ver a prova. Vou me deixando ser instrumento, mero instrumento de Deus. Vou pra onde seu hálito me soprar, faço o que sua mão firme e amorosa conduzir. E vou sendo feliz dia após dia, sem pressa, sem arroubos.
********
A menina, a águia e o gato
Era uma vez uma menina. Era uma vez uma águia. Era uma vez um gato.
A menina não sabia amar. A águia tinha as asas presas. O gato...
A menina morava longe da águia. A águia morava perto do gato. O gato...
Um dia a menina voou para perto da águia. A águia teve a asa solta pelo gato. O gato...
A menina se apaixonou. A águia também. O gato...
A menina ensinou a águia a voar. A águia ensinou a menina a amar. O gato...
A menina voou com a águia. A águia cuidou da menina no vôo. O gato...
A menina dorme abraçada com a águia. A águia vela o sono da menina. O gato...
A menina seca as lágrimas nas penas da águia. A águia protege os olhos da menina contra a luz. O gato...
A menina está aprendendo a ser feliz. A águia está aprendendo a voar. O gato...
E o gato, gente???
*******
Voltei para a casa que tantas vezes me viu correndo, em boa parte dos doze anos em que sapateei pelos corredores do 726 da avenida com nome estranho. Quase consegui enxergar alguma marquinha que eu porventura tivesse feito nas paredes. Senti o cheiro que me acompanhou em eventuais sonhos. Um cheiro de portaria, algo entre a creolina e o desinfetante de pinho. Rodei pelos aposentos da casa, revi as plantas que um dia me foram proibidas. Vi as pequenas xícaras de porcelana, pelas quais minhas mãos sofreram ano após ano, num desejar constante.
Revi o cantinho onde ficava aquela que me era tão querida, aquela que tão sabiamente me acolhia, numa paciência absurda, talvez sabedora da nossa afinidade. Fui ao banheiro, e senti o cheiro de sabonetes antigos, que tinham passeado pela minha pele em outros carnavais. Dor fez rima com amor. Senti falta dos dias do passado, dos dias em que a banheira quadrada era grande o suficiente para a Algas e eu e os nosso brinquedos.
Não há mais estante de livros naquele apartamento destroçado. De real e concreto, apenas um sorriso. O meu, mescla de saudade e lembranças. Sacudo a cabeça para empurrar as lembranças para o fundo da memória. Sento, abro a bolsa, puxo um cigarro, vasculho o isqueiro. Os olhos já brincam mais sossegadamente com o ambiente semi despido, prostituta guardada por pequenos véus mal aplicados.
Surge um cinzeiro na minha frente, solícito. O cigarro toma o caminho do depósito de cinzas. Os olhos acompanharam mecanicamente o trajeto da brasa até a mesinha de centro, e param arregalados. As lágrimas até então contidas não acharam freio. O corpo, convulsionado, escorregou para o chão, e a cabeça achou repouso no tampo de madeira da mesa. A mão continuou pendurada no cinzeiro. O cinzeiro que tinha um palhaço em pé, bêbado, agarrado num poste de rua. Bêbado, sem rumo. Como eu.
"Post de quase dois anos atrás, que eu deveria gravar com ferro em brasa na minha cabeça tonta:
Três da tarde
Agora eu só quero paz. Já passou para mim o tempo em que paixão efervescente me causava tonturas, me deixava acordado uma semana, enfeitando minha alma, organizando festas incríveis aqui dentro do meu peito, te recebendo com faixa e banda de música e tapete vermelho. Eu abro mão daquela agonia lancinante e, sim, devo admitir, extasiante, de te demonstrar através de minha performance que eu valho a pena, que eu sou especial e que eu não mereço ser ferido.
A partir de agora só quero amor cream cracker. Amor três da tarde. Amor edredom.
HOLDEN CAULFIELD 3:53 PM 2 Shout Outs"
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Daniela em Números
3 refrigerantes, 2 horas, 1 amigo querido conquistado.
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Buenas... Here I am, na Cidade Maravilhosa, cujos encantos mil estão escondidos pelos motoristas de ônibus, pelo calor diário de 43 graus. O que estou fazendo aquî? Bom, seria idiota se eu dissesse que só uma viagem de seis horas, 500 km poderiam me dar a paz de espírito tão ambicionada? Seria estúpido se eu dissesse que São Paulo é uma cidade pequena demais para acolher a mim e ao meu desconforto?
Resposta 1 para a pergunta não feita: não, não estou fugindo. Estou reciclando. Recarregando, como o Ultraman fazia perto do sol. Minha luzinha vermelha estava disparada, precisava voltar para perto do sol para que ela voltasse a ficar azul. Voltei a assumir minha condição de Sundance Girl.
Resposta 2 para a pergunta não feita: eu sou dona da minha vida. Dia 15 tem clássico no Mineirão. Se me der na telha (e na conta bancária) eu vou. Ah, é em BêAgá, mesmo.
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Ao contrário do que eu acreditei, minha fé em Deus continua inabalável. Não entendo a sua letra, não entendo o idioma, mas a mim não cabe questionar. É acreditar, e acreditar, mesmo sem ver a prova. Vou me deixando ser instrumento, mero instrumento de Deus. Vou pra onde seu hálito me soprar, faço o que sua mão firme e amorosa conduzir. E vou sendo feliz dia após dia, sem pressa, sem arroubos.
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A menina, a águia e o gato
Era uma vez uma menina. Era uma vez uma águia. Era uma vez um gato.
A menina não sabia amar. A águia tinha as asas presas. O gato...
A menina morava longe da águia. A águia morava perto do gato. O gato...
Um dia a menina voou para perto da águia. A águia teve a asa solta pelo gato. O gato...
A menina se apaixonou. A águia também. O gato...
A menina ensinou a águia a voar. A águia ensinou a menina a amar. O gato...
A menina voou com a águia. A águia cuidou da menina no vôo. O gato...
A menina dorme abraçada com a águia. A águia vela o sono da menina. O gato...
A menina seca as lágrimas nas penas da águia. A águia protege os olhos da menina contra a luz. O gato...
A menina está aprendendo a ser feliz. A águia está aprendendo a voar. O gato...
E o gato, gente???
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Voltei para a casa que tantas vezes me viu correndo, em boa parte dos doze anos em que sapateei pelos corredores do 726 da avenida com nome estranho. Quase consegui enxergar alguma marquinha que eu porventura tivesse feito nas paredes. Senti o cheiro que me acompanhou em eventuais sonhos. Um cheiro de portaria, algo entre a creolina e o desinfetante de pinho. Rodei pelos aposentos da casa, revi as plantas que um dia me foram proibidas. Vi as pequenas xícaras de porcelana, pelas quais minhas mãos sofreram ano após ano, num desejar constante.
Revi o cantinho onde ficava aquela que me era tão querida, aquela que tão sabiamente me acolhia, numa paciência absurda, talvez sabedora da nossa afinidade. Fui ao banheiro, e senti o cheiro de sabonetes antigos, que tinham passeado pela minha pele em outros carnavais. Dor fez rima com amor. Senti falta dos dias do passado, dos dias em que a banheira quadrada era grande o suficiente para a Algas e eu e os nosso brinquedos.
Não há mais estante de livros naquele apartamento destroçado. De real e concreto, apenas um sorriso. O meu, mescla de saudade e lembranças. Sacudo a cabeça para empurrar as lembranças para o fundo da memória. Sento, abro a bolsa, puxo um cigarro, vasculho o isqueiro. Os olhos já brincam mais sossegadamente com o ambiente semi despido, prostituta guardada por pequenos véus mal aplicados.
Surge um cinzeiro na minha frente, solícito. O cigarro toma o caminho do depósito de cinzas. Os olhos acompanharam mecanicamente o trajeto da brasa até a mesinha de centro, e param arregalados. As lágrimas até então contidas não acharam freio. O corpo, convulsionado, escorregou para o chão, e a cabeça achou repouso no tampo de madeira da mesa. A mão continuou pendurada no cinzeiro. O cinzeiro que tinha um palhaço em pé, bêbado, agarrado num poste de rua. Bêbado, sem rumo. Como eu.
quarta-feira, fevereiro 05, 2003
10 anos estudando.
33 dias de intensivão.
3 dias de prova.
Passei.
Agora, aprovada que fui, vitoriosa que sou, quero uma semana de sombra, água fresca e carinhos sem ter fim.
********
Eu sou querida. Eu sou especial. Eu sou bonita. Eu sou importante. E sinto muito, esse blog é meu e eu posso ser o quanto especial eu quiser, e dizer isso quantas vezes me der vontade.
********
Ê, menina sem-educação...
********
O bom da vida é poder olhar pra trás e ver que aquele "Buuuuuuuuuu" que tanto assustava não faz mais medo. Hoje eu descobri que EU consegui expurgar os meus fantasmas. "Como é difícil viver carregando um cemitério na cabeça". Esse Bruno Gouveia é show, né?
********
"Cristo Redentor
Braços abertos
Sobre a Guanabara
(...)
Esse samba é só porque
RIO, EU GOSTO DE VOCÊ!!!"
***
"O Rio de Janeiro continua lindo
O Rio de Janeiro continua sendo
O Rio de Janeiro fevereiro e março..."
E abril, e maio, e junho...
********
Hermético, né? Depois eu faço um diário de bordo decente...
********
Atenção, senhores passageiros com destino ao Rio de Janeiro. Embarque quase imediato.
33 dias de intensivão.
3 dias de prova.
Passei.
Agora, aprovada que fui, vitoriosa que sou, quero uma semana de sombra, água fresca e carinhos sem ter fim.
********
Eu sou querida. Eu sou especial. Eu sou bonita. Eu sou importante. E sinto muito, esse blog é meu e eu posso ser o quanto especial eu quiser, e dizer isso quantas vezes me der vontade.
********
Ê, menina sem-educação...
********
O bom da vida é poder olhar pra trás e ver que aquele "Buuuuuuuuuu" que tanto assustava não faz mais medo. Hoje eu descobri que EU consegui expurgar os meus fantasmas. "Como é difícil viver carregando um cemitério na cabeça". Esse Bruno Gouveia é show, né?
********
"Cristo Redentor
Braços abertos
Sobre a Guanabara
(...)
Esse samba é só porque
RIO, EU GOSTO DE VOCÊ!!!"
***
"O Rio de Janeiro continua lindo
O Rio de Janeiro continua sendo
O Rio de Janeiro fevereiro e março..."
E abril, e maio, e junho...
********
Hermético, né? Depois eu faço um diário de bordo decente...
********
Atenção, senhores passageiros com destino ao Rio de Janeiro. Embarque quase imediato.
domingo, fevereiro 02, 2003
Ei, quem toma cocktails de martini com vodka é o James Bond!!! Daniela? Não, Daniela não repete mais isso...
********
Foca, Mingau,Zeba e Debbie. No final, faltaram algumas pessoas importantíssimas, mas que por um motivo ou por outro não estava. Mas a minha "despedida" foi bem ao gosto dessa quase reclusa garotinha: poucos, queridos e excelentes amigos.
Obrigada, meus amores, meu "bunker" estará à disposição de vocês em Sampa... Mingau, amigo lindo dos lindos olhos azuis, assim que arranjar pra mim, procuro pra vc... Acredite: é mais fácil ser diretor de arte do que produtor...
********
"Keep in mind
We´re under the same sky
And the night as empty for me as for you
If you´ll feel
You can´t wait till morning
Kiss the rain..."
Kiss the Rain - Billie Myers
********
Dia 3.
********
Foca, Mingau,Zeba e Debbie. No final, faltaram algumas pessoas importantíssimas, mas que por um motivo ou por outro não estava. Mas a minha "despedida" foi bem ao gosto dessa quase reclusa garotinha: poucos, queridos e excelentes amigos.
Obrigada, meus amores, meu "bunker" estará à disposição de vocês em Sampa... Mingau, amigo lindo dos lindos olhos azuis, assim que arranjar pra mim, procuro pra vc... Acredite: é mais fácil ser diretor de arte do que produtor...
********
"Keep in mind
We´re under the same sky
And the night as empty for me as for you
If you´ll feel
You can´t wait till morning
Kiss the rain..."
Kiss the Rain - Billie Myers
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Dia 3.
sábado, fevereiro 01, 2003
Eu sabia que a dor deste meu amante uma hora vinha...
Salvador está embaixo d'água. Lágrimas de saudade desta que vai e não sabe quando e se volta. Água que tenta me segurar em casa, lágrimas que saltam dos olhos que olharam os meus e viram que era adeus. Água que tenta me ferir a pele, entranhar nos meus cabelos. "Se você vai, sai daqui marcada!"
Sua calma e placidez foram traídas pelas cores fortes. Salvador, meu amante, não faz silêncio da sua dor. Chora e esbraveja, e bate os pés e manda raios. Meio presente, meio castigo: ele sabe que as águas me recarregam, ao mesmo tempo que me freiam.
O pranto continua, passional, ruidoso, caudaloso. Agora ele manda os ventos cantarem sob a minha janela, serenata sem sereno, sem estrela, sem lua, sem sol. Serenata no cinza chumbo, canção de amor triste, canção triste de amor, soando como lamento sem resignação.
E ao contrário do poema que um dia me encantou, do lado de dentro da tempestade, um coração calmo, manso, quieto. Tranquilo. O meu. Minha alma está banhada do sol que o meu raivoso amante tão caprichosamente me nega.
Como amada sem alma, vou dormir. 6:33, e preciso ficar bela logo mais para ser recebida pelo meu amor primeiro. Bato o portão sem fazer alarde, levo a carteira de identidade, uma saideira, muita saudade. E a leve impressão de que...
Salvador está embaixo d'água. Lágrimas de saudade desta que vai e não sabe quando e se volta. Água que tenta me segurar em casa, lágrimas que saltam dos olhos que olharam os meus e viram que era adeus. Água que tenta me ferir a pele, entranhar nos meus cabelos. "Se você vai, sai daqui marcada!"
Sua calma e placidez foram traídas pelas cores fortes. Salvador, meu amante, não faz silêncio da sua dor. Chora e esbraveja, e bate os pés e manda raios. Meio presente, meio castigo: ele sabe que as águas me recarregam, ao mesmo tempo que me freiam.
O pranto continua, passional, ruidoso, caudaloso. Agora ele manda os ventos cantarem sob a minha janela, serenata sem sereno, sem estrela, sem lua, sem sol. Serenata no cinza chumbo, canção de amor triste, canção triste de amor, soando como lamento sem resignação.
E ao contrário do poema que um dia me encantou, do lado de dentro da tempestade, um coração calmo, manso, quieto. Tranquilo. O meu. Minha alma está banhada do sol que o meu raivoso amante tão caprichosamente me nega.
Como amada sem alma, vou dormir. 6:33, e preciso ficar bela logo mais para ser recebida pelo meu amor primeiro. Bato o portão sem fazer alarde, levo a carteira de identidade, uma saideira, muita saudade. E a leve impressão de que...
Familia louca
Em definitivo: os Henning são dependentes químicos de tecnologia. Essa máquina parecia alça de caixão: um largava e o outro já vinha no vácuo...
********
Buenas...
Daqui a exatas 29 horas eu estarei embarcada num vôo de Salvador para São Paulo. Passagem só de ida comprada. Na bagagem, sonhos, esperanças e crenças tão verdadeiras que beiram o infantil. Nada definitivo, bem ao gosto dessa múltipla geminiana.
A roleta já está correndo sobre os próprios trilhos. Na minha mesa de bacará, não existe duplo zero: não há a possibilidade de eu não ganhar.
Hora de fazer os sonhos darem certo, hora de zerar o odômetro e cometer erros diferentes, acertos diferentes.
Meu deadline para dar certo é curto: 20, no máximo 30 dias, e eu já tenho que ter uma estrutura mínima montada — a santíssima trindade: apartamento+colchãozão+chuveiro quente.
O lado bom das bifurações da vida é que existem apenas dois caminhos a escolher: sucesso ou fracasso. Não tenho a menor pretensão de escolher a segunda possibilidade, mas o meu bom senso e excesso de realismo me impedem de pensar que a vida será sempre cor-de-rosa na minha terra natal. Todo início é duro, toda mudança dói. Vou continuar trabalhando em produção, conhecendo pessoas novas, incrementando meu cardápio de mais pessoas queridas. Nada sério em vista, algumas possibilidades.
Mas resolvi que se vou sofrer de qualquer jeito — tentando ou desistindo —, prefiro sofrer aprendendo a ser feliz. Prefiro sofrer acreditando mais uma vez nos meus planos, acreditando que "no mais, a eterna certeza de que o nosso sucesso é inevitável", parafraseando eternamente um amigo querido.
Claro que toda mudança traz consigo os ares da esperança. A delícia tem andado de braços dados com o temor. Reaprendi a sonhar, prática tão em desuso na minha vida. Aprendi a acreditar, e acreditar, mesmo sem ver a prova. Estou aprendendo a ser feliz dia após dia, sem me angustiar com a tema da alegria do dia seguinte. Engraçado: parei de me preocupar em buscar a felicidade, e não me lembro de ter sido tão feliz em outra época da minha vida.
Cada um, cada um de vocês contribuiu para que eu começasse a caminhar mais segura. Cada um deu sua parcela de carinho, profissional ou não, cada um me deu um pouquinho mais de esperança para continuar a navegar. Na força de vocês eu me fiz, sou resultado dos tijolinhos colocado por cada um. A maneira como nos relacionamos no passado me é indiferente agora: amigos novos, antigos, colegas de trabalho, chefes, mas acima de tudo, pessoas que me são muito caras.
Pode ser que eu volte em 2 dias, duas semanas, dois meses, dois anos, duas vidas. Pode ser que eu migre para outras paragens, andorinha em busca de um sol morno onde eu possa estirar as minhas asinhas, deitar os olhos além da linha do horizonte e suspirar satisfeita: "Enfim em casa". Onde quer que seja essa casa.
Na pior das hipóteses, em no máximo 30 dias estou de volta a Salvador, com toneladas de boas histórias pra contar, férias merecidas na terra pela qual não caminho há tanto tempo. Mas confesso que vou brigar para que isso não aconteça.
Vou manter atualizações periódicas no meu blog, e operando com todos as contas deemail, já que eu tenho certeza de que todos vão me mandar cartinhas, desejando boa sorte, fazendo torcida para que tudo dê certo. Estou contando com isso.
********
E que seja doce, que seja doce, que seja doce!
Em definitivo: os Henning são dependentes químicos de tecnologia. Essa máquina parecia alça de caixão: um largava e o outro já vinha no vácuo...
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Buenas...
Daqui a exatas 29 horas eu estarei embarcada num vôo de Salvador para São Paulo. Passagem só de ida comprada. Na bagagem, sonhos, esperanças e crenças tão verdadeiras que beiram o infantil. Nada definitivo, bem ao gosto dessa múltipla geminiana.
A roleta já está correndo sobre os próprios trilhos. Na minha mesa de bacará, não existe duplo zero: não há a possibilidade de eu não ganhar.
Hora de fazer os sonhos darem certo, hora de zerar o odômetro e cometer erros diferentes, acertos diferentes.
Meu deadline para dar certo é curto: 20, no máximo 30 dias, e eu já tenho que ter uma estrutura mínima montada — a santíssima trindade: apartamento+colchãozão+chuveiro quente.
O lado bom das bifurações da vida é que existem apenas dois caminhos a escolher: sucesso ou fracasso. Não tenho a menor pretensão de escolher a segunda possibilidade, mas o meu bom senso e excesso de realismo me impedem de pensar que a vida será sempre cor-de-rosa na minha terra natal. Todo início é duro, toda mudança dói. Vou continuar trabalhando em produção, conhecendo pessoas novas, incrementando meu cardápio de mais pessoas queridas. Nada sério em vista, algumas possibilidades.
Mas resolvi que se vou sofrer de qualquer jeito — tentando ou desistindo —, prefiro sofrer aprendendo a ser feliz. Prefiro sofrer acreditando mais uma vez nos meus planos, acreditando que "no mais, a eterna certeza de que o nosso sucesso é inevitável", parafraseando eternamente um amigo querido.
Claro que toda mudança traz consigo os ares da esperança. A delícia tem andado de braços dados com o temor. Reaprendi a sonhar, prática tão em desuso na minha vida. Aprendi a acreditar, e acreditar, mesmo sem ver a prova. Estou aprendendo a ser feliz dia após dia, sem me angustiar com a tema da alegria do dia seguinte. Engraçado: parei de me preocupar em buscar a felicidade, e não me lembro de ter sido tão feliz em outra época da minha vida.
Cada um, cada um de vocês contribuiu para que eu começasse a caminhar mais segura. Cada um deu sua parcela de carinho, profissional ou não, cada um me deu um pouquinho mais de esperança para continuar a navegar. Na força de vocês eu me fiz, sou resultado dos tijolinhos colocado por cada um. A maneira como nos relacionamos no passado me é indiferente agora: amigos novos, antigos, colegas de trabalho, chefes, mas acima de tudo, pessoas que me são muito caras.
Pode ser que eu volte em 2 dias, duas semanas, dois meses, dois anos, duas vidas. Pode ser que eu migre para outras paragens, andorinha em busca de um sol morno onde eu possa estirar as minhas asinhas, deitar os olhos além da linha do horizonte e suspirar satisfeita: "Enfim em casa". Onde quer que seja essa casa.
Na pior das hipóteses, em no máximo 30 dias estou de volta a Salvador, com toneladas de boas histórias pra contar, férias merecidas na terra pela qual não caminho há tanto tempo. Mas confesso que vou brigar para que isso não aconteça.
Vou manter atualizações periódicas no meu blog, e operando com todos as contas de
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E que seja doce, que seja doce, que seja doce!
quinta-feira, janeiro 30, 2003
E onde havia trevas, luz. Onde havia dor, prazer. Onde havia o cinza, a cor.
********
O sol, que começa a pintar de lilás a última hora de negrume da noite, transformou em pó os sentimentos vis. Tenho medo, porém, de que o meu lado negro seja mais real que a Daniela fofinha, bonitinha, Hello Kitty. Tenho medo de mim mesma.
********
Três dias que não passam. Vou tomar um Dormonid a cada 12 horas até domingo.
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O sol, que começa a pintar de lilás a última hora de negrume da noite, transformou em pó os sentimentos vis. Tenho medo, porém, de que o meu lado negro seja mais real que a Daniela fofinha, bonitinha, Hello Kitty. Tenho medo de mim mesma.
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Três dias que não passam. Vou tomar um Dormonid a cada 12 horas até domingo.
Take 1
Quanto tempo um ser humano suporta emoções tão ambíguas e intensas?
— Cooooooooorta!
********
Take 2
As vezes era melhor não ter esperança. Se nada der certo, quem não tinha esperança acaba ficando satisfeito, "eu sabia que não ia dar certo...". E quem tinha, amarga mais um touchdown do time adversário.
— Cooooooooorta!
********
Take 3
Roller coaster emocional, Daniela Shake, Barco Viking, Gangorra, Banzé no Velho Oeste, What a hell?. Escolha: o cardápio de nomes é variado, o produto é o mesmo...
— Cooooooooorta!
********
Take 4
Eu não quero machucar ninguém. Ninguém mesmo. Nem mesmo a mim. Aliás, eu quero ser a primeira a não sentir dor.
Dilema Tostines: machucar a mim mesma para não machucar ninguém, ou sair baixando o sarrafo em todo mundo para não sair ferida?
— Cooooooooorta!
********
Take 5
Eu tenho certeza de que não vou conseguir ser clara. Tentei, mas as cenas não ficaram boas. Tenho certeza de que não vou conseguir responder a pergunta alguma. Óbvio: as perguntas giram desatinadamente na minha frente, redemoinho com pontas afiadas, que me lacera a pele a cada volteio caprichoso que dá. Deixa pra lá.
— LATA!!! Cooooooooorta... E copia!
********
Baixo astral, né? Motivo algum pra isso... Whatever, o tempo é o Senhor da Razão. Amanhã eu estou melhor de novo. E conto de hoje, crise de querido diário.
Voltamos com a nossa programação normal.
********
TRÊS!!! FALTAM TRÊS DIAS!!!
Quanto tempo um ser humano suporta emoções tão ambíguas e intensas?
— Cooooooooorta!
********
Take 2
As vezes era melhor não ter esperança. Se nada der certo, quem não tinha esperança acaba ficando satisfeito, "eu sabia que não ia dar certo...". E quem tinha, amarga mais um touchdown do time adversário.
— Cooooooooorta!
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Take 3
Roller coaster emocional, Daniela Shake, Barco Viking, Gangorra, Banzé no Velho Oeste, What a hell?. Escolha: o cardápio de nomes é variado, o produto é o mesmo...
— Cooooooooorta!
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Take 4
Eu não quero machucar ninguém. Ninguém mesmo. Nem mesmo a mim. Aliás, eu quero ser a primeira a não sentir dor.
Dilema Tostines: machucar a mim mesma para não machucar ninguém, ou sair baixando o sarrafo em todo mundo para não sair ferida?
— Cooooooooorta!
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Take 5
Eu tenho certeza de que não vou conseguir ser clara. Tentei, mas as cenas não ficaram boas. Tenho certeza de que não vou conseguir responder a pergunta alguma. Óbvio: as perguntas giram desatinadamente na minha frente, redemoinho com pontas afiadas, que me lacera a pele a cada volteio caprichoso que dá. Deixa pra lá.
— LATA!!! Cooooooooorta... E copia!
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Baixo astral, né? Motivo algum pra isso... Whatever, o tempo é o Senhor da Razão. Amanhã eu estou melhor de novo. E conto de hoje, crise de querido diário.
Voltamos com a nossa programação normal.
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TRÊS!!! FALTAM TRÊS DIAS!!!
quarta-feira, janeiro 29, 2003
— Você é uma das mulheres mais interessantes que eu conheci nos últimos anos. Você não merece o que você faz consigo mesma. Sabe qual é o seu problema? Você é múltipla, consegue pensar com clareza em cinco, seis coisas diferentes ao mesmo tempo. Tem "taquicérebro", não pára. Precisa se movimentar para que o corpo não sofra com a sua agilidade.
Ouvido de um cara que conhece mulheres melhor do que nós mesmas. E assim, num fôlego só, sem que ele ou eu respirássemos. As pessoas se juntaram num trabalho conjunto de ajuda ao próximo?
********
Bittersweet Day. Fui com uma amiga muito querida para uma reunião no local onde vai ser o Festival de Verão. Pela primeira vez pude ficar sentadinha, só de espectadora, saboreando cada martelada, cada grito no palco.
Backstage é mágico. Alguma coisa naquele burburinho frenético carrega o ar de uma eletricidade que causa ondas de arrepio, e uma estranha sensação de coletividade, de ser parte de um todo. Sempre, sempre é assim.
Hoje, entretanto, foi um pouco diferente. Não me senti fazendo parte daquela orquestra bem regida. Era uma observadora, voyeur num vão de janela, espiando o vizinho gostoso trocando de roupa. Nunca terei aquele vizinho, mas eu adoro ficar olhando, degustando com os olhos do pensamento.
Esse festival não é meu. Mas foi um dia. Foi num dia em que eu ainda acreditava em lealdade alheia, emcorações bons, em almas iluminadas como parceiras de trabalho. Esse festival foi meu de dentro da house, comemorando o aniversário de um amigo querido. Esse festival foi meu quando a minha equipe dos sonhos modificou todo o nosso esquema de trabalho por causa da escalação para o evento.
Uma alegria doceamarga fez com que os cantos da minha boca se curvassem ligeiramente para cima. Um meio sorriso. Escárnio de mim mesma. It´s time to be happy, and no pain, no gain.
Revi meus amigos de trabalho, minhas duas equipes queridas, a apresentadora com quem dividi quartos de hotel, risadas e pizzas frias depois de 20 horas trabalhando. Senti um friozinha na barriga com a afinação das câmera, fui no caminhão de corte, abracei e beijei quem estava disponível. Troquei um longo e mudo abraço com o meu cinegrafista mais cúmplice, mais companheiro. Votos de boa sorte nessa minha nova empreitada foram ditos, e tenho certeza de que mais da metade foi de coração.
Eu fiz a minha opção. Não me arrependo dela por um único segundo. Faltava-me a consciência de que não posso ter os dois mundos. Hoje essa consciência me caiu como um raio. Podia ter doído mais, mas friamente eu consegui colocar na balança os prós e contras. Um mundo e o outro foram postos em cima da minha mesa imaginária, e medidos, apalpados, interrogados, ameaçados, pesados, analisados.
E um outro meio sorriso curvou os lábios daquela garota estranha, elegantíssima e destoante do ambiente dentro do seu vestido longo e fluido, azul marinho. Saber que eu podia estar ali e ESCOLHI não estar me deu uma deliciosa sensação de não-pertencer. A sensação que sempre combati hoje serviu-me de alento. Porque o não-pertencer significa que eu posso transitar pelas esferas que me apetecerem, e que sempre terei um porto onde atracar o meu veleiro. Esse não-pertencer, significa, acima de tudo, que pertenço a mim mesma.
Ver toda a movimentação de montagem do evento foi uma prova de fogo. Mas não foi, com certeza, a única de hoje.
Hoje o sol, juiz das atitudes, me cobrou "luz-cidez" .
********
Pelo meu relógio, faltam 4 dias.
Ouvido de um cara que conhece mulheres melhor do que nós mesmas. E assim, num fôlego só, sem que ele ou eu respirássemos. As pessoas se juntaram num trabalho conjunto de ajuda ao próximo?
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Bittersweet Day. Fui com uma amiga muito querida para uma reunião no local onde vai ser o Festival de Verão. Pela primeira vez pude ficar sentadinha, só de espectadora, saboreando cada martelada, cada grito no palco.
Backstage é mágico. Alguma coisa naquele burburinho frenético carrega o ar de uma eletricidade que causa ondas de arrepio, e uma estranha sensação de coletividade, de ser parte de um todo. Sempre, sempre é assim.
Hoje, entretanto, foi um pouco diferente. Não me senti fazendo parte daquela orquestra bem regida. Era uma observadora, voyeur num vão de janela, espiando o vizinho gostoso trocando de roupa. Nunca terei aquele vizinho, mas eu adoro ficar olhando, degustando com os olhos do pensamento.
Esse festival não é meu. Mas foi um dia. Foi num dia em que eu ainda acreditava em lealdade alheia, emcorações bons, em almas iluminadas como parceiras de trabalho. Esse festival foi meu de dentro da house, comemorando o aniversário de um amigo querido. Esse festival foi meu quando a minha equipe dos sonhos modificou todo o nosso esquema de trabalho por causa da escalação para o evento.
Uma alegria doceamarga fez com que os cantos da minha boca se curvassem ligeiramente para cima. Um meio sorriso. Escárnio de mim mesma. It´s time to be happy, and no pain, no gain.
Revi meus amigos de trabalho, minhas duas equipes queridas, a apresentadora com quem dividi quartos de hotel, risadas e pizzas frias depois de 20 horas trabalhando. Senti um friozinha na barriga com a afinação das câmera, fui no caminhão de corte, abracei e beijei quem estava disponível. Troquei um longo e mudo abraço com o meu cinegrafista mais cúmplice, mais companheiro. Votos de boa sorte nessa minha nova empreitada foram ditos, e tenho certeza de que mais da metade foi de coração.
Eu fiz a minha opção. Não me arrependo dela por um único segundo. Faltava-me a consciência de que não posso ter os dois mundos. Hoje essa consciência me caiu como um raio. Podia ter doído mais, mas friamente eu consegui colocar na balança os prós e contras. Um mundo e o outro foram postos em cima da minha mesa imaginária, e medidos, apalpados, interrogados, ameaçados, pesados, analisados.
E um outro meio sorriso curvou os lábios daquela garota estranha, elegantíssima e destoante do ambiente dentro do seu vestido longo e fluido, azul marinho. Saber que eu podia estar ali e ESCOLHI não estar me deu uma deliciosa sensação de não-pertencer. A sensação que sempre combati hoje serviu-me de alento. Porque o não-pertencer significa que eu posso transitar pelas esferas que me apetecerem, e que sempre terei um porto onde atracar o meu veleiro. Esse não-pertencer, significa, acima de tudo, que pertenço a mim mesma.
Ver toda a movimentação de montagem do evento foi uma prova de fogo. Mas não foi, com certeza, a única de hoje.
Hoje o sol, juiz das atitudes, me cobrou "luz-cidez" .
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Pelo meu relógio, faltam 4 dias.
terça-feira, janeiro 28, 2003
Valsa brasileira
Vivia a te buscar
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu
Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer
Edu Lobo- Chico Buarque/1987-1988
Para o balé Dança da meia-lua
********
Cinco dias, e parece que os segundos se arrastam/aceleram. Cinco dias, e não sei se estou realmente acordada. Cinco dias, e cada minuto de sono serve para mitigar essa doce agonia. Cinco dias, e não sei mais fazer planos com mais de uma semana de antecedência. Cinco dias, tanto a fazer, e o corpo se recusa a obedecer: prefere ficar divagando pelos meandros do "quando".
Cinco dias me separam de abraços apertados, tagarelice sem taximetro, olhos que se tocam enfim. Cinco dias para acordar... e começar o sonho. Faltam só cinco dias.
Vivia a te buscar
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu
Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer
Edu Lobo- Chico Buarque/1987-1988
Para o balé Dança da meia-lua
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Cinco dias, e parece que os segundos se arrastam/aceleram. Cinco dias, e não sei se estou realmente acordada. Cinco dias, e cada minuto de sono serve para mitigar essa doce agonia. Cinco dias, e não sei mais fazer planos com mais de uma semana de antecedência. Cinco dias, tanto a fazer, e o corpo se recusa a obedecer: prefere ficar divagando pelos meandros do "quando".
Cinco dias me separam de abraços apertados, tagarelice sem taximetro, olhos que se tocam enfim. Cinco dias para acordar... e começar o sonho. Faltam só cinco dias.
domingo, janeiro 26, 2003
Qualquer um que sabe fazer contas mínimas sabe que a contagem regressiva vai desembocar em 2 de fevereiro.
O que nem qualquer um sabe, só os que estiveram comigo nos últimos dois anos, é que dois de fevereiro é A data cabalística para mudanças de planos, de rumos, de vida.
Quem acompanhou, e tenho uns dois ou três amigos que podem comprovar, sabe que no dia 02 de fevereiro do ano retrasado eu estaria embarcando para Boston com um amigo para viver por lá. E a viagem já foi um sucesso antes de acontecer. Nunca aconteceu, a bem da verdade, mas o sucesso era na parceria: Felipe e eu, cúmplices todo o tempo, amigos, irmãos de alma.
Dois anos depois, o dia dois de fevereiro vem carregado do estigma da mudança, sob o signo do sucesso. A aura é a mesma: meus companheiros de folguedos também são cúmplices, amigos, irmãos de alma. Nada é tão radical quanto atravessar 10 mil quilômetros, cinco fusos horários, um continente inteiro. São apenas dois mil quilômetros ("apenas" agora, né, cara-pálida? Há duas semanas esse "apenas" era uma zona abissal, de tão insondável...), mesmo país, nada de estranho.
A data é a mesma. Ela faz aniversário, e Mãe Maior que é, presenteia tão prodigamente os seus filhos.
O que nem qualquer um sabe, só os que estiveram comigo nos últimos dois anos, é que dois de fevereiro é A data cabalística para mudanças de planos, de rumos, de vida.
Quem acompanhou, e tenho uns dois ou três amigos que podem comprovar, sabe que no dia 02 de fevereiro do ano retrasado eu estaria embarcando para Boston com um amigo para viver por lá. E a viagem já foi um sucesso antes de acontecer. Nunca aconteceu, a bem da verdade, mas o sucesso era na parceria: Felipe e eu, cúmplices todo o tempo, amigos, irmãos de alma.
Dois anos depois, o dia dois de fevereiro vem carregado do estigma da mudança, sob o signo do sucesso. A aura é a mesma: meus companheiros de folguedos também são cúmplices, amigos, irmãos de alma. Nada é tão radical quanto atravessar 10 mil quilômetros, cinco fusos horários, um continente inteiro. São apenas dois mil quilômetros ("apenas" agora, né, cara-pálida? Há duas semanas esse "apenas" era uma zona abissal, de tão insondável...), mesmo país, nada de estranho.
A data é a mesma. Ela faz aniversário, e Mãe Maior que é, presenteia tão prodigamente os seus filhos.
A alma levou o corpo, e o passeio foi maravilhoso.
********
Um dia inteiro só pra mim, presente inusitado que há tempos não me dava. Uma exposição de nautimodelismo, um abraço atrasado 4, 5 anos, uma boa parte do tempo ajoelhada na grama, brincando com um modelo de navio mercante no espelho d'água do 2º Distrito Naval.
Despedi dos meninos nautimodelistas, e meio sem pensar, deixei o corpo vagar pelas esquinas do vento. Eyes wide open, olhos da alma enxergando mais que os olhos do rosto, e sincronizei os cinco sentidos. Sistema perceptivo otimizado, e deitei o olhar novamente apaixonado sobre a cidade que me envolveu num abraço morno no momento exato em que desembarquei.
Temos briguinhas como qualquer casal: às vezes saio do sério, detesto alguns hábitos dele, mas quem ama tudo perdoa. Pouco tempo depois da última rusguinha, Salvador me oferece como presente de paz uma visão do mar com o Farol da Barra ao fundo, ou o único pôr-do-sol no mar que o Brasil tem.
E ontem não foi diferente. Ontem o presente não foi de paz, já que temos vivido bem nos últimos tempos. Ontem Salvador me ofereceu um presente por todos os anos de amor absoluto, de fidelidade, de lealdade, de carinho. Salvador, ontem, me mostrou de novo suas cores, seus cheiros, seus sons.
Turista da própria cidade, visitante da própria alma, caminhei com uma mochila nas costas por todo o Mercado Modelo. Percorri os corredores do mercado, andei pelos corredores da minha própria consciência. Cada dia desse casamento bem sucedido de 14 anos voltou à tona.
O cheiro do protetor solar da minha própria pele me deu de volta muitos dias de sol. Meu primeiro acarajé. Minha turma do cursinho. Volta da praia durante o carnaval, pirralha em corpo de gente grande, ouvindo cantadinhas baratas e inocentes de pirralhos tão pirralhos quanto eu. As oito horas diárias de mar que nunca me transformaram numa big rider. As horas intermináveis de patinação no prédio do Gui, os palavrões berrados na quadra de futebol em frente à minha janela.
Janelas... Janelas que se abrem para o jardim onde estão todas as boas histórias. Jardim onde estão plantadas pessoas queridas. Pessoas-flores, pessoas-cactus, pessoas-árvores. Pessoas que vieram, pessoas que foram, que continuaram, que nunca estiveram; pessoas com raízes enormes no meu jardim, pessoas que se protegem com espinhos, pessoas que estão só de passagem.
E assim fui, pessoa por pessoa, num desenho mágico. História por história num desenho lógico. Meus olhos embotados de dendê e lágrimas. Sentei pra descansar como se baiana fosse, dancei e gargalhei como se fosse a única. E tropecei no piso centenário do Mercado como se ouvisse música, e flutuei no ar denso de maresia — cheiro novo de cais velho — como o sábado que era.
E Salvador me fez feliz de novo, amante amável, gentil. 14 anos de casamento, eu peço um tempo (anosdiasmesesvidassegundosquantoquantoquanto??), e mesmo assim continua me presenteando com os cheiros que aprendi a amar; com as cores fortes que foram bordadas à minha própria pele, criando uma fazenda em flicts, vermelho, preto, verde e amarelo.
Dois portos de registro, credenciais aceitas. Agora eu tenho um outro lugar para onde voltar. Eu, amada desalmada desamante, estou voltando pros braços do meu amor primeiro, com as bençãos do meu amor de toda a vida.
********
SETE DIAS!!!!!!!!!!!!
********
Um dia inteiro só pra mim, presente inusitado que há tempos não me dava. Uma exposição de nautimodelismo, um abraço atrasado 4, 5 anos, uma boa parte do tempo ajoelhada na grama, brincando com um modelo de navio mercante no espelho d'água do 2º Distrito Naval.
Despedi dos meninos nautimodelistas, e meio sem pensar, deixei o corpo vagar pelas esquinas do vento. Eyes wide open, olhos da alma enxergando mais que os olhos do rosto, e sincronizei os cinco sentidos. Sistema perceptivo otimizado, e deitei o olhar novamente apaixonado sobre a cidade que me envolveu num abraço morno no momento exato em que desembarquei.
Temos briguinhas como qualquer casal: às vezes saio do sério, detesto alguns hábitos dele, mas quem ama tudo perdoa. Pouco tempo depois da última rusguinha, Salvador me oferece como presente de paz uma visão do mar com o Farol da Barra ao fundo, ou o único pôr-do-sol no mar que o Brasil tem.
E ontem não foi diferente. Ontem o presente não foi de paz, já que temos vivido bem nos últimos tempos. Ontem Salvador me ofereceu um presente por todos os anos de amor absoluto, de fidelidade, de lealdade, de carinho. Salvador, ontem, me mostrou de novo suas cores, seus cheiros, seus sons.
Turista da própria cidade, visitante da própria alma, caminhei com uma mochila nas costas por todo o Mercado Modelo. Percorri os corredores do mercado, andei pelos corredores da minha própria consciência. Cada dia desse casamento bem sucedido de 14 anos voltou à tona.
O cheiro do protetor solar da minha própria pele me deu de volta muitos dias de sol. Meu primeiro acarajé. Minha turma do cursinho. Volta da praia durante o carnaval, pirralha em corpo de gente grande, ouvindo cantadinhas baratas e inocentes de pirralhos tão pirralhos quanto eu. As oito horas diárias de mar que nunca me transformaram numa big rider. As horas intermináveis de patinação no prédio do Gui, os palavrões berrados na quadra de futebol em frente à minha janela.
Janelas... Janelas que se abrem para o jardim onde estão todas as boas histórias. Jardim onde estão plantadas pessoas queridas. Pessoas-flores, pessoas-cactus, pessoas-árvores. Pessoas que vieram, pessoas que foram, que continuaram, que nunca estiveram; pessoas com raízes enormes no meu jardim, pessoas que se protegem com espinhos, pessoas que estão só de passagem.
E assim fui, pessoa por pessoa, num desenho mágico. História por história num desenho lógico. Meus olhos embotados de dendê e lágrimas. Sentei pra descansar como se baiana fosse, dancei e gargalhei como se fosse a única. E tropecei no piso centenário do Mercado como se ouvisse música, e flutuei no ar denso de maresia — cheiro novo de cais velho — como o sábado que era.
E Salvador me fez feliz de novo, amante amável, gentil. 14 anos de casamento, eu peço um tempo (anosdiasmesesvidassegundosquantoquantoquanto??), e mesmo assim continua me presenteando com os cheiros que aprendi a amar; com as cores fortes que foram bordadas à minha própria pele, criando uma fazenda em flicts, vermelho, preto, verde e amarelo.
Dois portos de registro, credenciais aceitas. Agora eu tenho um outro lugar para onde voltar. Eu, amada desalmada desamante, estou voltando pros braços do meu amor primeiro, com as bençãos do meu amor de toda a vida.
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SETE DIAS!!!!!!!!!!!!
sábado, janeiro 25, 2003
De uma amiga louquinha, que anda tão feliz quanto eu:
— Ah, Dani, está parecendo final de novela, né? Todo mundo tão feliz...
********
Vinda em casa num "soco". Desembarque-Doca Ceará no Porto, um bom amigo praça embarcado a convite, vai me ciceronear pelas profundezas da belonave. Deus benza, Deus benza, Deus benza!
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Oito, oito... FALTAM OITO DIAS!!!!!
— Ah, Dani, está parecendo final de novela, né? Todo mundo tão feliz...
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Vinda em casa num "soco". Desembarque-Doca Ceará no Porto, um bom amigo praça embarcado a convite, vai me ciceronear pelas profundezas da belonave. Deus benza, Deus benza, Deus benza!
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Oito, oito... FALTAM OITO DIAS!!!!!
sexta-feira, janeiro 24, 2003
Se eu estiver dormindo, POR FAVOR!!!, só me acordem na hora de embarcar.
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A pergunta é: QUE LUA É ESSA?
********
Eu andei conversando com Deus, e disse que se eu estiver fazendo alguma coisa que ele ache que não é o correto, que ele por favor me avise. Por vontade própria, eu não arredo pé desse caminho.
A resposta está vindo pelas vias mais loucas, bem ao gosto desse Ser Superior que me orienta. As novidades vão se encaixando de maneiras estapafúrdias, mas vão se encaixando.
********
O que era pra ser um retumbante fracasso está se tornando o meu sucesso mais expressivo. As coisas podem estar virando para o bright side of the moon para essa elemental que vos fala, habitante do reino dos Ares, tão volátil quanto. Eu ainda não entendi em que momento as coisas passaram de "ah, foda-se, não vou me sujeitar a isso" para "Caralhos, estou muito perto de conseguir!!".
Anyway, a manhã que começou quase perdida está se transformando num GRANDE dia... Boas respostas, inesperadas revelações. Nem tudo cor-de-rosa, mas cores estranhas não amedrontam essa menina-flicts.
********
Como nunca é demais:
DEUS BENZA, DEUS BENZA, DEUS BENZA!!!
Que seja doce, que seja doce, que seja doce!!!
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Nove. FALTAM SÓ NOVE DIAS!!!!!!!!!!
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A pergunta é: QUE LUA É ESSA?
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Eu andei conversando com Deus, e disse que se eu estiver fazendo alguma coisa que ele ache que não é o correto, que ele por favor me avise. Por vontade própria, eu não arredo pé desse caminho.
A resposta está vindo pelas vias mais loucas, bem ao gosto desse Ser Superior que me orienta. As novidades vão se encaixando de maneiras estapafúrdias, mas vão se encaixando.
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O que era pra ser um retumbante fracasso está se tornando o meu sucesso mais expressivo. As coisas podem estar virando para o bright side of the moon para essa elemental que vos fala, habitante do reino dos Ares, tão volátil quanto. Eu ainda não entendi em que momento as coisas passaram de "ah, foda-se, não vou me sujeitar a isso" para "Caralhos, estou muito perto de conseguir!!".
Anyway, a manhã que começou quase perdida está se transformando num GRANDE dia... Boas respostas, inesperadas revelações. Nem tudo cor-de-rosa, mas cores estranhas não amedrontam essa menina-flicts.
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Como nunca é demais:
DEUS BENZA, DEUS BENZA, DEUS BENZA!!!
Que seja doce, que seja doce, que seja doce!!!
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Nove. FALTAM SÓ NOVE DIAS!!!!!!!!!!
quinta-feira, janeiro 23, 2003
quarta-feira, janeiro 22, 2003
Um computador em rede, tempo, cabeça livre: não falta mais nada para promover um auto flagelo digital.
********
E foi o que fiz.
Uma vez me disseram que a minha capacidade de improviso com um computador e acesso à internet era surpreendente. Tomei como elogio, mas preferia as vezes ser uma inútil informática. Evitaria que eu mesma me sabotasse, me machucasse, me traísse. E foi isso que eu fiz hoje comigo mesma.
Não contente em ter contas pra pagar, em ter explicações a dar, dinheiro a receber, eu ainda procuro uma maneira de me deixar perversamente beirando o desânimo. Estúpida, idiota. Nada daquilo me dizia respeito, mais. Nada daquilo pertencia à minha vida desde tempos imemoriais (MENTIROSA!!!). Acessei instâncias que eu achava que não existiam mais. Ou que sempre disse nunca terem existido.
Mas elas estavam lá, como tio internado e esquecido no asilo, ossos de família que nunca se desfazem. O veneno sempre esteve lá, eu é que tinha esquecido, eu é que andava achando que estava perto do caminho para me tornar um ser humano melhor. Ingenuidade de quem realmente quer ser um pouco melhor um dia. Litigante de boa-fé.
Passa. A consciência de que fiz só para me machucar é quase suficiente para mitigar a dor. Meus dedos foram mais ágeis que meu cérebro embotado de cimento e lágrimas. Acharam facilmente o caminho da informação que eu precisava para fechar os olhos como quem recebe uma bala quente no meio das costas.
********
Estou adiando um telefonema. Coragem é bacana na teoria, mas na prática...
De hoje não passa.
********
AINDA FALTAM 11 DIAS!!!
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E foi o que fiz.
Uma vez me disseram que a minha capacidade de improviso com um computador e acesso à internet era surpreendente. Tomei como elogio, mas preferia as vezes ser uma inútil informática. Evitaria que eu mesma me sabotasse, me machucasse, me traísse. E foi isso que eu fiz hoje comigo mesma.
Não contente em ter contas pra pagar, em ter explicações a dar, dinheiro a receber, eu ainda procuro uma maneira de me deixar perversamente beirando o desânimo. Estúpida, idiota. Nada daquilo me dizia respeito, mais. Nada daquilo pertencia à minha vida desde tempos imemoriais (MENTIROSA!!!). Acessei instâncias que eu achava que não existiam mais. Ou que sempre disse nunca terem existido.
Mas elas estavam lá, como tio internado e esquecido no asilo, ossos de família que nunca se desfazem. O veneno sempre esteve lá, eu é que tinha esquecido, eu é que andava achando que estava perto do caminho para me tornar um ser humano melhor. Ingenuidade de quem realmente quer ser um pouco melhor um dia. Litigante de boa-fé.
Passa. A consciência de que fiz só para me machucar é quase suficiente para mitigar a dor. Meus dedos foram mais ágeis que meu cérebro embotado de cimento e lágrimas. Acharam facilmente o caminho da informação que eu precisava para fechar os olhos como quem recebe uma bala quente no meio das costas.
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Estou adiando um telefonema. Coragem é bacana na teoria, mas na prática...
De hoje não passa.
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AINDA FALTAM 11 DIAS!!!
Telefone pago, passagem paga, dívidas pagas. Faltam algumas, mas a sensação de auto-gestão é maravilhosa!
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Conversa boa num dia de lua vazia. Retomei contatos antigos, amigos perdidos nas dobras do tempo, e um email e um telefonema ecoaram e trouxeram de volta as risadas que foram dadas juntos. Amigo querido, história linda de dedicação ilimitada, na época em que eu mais precisei de colo, carinho e atenção.
Nossas vidas sempre correram juntas, os mesmo interesses, alguns problemas iguais, uma boa relação familiar. Noites inteiras discutindo sobre armas, montando planos mirabolantes de defesa, de ataque, de ser feliz. Angústias mais despejadas que divididas: era a certeza de que nunca haveria a sensação de estar sendo ofendido pelo outro. Sabiamos que jamais seriamos capazes de machucar um ao outro.
Promessa cumprida. Nunca nos ferimos, nunca nos magoamos, nunca fizemos o outro sofrer. Cumplicidade muda, mesmo quando viamos que o caminho escolhido pelo outro era meio tortuoso.
"Se eu não casar até os 32, eu vou ter que casar com você"."Pra me pedir o divórcio uma hora depois, né?", e era o motivo das risadinhas abafadas que cortavam quilômetros de fios telefônicos, que mais do que levar vozes, levava carinho. A proposta nunca foi séria. Ninguém melhor do que ele sabia dos meus sabores, dores e amores, e o mesmo se dava comigo.
E os laços foram se dissolvendo, papel na chuva. Passou-se um mês, depois outro, depois mais um, e nossa correspondência cessou. Trabalho demais para ambos, uma nova namorada para ele, mais uma desilusão para o meu extenso curriculum. Os meses viraram um ano, a namorada dele é outra — maravilhosa —, agreguei mais desilusões e enganos ao meu histórico. Nos falamos rápido, "oi, que saudade!, há quanto tempo, o que tem feito?"
Mais 10 meses, e enfim refizemos a ponte. "Tem tempo de encontrar uma amiga quase baiana no início do mês?" O que se seguiu foi o inevitável. Quando, como, onde. Sem porquês. Eu tinha esquecido desse detalhe: ele nunca questiona as minhas atitudes.
Finalmente vou poder trocar um abraço forte com esse amigo tão querido.
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Segundo um estudioso de Led Zeppelin, "House of the rising sun" foi gravada no álbum preto, e ele mesmo, esse conhecedor, não conhece ninguém além dele que tenha o disco.
A Shaggainteligence Agency continua investigando uma prova mais concreta dessa suposta gravação, questionada por um CatClown que tem como único defeito ser torcedor do Corinthians. Ninguém é perfeito...
Resposta:
— A-hãã...
Ai, como ele é lindo!
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Passagem pra onde? Ah...
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AINDA FALTAM 11 DIAS!!!
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Conversa boa num dia de lua vazia. Retomei contatos antigos, amigos perdidos nas dobras do tempo, e um email e um telefonema ecoaram e trouxeram de volta as risadas que foram dadas juntos. Amigo querido, história linda de dedicação ilimitada, na época em que eu mais precisei de colo, carinho e atenção.
Nossas vidas sempre correram juntas, os mesmo interesses, alguns problemas iguais, uma boa relação familiar. Noites inteiras discutindo sobre armas, montando planos mirabolantes de defesa, de ataque, de ser feliz. Angústias mais despejadas que divididas: era a certeza de que nunca haveria a sensação de estar sendo ofendido pelo outro. Sabiamos que jamais seriamos capazes de machucar um ao outro.
Promessa cumprida. Nunca nos ferimos, nunca nos magoamos, nunca fizemos o outro sofrer. Cumplicidade muda, mesmo quando viamos que o caminho escolhido pelo outro era meio tortuoso.
"Se eu não casar até os 32, eu vou ter que casar com você"."Pra me pedir o divórcio uma hora depois, né?", e era o motivo das risadinhas abafadas que cortavam quilômetros de fios telefônicos, que mais do que levar vozes, levava carinho. A proposta nunca foi séria. Ninguém melhor do que ele sabia dos meus sabores, dores e amores, e o mesmo se dava comigo.
E os laços foram se dissolvendo, papel na chuva. Passou-se um mês, depois outro, depois mais um, e nossa correspondência cessou. Trabalho demais para ambos, uma nova namorada para ele, mais uma desilusão para o meu extenso curriculum. Os meses viraram um ano, a namorada dele é outra — maravilhosa —, agreguei mais desilusões e enganos ao meu histórico. Nos falamos rápido, "oi, que saudade!, há quanto tempo, o que tem feito?"
Mais 10 meses, e enfim refizemos a ponte. "Tem tempo de encontrar uma amiga quase baiana no início do mês?" O que se seguiu foi o inevitável. Quando, como, onde. Sem porquês. Eu tinha esquecido desse detalhe: ele nunca questiona as minhas atitudes.
Finalmente vou poder trocar um abraço forte com esse amigo tão querido.
********
Segundo um estudioso de Led Zeppelin, "House of the rising sun" foi gravada no álbum preto, e ele mesmo, esse conhecedor, não conhece ninguém além dele que tenha o disco.
A Shaggainteligence Agency continua investigando uma prova mais concreta dessa suposta gravação, questionada por um CatClown que tem como único defeito ser torcedor do Corinthians. Ninguém é perfeito...
Resposta:
— A-hãã...
Ai, como ele é lindo!
********
Passagem pra onde? Ah...
********
AINDA FALTAM 11 DIAS!!!
terça-feira, janeiro 21, 2003
Acordei com uma lembrança. E um plano.
********
Lembrança de um par de olhos que sorriem pra mim da tela do computador. Lembrança de um piercing mínimo no nariz, lembrança da boca bem-feita, lembrança de uma estrela d'água. Eu quase adivinho o seu cheiro, mas a sensação é fugaz. Seu gosto é quase uma lembrança, quase familiar, ao invés do exercício de sonhar. Quase sinto a textura da sua pele sob as minhas mãos. Quase...
Quase.
********
Inconformada com os maus resultados do último trabalho, venho arquitetando saídas honrosas para enfim deixar a consciência em paz. Acordei com o plano do próximo trabalho pronto, pronto. As imagens desfilavam diante dos meus olhos, exatamente como seriam. Seriam, futuro do pretérito mesmo. NÃO VOU FAZER ESSE TRABALHO!.
A decisão foi ponderada quase em excesso. Minhas fichas estão em jogo, e a roleta já está rodando. Mesa de bacará onde estão em jogo mais do que simples cacifes. Estranhamente, nada há a ser perdido. Muito há a ser ganho. Não existem losers nessa história. Não há duplo Zero. Só números pares, vermelho e preto.
Não só por isso não aceito o próximo trabalho. Não aceito pq tudo na vida tem um limite. Só por isso.
Minha dívida está quitada.
********
Lembrança de um par de olhos que sorriem pra mim da tela do computador. Lembrança de um piercing mínimo no nariz, lembrança da boca bem-feita, lembrança de uma estrela d'água. Eu quase adivinho o seu cheiro, mas a sensação é fugaz. Seu gosto é quase uma lembrança, quase familiar, ao invés do exercício de sonhar. Quase sinto a textura da sua pele sob as minhas mãos. Quase...
Quase.
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Inconformada com os maus resultados do último trabalho, venho arquitetando saídas honrosas para enfim deixar a consciência em paz. Acordei com o plano do próximo trabalho pronto, pronto. As imagens desfilavam diante dos meus olhos, exatamente como seriam. Seriam, futuro do pretérito mesmo. NÃO VOU FAZER ESSE TRABALHO!.
A decisão foi ponderada quase em excesso. Minhas fichas estão em jogo, e a roleta já está rodando. Mesa de bacará onde estão em jogo mais do que simples cacifes. Estranhamente, nada há a ser perdido. Muito há a ser ganho. Não existem losers nessa história. Não há duplo Zero. Só números pares, vermelho e preto.
Não só por isso não aceito o próximo trabalho. Não aceito pq tudo na vida tem um limite. Só por isso.
Minha dívida está quitada.
segunda-feira, janeiro 20, 2003
Postando do trabalho da mamãe!
Versão moderna de dar papel e caneta para distrair a criança em visita no trabalho dos pais...
********
Resolvendo a vida...
********
Fragmentos
.A faculdade virou fumaça.
.Momento fútil: fui ao salão! Patinhas de cima e de baixo pintadinhas com cores bacaninhas, sobrancelhas lindas, luas em holograma nas unhas. Auto-estima, minha filha, desce daí!!!
.Super promoção do que mais quero: R$ 379,00!!! Mais 9,90 de taxas extras.
.Vida entrando (saindo) nos eixos.
.Medo de mãos dadas com a delícia.
.Programando uma nova tatuagem. Mas só faço se tiver Alguém que fique de mãos dadas comigo, para me dar apoio.
.Fazendo hora pra ir na TV fechar meu caixa.
.Fazendo hora para marcar meu horário para trocar o celular
.Fazendo hora para atracar meu barco no porto. E rezar para as minhas credenciais serem aceitas na nova (velha) embaixada. E que meu barquinho não seja deportado do meu cais querido.
********
Um erê está do meu ladinho, hoje. Erê, viu, amor, não um exu mirim!
Resposta:
— Ahã!
Ai, como ele é lindo!!
(Daniela com sorriso bobo, bobo...)
Versão moderna de dar papel e caneta para distrair a criança em visita no trabalho dos pais...
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Resolvendo a vida...
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Fragmentos
.A faculdade virou fumaça.
.Momento fútil: fui ao salão! Patinhas de cima e de baixo pintadinhas com cores bacaninhas, sobrancelhas lindas, luas em holograma nas unhas. Auto-estima, minha filha, desce daí!!!
.Super promoção do que mais quero: R$ 379,00!!! Mais 9,90 de taxas extras.
.Vida entrando (saindo) nos eixos.
.Medo de mãos dadas com a delícia.
.Programando uma nova tatuagem. Mas só faço se tiver Alguém que fique de mãos dadas comigo, para me dar apoio.
.Fazendo hora pra ir na TV fechar meu caixa.
.Fazendo hora para marcar meu horário para trocar o celular
.Fazendo hora para atracar meu barco no porto. E rezar para as minhas credenciais serem aceitas na nova (velha) embaixada. E que meu barquinho não seja deportado do meu cais querido.
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Um erê está do meu ladinho, hoje. Erê, viu, amor, não um exu mirim!
Resposta:
— Ahã!
Ai, como ele é lindo!!
(Daniela com sorriso bobo, bobo...)
Pouco mais de 4 horas de sono, a cabeça fervendo de idéias não-realizadas, de dúvidas que machucam, de interrogações que ainda caminham sozinhas... Semanas sem consultar meus oráculos digitais, com a exceção para o horóscopo certeiro que o meu CatClown descobriu.
Gazeta intencional, resolvo que não, não vou à faculdade. Vou ler horóscopos. Todos. Todos os que guardo o endereço nos meus "Favoritos". Apontei para o primeiro. Li. Li de novo. Falei um palavrão. Li mais uma vez. Sorri. Minha decisão, tomada há minutos ainda na cama, estava confirmada.
"Mande as dúvidas para o inferno em vez de permitir que elas infernizem você. Mande as dúvidas para o inferno e aja mesmo que nada pareça certo. Você só saberá se o caminho é certo ou errado depois de começar a trilhá-lo."
Horóscopo para Gêmeos - Oscar Quiroga - Estado de S. Paulo
********
Não li mais nenhum. Não precisou. Estou indo pra rua resolver minha vida.
Gazeta intencional, resolvo que não, não vou à faculdade. Vou ler horóscopos. Todos. Todos os que guardo o endereço nos meus "Favoritos". Apontei para o primeiro. Li. Li de novo. Falei um palavrão. Li mais uma vez. Sorri. Minha decisão, tomada há minutos ainda na cama, estava confirmada.
"Mande as dúvidas para o inferno em vez de permitir que elas infernizem você. Mande as dúvidas para o inferno e aja mesmo que nada pareça certo. Você só saberá se o caminho é certo ou errado depois de começar a trilhá-lo."
Horóscopo para Gêmeos - Oscar Quiroga - Estado de S. Paulo
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Não li mais nenhum. Não precisou. Estou indo pra rua resolver minha vida.
domingo, janeiro 19, 2003
A resposta boa veio num mau formato.
Não entendo mais nada dos desígnios celestiais: apenas os aceito. Tal e qual uma pororoca emocional, as águas se chocam na minha cabeça. De um lado, águas boas, limpas, turbulentas; do outro, águas más, sujas, maculadas, barrentas, carregadas de detritos.
As águas limpas se fecham numa onda perfeita, onda-aconchego de águas tépidas. Abraço esperado, desejado, e um suave —porém firme — conduzir do corpo, enfim liberto, para o fundo. As águas ruins são desordenadamente rebeldes, as gotas que a compõe não se entendem entre si: cada uma quer ir pra um lado. E vão. A condução do corpo para o fundo se faz sem singeleza. Sem sedução, os braços se agitam para voltar à superfície. Em vão.
As águas não se misturam. Por quê?
— Simples, Pequena Gafanhota: não sintonizam as energias ruins as energias boas. A resposta no seu coração sempre esteve.
QSL, Mestre Yoda. Daniela-San copiou a mensagem.
********
Rá! Essa menina é psicodélica!
********
O pé não está quebrado. Uma luxaçãozinha boba, e dois dias de cama, carinho e afagos me deixaram pronta para. Afago, carinho, remédio importado de longe, que me faz bem só porque sei que existe.
Foi uma semana tumultuada. Seria um resultado triste se eu estivesse sozinha, se não pudesse esconder meu rosto nas dobras do abraço que mais quero, garantia muda de que tudo vai ficar bem.
********
O pé está bem... Mas estou com uma gripe tão chatinha...
O corpo padece, mas a alma? A alma está dançando Edelweiss nas colinas verdejantes da Irlanda (eu sei que é na Áustria, mas a alma é minha e ela dança onde quiser!). Descalça, com uma coroa de margaridas nos cabelos soltos, selvagem, solta, feliz...
Scratch (onomatopéia para vinil sendo parado bruscamente. Suspende BG.)!!!
Edelweiss? Sua alma está dançando Edelweiss? Tá louca, Daniela?
Another turning point
A fork stuck in the road
Time grabs you by the wrist
Directs you where to go
So make the best of this test
And don't ask why
It's not a question
But a lesson learned in time
It's something unpredictable
But in the end is right
I hope you'll have the time of your life
So take the photographs
And still frames in your mind
Hang it on a shelf
Of good health and good time
Tattoos of memories
And dead skin on trial
For what it's worth
It was worth all the while
Good Ridance (Time of your life) - Green Day
Ah, agora sim a alma está com letra e músicas apropriadas! Ligeiramente adaptada, mas...
********
Sintonia é uma coisa absurda... Roubado do blog deste homem a quem tanto amo!
Lua cheia em leão
Uma semana em lua crescente. Tudo acontecendo ao mesmo tempo. A gente fica com aquela impressão de estar bom demais pra ser verdade. Que babaquice! Por que a mania de se sentir mal quando as coisas estão indo bem? Não que tudo esteja perfeito, enfim, o mínimo de perfeição tá longe, mas pelo menos coisas estão acontecendo.
Ultimamente sinto falta de um chá mate, ou um de hortelã. Visitando vizinhos blogueiros a gente meio que assume a impressão do mundo sempre estar em desequilíbrio. O Cheney me falou uma coisa interessante no ICQ essa madrugada: "A vida é uma eterna fase de transição." Ao qual interpelei: "A inquietação, a busca... bicho carpinteiro que faz a gente sempre se angustiar, nem que seja sem motivo!" Tem pessoas que definem como anima, bruxas italianas chamam de volonta, eu chamo de constante-angústia-e-impulso-pra-sempre-m udar. Ninguém gosta de mudança, dá trabalho e medo, mas ser sempre o mesmo é estagnar-se. "Mudar" no sentido de evoluir (esse não é o blog da dialética filosófica de relativizar tudo, paro aqui, pra não entrar na pergunta: "e o que é evolução?"), não no sentido de assumir máscaras diferentes. Vira a página.
Não entendo mais nada dos desígnios celestiais: apenas os aceito. Tal e qual uma pororoca emocional, as águas se chocam na minha cabeça. De um lado, águas boas, limpas, turbulentas; do outro, águas más, sujas, maculadas, barrentas, carregadas de detritos.
As águas limpas se fecham numa onda perfeita, onda-aconchego de águas tépidas. Abraço esperado, desejado, e um suave —porém firme — conduzir do corpo, enfim liberto, para o fundo. As águas ruins são desordenadamente rebeldes, as gotas que a compõe não se entendem entre si: cada uma quer ir pra um lado. E vão. A condução do corpo para o fundo se faz sem singeleza. Sem sedução, os braços se agitam para voltar à superfície. Em vão.
As águas não se misturam. Por quê?
— Simples, Pequena Gafanhota: não sintonizam as energias ruins as energias boas. A resposta no seu coração sempre esteve.
QSL, Mestre Yoda. Daniela-San copiou a mensagem.
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Rá! Essa menina é psicodélica!
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O pé não está quebrado. Uma luxaçãozinha boba, e dois dias de cama, carinho e afagos me deixaram pronta para. Afago, carinho, remédio importado de longe, que me faz bem só porque sei que existe.
Foi uma semana tumultuada. Seria um resultado triste se eu estivesse sozinha, se não pudesse esconder meu rosto nas dobras do abraço que mais quero, garantia muda de que tudo vai ficar bem.
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O pé está bem... Mas estou com uma gripe tão chatinha...
O corpo padece, mas a alma? A alma está dançando Edelweiss nas colinas verdejantes da Irlanda (eu sei que é na Áustria, mas a alma é minha e ela dança onde quiser!). Descalça, com uma coroa de margaridas nos cabelos soltos, selvagem, solta, feliz...
Scratch (onomatopéia para vinil sendo parado bruscamente. Suspende BG.)!!!
Edelweiss? Sua alma está dançando Edelweiss? Tá louca, Daniela?
Another turning point
A fork stuck in the road
Time grabs you by the wrist
Directs you where to go
So make the best of this test
And don't ask why
It's not a question
But a lesson learned in time
It's something unpredictable
But in the end is right
I hope you'll have the time of your life
So take the photographs
And still frames in your mind
Hang it on a shelf
Of good health and good time
Tattoos of memories
And dead skin on trial
For what it's worth
It was worth all the while
Good Ridance (Time of your life) - Green Day
Ah, agora sim a alma está com letra e músicas apropriadas! Ligeiramente adaptada, mas...
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Sintonia é uma coisa absurda... Roubado do blog deste homem a quem tanto amo!
Lua cheia em leão
Uma semana em lua crescente. Tudo acontecendo ao mesmo tempo. A gente fica com aquela impressão de estar bom demais pra ser verdade. Que babaquice! Por que a mania de se sentir mal quando as coisas estão indo bem? Não que tudo esteja perfeito, enfim, o mínimo de perfeição tá longe, mas pelo menos coisas estão acontecendo.
Ultimamente sinto falta de um chá mate, ou um de hortelã. Visitando vizinhos blogueiros a gente meio que assume a impressão do mundo sempre estar em desequilíbrio. O Cheney me falou uma coisa interessante no ICQ essa madrugada: "A vida é uma eterna fase de transição." Ao qual interpelei: "A inquietação, a busca... bicho carpinteiro que faz a gente sempre se angustiar, nem que seja sem motivo!" Tem pessoas que definem como anima, bruxas italianas chamam de volonta, eu chamo de constante-angústia-e-impulso-pra-sempre-m udar. Ninguém gosta de mudança, dá trabalho e medo, mas ser sempre o mesmo é estagnar-se. "Mudar" no sentido de evoluir (esse não é o blog da dialética filosófica de relativizar tudo, paro aqui, pra não entrar na pergunta: "e o que é evolução?"), não no sentido de assumir máscaras diferentes. Vira a página.
sábado, janeiro 18, 2003
sexta-feira, janeiro 17, 2003
Cenas do Bomfim
.Esta que vos fala foi tentar uma entrevista com um senador — e desculpem, caros caríssimos, mas sou partidária dele. Empurrada pela multidão, fui "cuspida" bem na frente do supracitado. Fotográfos a postos... ele segura minha cabeça e magnanimamente me deposita um beijo na testa. Ainda não tive coragem de ver os jornais. Se a foto foi publicada, vou ter que procurar asilo político em outro estado (ueba!!!)!
.Não. Não consegui a entrevista.
.Esta que vos fala quase sai aos tapas com um carinha da Tropa de Choque. O idiota me empurrou quando eu passava com um convidado para a área restrita da imprensa. Fomos apartados pelo Coronel Dureza, mas ficamos rosnando um para o outro. Destaque para o meu dedo espetado no nariz dele, sibilando que ele não ia ENCOSTAR A MÃO EM MIM.
.36 horas sem nada sólido no estômago
.Tomara que esse pé não esteja quebrado.
********
A cada problema mais grave, e tivemos vários, eu buscava refúgio num canto da mente só meu. Me deixava embalar pela voz que dá paz, soltava as amarras do pensamento e ia em busca daquele que tanto, tanto me faz feliz. Saboreava palavras ditas, risadas trocadas, novamente me preocupava com o que poderá ser, com a rejeição, ouvia de novo as palavras ditas, as risadas trocadas.
Tempo esgotado. Refazia a conexão com o mundo cruel (que é tão chatinho...) pronta para mais uma sessão de sandices, estupidez e contratempos. E ia levando, até não mais aguentar e novamente me esconder num abraço que só existe no mundo dos sonhos.
********
Ritmo de contagem regressiva. Não sei qual o número de partida, mas sei exatamente aonde vou chegar.
********
"Deus é quem decide quem vai levar e quem vai deixar pra trás"
Isso foi dito por um guri de nove anos que perdeu todos os irmãos nos deslizamentos de terra em BHZ. Mais contundente que a própria frase é a o final dela: "e quem vai deixar pra trás."
É a constatação do desamparo. É a prova da falta de solução. É o abandono em estado bruto. E veio de uma criança de nove anos. Uma criança de nove anos resignada como são os de 90. Uma criança que não queria chorar em casa porque a casa já estava muito triste, ele não queria piorar tudo.
Ele tem só nove anos. E não queria chorar em casa. E acha que Deus o deixou pra trás.
Eu sou (quase) jornalista, vejo algumas atrocidades, vejo o mundo sem o filtro cor-de-rosa. O pai perdeu os seis filhos. A velhinha perdeu a casa. O menino de nove anos perdeu os irmãos. Mas antes dos irmãos, o menino perdeu os sonhos. E ele só tem nove anos.
Essa doeu...
.Esta que vos fala foi tentar uma entrevista com um senador — e desculpem, caros caríssimos, mas sou partidária dele. Empurrada pela multidão, fui "cuspida" bem na frente do supracitado. Fotográfos a postos... ele segura minha cabeça e magnanimamente me deposita um beijo na testa. Ainda não tive coragem de ver os jornais. Se a foto foi publicada, vou ter que procurar asilo político em outro estado (ueba!!!)!
.Não. Não consegui a entrevista.
.Esta que vos fala quase sai aos tapas com um carinha da Tropa de Choque. O idiota me empurrou quando eu passava com um convidado para a área restrita da imprensa. Fomos apartados pelo Coronel Dureza, mas ficamos rosnando um para o outro. Destaque para o meu dedo espetado no nariz dele, sibilando que ele não ia ENCOSTAR A MÃO EM MIM.
.36 horas sem nada sólido no estômago
.Tomara que esse pé não esteja quebrado.
********
A cada problema mais grave, e tivemos vários, eu buscava refúgio num canto da mente só meu. Me deixava embalar pela voz que dá paz, soltava as amarras do pensamento e ia em busca daquele que tanto, tanto me faz feliz. Saboreava palavras ditas, risadas trocadas, novamente me preocupava com o que poderá ser, com a rejeição, ouvia de novo as palavras ditas, as risadas trocadas.
Tempo esgotado. Refazia a conexão com o mundo cruel (que é tão chatinho...) pronta para mais uma sessão de sandices, estupidez e contratempos. E ia levando, até não mais aguentar e novamente me esconder num abraço que só existe no mundo dos sonhos.
********
Ritmo de contagem regressiva. Não sei qual o número de partida, mas sei exatamente aonde vou chegar.
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"Deus é quem decide quem vai levar e quem vai deixar pra trás"
Isso foi dito por um guri de nove anos que perdeu todos os irmãos nos deslizamentos de terra em BHZ. Mais contundente que a própria frase é a o final dela: "e quem vai deixar pra trás."
É a constatação do desamparo. É a prova da falta de solução. É o abandono em estado bruto. E veio de uma criança de nove anos. Uma criança de nove anos resignada como são os de 90. Uma criança que não queria chorar em casa porque a casa já estava muito triste, ele não queria piorar tudo.
Ele tem só nove anos. E não queria chorar em casa. E acha que Deus o deixou pra trás.
Eu sou (quase) jornalista, vejo algumas atrocidades, vejo o mundo sem o filtro cor-de-rosa. O pai perdeu os seis filhos. A velhinha perdeu a casa. O menino de nove anos perdeu os irmãos. Mas antes dos irmãos, o menino perdeu os sonhos. E ele só tem nove anos.
Essa doeu...
quarta-feira, janeiro 15, 2003
Sou criança, sim, e daí?
Postando da TV, uhu!
Burlando a segurança das máquinas!
Quebrando regras!!!
Fazendo gazeta (ah, está quase tudo pronto...)!!!
Oh, yeah, baby, anarquista graças a Deus!
********
Pronto: passou.
********
Dormir 4:40, acordar 7:10... As madrugadas em claro têm sido mais confortáveis, proveitosas e acolhedoras do que a minha cama. É uma questão de opção: estar mais ou menos ou estar muito melhor. Tenho optado, óbvio, pelo muuuuuuuuuuito melhor.
********
Por que o Caetano não gosta de mim?
********
Ganhei colo telefônico, lá-lá-lá-lá-lá-lá
********
Eu avisei que estava infantil... Mas EU POSSO. EU POSSO porque estou FELIZ!!! Eu posso porque o meu clown me faz feliz...
Postando da TV, uhu!
Burlando a segurança das máquinas!
Quebrando regras!!!
Fazendo gazeta (ah, está quase tudo pronto...)!!!
Oh, yeah, baby, anarquista graças a Deus!
********
Pronto: passou.
********
Dormir 4:40, acordar 7:10... As madrugadas em claro têm sido mais confortáveis, proveitosas e acolhedoras do que a minha cama. É uma questão de opção: estar mais ou menos ou estar muito melhor. Tenho optado, óbvio, pelo muuuuuuuuuuito melhor.
********
Por que o Caetano não gosta de mim?
********
Ganhei colo telefônico, lá-lá-lá-lá-lá-lá
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Eu avisei que estava infantil... Mas EU POSSO. EU POSSO porque estou FELIZ!!! Eu posso porque o meu clown me faz feliz...
terça-feira, janeiro 14, 2003
"Tudo no mundo tem cor
Tudo no mundo é
Azul
Cor-de-rosa
ou Fruta-cor
é Vermelho ou
Amarelo
Quase tudo tem seu tom
Roxo
Violeta ou Lilás
Mas não existe no Mundo
nada que seja "Flicts"
- nem a sua solidão -
Flicts nunca teve par
nunca teve um lugarzinho
num espaço bicolor
(e tricolor muito menos
- pois três sempre foi demais)
Não
Não existe no Mundo
nada que seja "Flicts"
Nada
no mundo é "Flicts"
ou pelo menos
quer ser
Mas ninguém sabe a
verdade
(a não ser
os astronautas)
que de perto
de pertinho
a Lua é flicts!
Flicts - Ziraldo
********
À hora de postagem, sempre some uma hora. Leia-se: mais uma noite insône.
********
Não em branco. A menina-Flicts descobriu que existem cores no mundo que se parecem com ela. Não foi preciso ir à lua para achar seus pares. Bastou uma madrugada, um longo bate papo, e a comprovação veio: nós, os Flicts, já estamos na escala Pantone!
********
Flicts é um livro de singular crueldade infantil. Conta a história de uma cor que não se assemelhava a nenhuma outra. Nunca participou das brincadeiras porque nenhuma cor a queria por perto. O azul, o amarelo, o vermelho, todos eles brincavam juntos, se misturavam. Mas não havia espaço para Flicts.
Cor estranha. Não se assemelhava a nenhuma outra, e por isso estava sempre à margem, sempre cultivando um estado de espírito muito condizente com o seu nome estranho. Ímpar em busca do par, Flicts flanou pela vida e pelo mundo atrás de alguma cor que o aceitasse. Sozinho(a), Flicts e ele(a) mesmo(a). Quase, quase conformada com a condição de exilada social, a cor Flicts só foi feliz quando descobriu que não era só. A lua também era flicts.
********
Amarrando com o início, não foi preciso ir à lua.
********
Mas num dia como o de hoje, que mesmo o maior sol no céu seria toldado pelas minhas nuvens — ou pelas minhas lágrimas — fica difícil acreditar que eu não estou só.
Absurdamente só, e uma necessidade quase física de pedir um colo onde a minha cabeça pudesse descansar um pouquinho. Só um pouquinho, só até aliviar um tanto desse peso, um tanto desse latejar surdo, dessa memória recorrente que não vai. Não vai.
Tudo no mundo é
Azul
Cor-de-rosa
ou Fruta-cor
é Vermelho ou
Amarelo
Quase tudo tem seu tom
Roxo
Violeta ou Lilás
Mas não existe no Mundo
nada que seja "Flicts"
- nem a sua solidão -
Flicts nunca teve par
nunca teve um lugarzinho
num espaço bicolor
(e tricolor muito menos
- pois três sempre foi demais)
Não
Não existe no Mundo
nada que seja "Flicts"
Nada
no mundo é "Flicts"
ou pelo menos
quer ser
Mas ninguém sabe a
verdade
(a não ser
os astronautas)
que de perto
de pertinho
a Lua é flicts!
Flicts - Ziraldo
********
À hora de postagem, sempre some uma hora. Leia-se: mais uma noite insône.
********
Não em branco. A menina-Flicts descobriu que existem cores no mundo que se parecem com ela. Não foi preciso ir à lua para achar seus pares. Bastou uma madrugada, um longo bate papo, e a comprovação veio: nós, os Flicts, já estamos na escala Pantone!
********
Flicts é um livro de singular crueldade infantil. Conta a história de uma cor que não se assemelhava a nenhuma outra. Nunca participou das brincadeiras porque nenhuma cor a queria por perto. O azul, o amarelo, o vermelho, todos eles brincavam juntos, se misturavam. Mas não havia espaço para Flicts.
Cor estranha. Não se assemelhava a nenhuma outra, e por isso estava sempre à margem, sempre cultivando um estado de espírito muito condizente com o seu nome estranho. Ímpar em busca do par, Flicts flanou pela vida e pelo mundo atrás de alguma cor que o aceitasse. Sozinho(a), Flicts e ele(a) mesmo(a). Quase, quase conformada com a condição de exilada social, a cor Flicts só foi feliz quando descobriu que não era só. A lua também era flicts.
********
Amarrando com o início, não foi preciso ir à lua.
********
Mas num dia como o de hoje, que mesmo o maior sol no céu seria toldado pelas minhas nuvens — ou pelas minhas lágrimas — fica difícil acreditar que eu não estou só.
Absurdamente só, e uma necessidade quase física de pedir um colo onde a minha cabeça pudesse descansar um pouquinho. Só um pouquinho, só até aliviar um tanto desse peso, um tanto desse latejar surdo, dessa memória recorrente que não vai. Não vai.
segunda-feira, janeiro 13, 2003
Boletim médico
(Do Shaggamedical Center) A paciente de nome Daniela encontra-se em estado crítico. O corpo médico está ministrando com regularidade os seguintes medicamentos:
.email da lista da FACOM
.email da EMTURSA
.email de um site de encontros
.email do Departamento de Comunicação
.email do santo do dia
Nenhum desses paliativos têm surtido efeito na enferma, que está inconsciente, e balbucia palavras desconexas todo o tempo. Vem sendo tentada também a musicoterapia, essa com efeitos um pouco mais pronunciados. A paciente reage muito bem à música Iris, dos Goo Goo Dolls.
Estão sendo feitos todos os esforços no sentido de que a paciente não venha a óbito. Há um empenho de toda a equipe médica para trazer Daniela de volta à consciência, mas ela não atende aos estímulos externos. Foi instalado um terminal de computador ao lado da cama da UTI onde ela se encontra, para que as doses de emails aleatórios sejam ministradas com freqüência.
QUADRO CLÍNICO:
Tremores, delírios, desconexão com a realidade, inapetência (a paciente reagiu bem ao pudim de claras, mas a dieta não é recomendada no caso em estudo), insociabilidade, rabugice (nos raros lapsos de posse das faculdades mentais).
A causa da patologia é desconhecida. Daniela foi encontrada agonizante na frente do computador da sua casa, agarrada ao telefone. Há indícios de crime de omissão. Os investigadores da Shaggadelic Police estão trabalhando no caso.
(Do Shaggamedical Center) A paciente de nome Daniela encontra-se em estado crítico. O corpo médico está ministrando com regularidade os seguintes medicamentos:
.email da lista da FACOM
.email da EMTURSA
.email de um site de encontros
.email do Departamento de Comunicação
.email do santo do dia
Nenhum desses paliativos têm surtido efeito na enferma, que está inconsciente, e balbucia palavras desconexas todo o tempo. Vem sendo tentada também a musicoterapia, essa com efeitos um pouco mais pronunciados. A paciente reage muito bem à música Iris, dos Goo Goo Dolls.
Estão sendo feitos todos os esforços no sentido de que a paciente não venha a óbito. Há um empenho de toda a equipe médica para trazer Daniela de volta à consciência, mas ela não atende aos estímulos externos. Foi instalado um terminal de computador ao lado da cama da UTI onde ela se encontra, para que as doses de emails aleatórios sejam ministradas com freqüência.
QUADRO CLÍNICO:
Tremores, delírios, desconexão com a realidade, inapetência (a paciente reagiu bem ao pudim de claras, mas a dieta não é recomendada no caso em estudo), insociabilidade, rabugice (nos raros lapsos de posse das faculdades mentais).
A causa da patologia é desconhecida. Daniela foi encontrada agonizante na frente do computador da sua casa, agarrada ao telefone. Há indícios de crime de omissão. Os investigadores da Shaggadelic Police estão trabalhando no caso.
Deus só pode estar de brincadeira comigo.
********
A quase-proposta que recebi hoje é quase-indecente. A possibilidade de ganhar uma grana da maneira como poderia ganhar (e excluam a prostituição: com este shape só ia conseguir dois vales-transportes e um chiclete de bola) é, por baixo, sedutora. 30 dias entre céu, e mar, e montanhas.
********
Separado por 8 estrelas, mas quase o mesmo assunto.
A pior reação que eu esperava sobre o assunto "De Volta Pra Casa" era da mamãe.
Esse ser humano me surpreende absurdamente.
— Mãe, eu recebi uma proposta para viajar 30 dias...
— É curriculum? É grana?
— Mãe, 30 dias longe da faculdade seria o golpe de miseicórdia nesse semestre...
— Vai valer a pena?
— (breve silêncio) Vai!
— Então a faculdade pode esperar...
— (SILÊNCIO)
— Mas o problema é que quando você voltar, vai ficar quase sem fazer nada até o próximo semestre. Você fica depriida quando não faz nada...
— Uh... mãe... é... bom...
— Não ouvi nada!
— EU QUERO IR PRA MINHA PASÁRGADA ASSIM QUE VOLTAR!
— Tudo bem...
— Mas mãe, eu preciso voltar pra casa, preciso voltar a me virar soz... COMO É?
— Tudo bem, Dani.
Estou em choque até agora.
********
E o planejamento, até segunda ordem, é:
.se rolar esse trabalho, passo os próximos 30 dias nele.
.volto e passo 5, 7 dias pra organizar minha vida aqui.
.embarco para a minha Pasárgada no final de fevereiro.
Caso paguem muito bem o meu Carnaval, fico aqui até lá, mato essa grana e embarco para a terra do pastel.
********
Planos, claro, passíveis de alterações. E isso pq ainda não pensei nos contras, só nos prós.
.o quesito dinheiro é grave.
.o quesito casa também.
.o quesito faculdade é o de menos, mas é.
.faculdade pública nenhuma vai querer aceitar esta aluna medíocre que vos fala.
.faculdade particular é um tiro na minha terra.
.emprego, meu Bom Jesus dos Navegantes... onde vou achar um que me pague o suficiente para me manter?
.freelancer ou carteira assinada (Rá, como se eu pudesse me dar ao luxo de escolher!)
E mais uma tonelada e meia de questões, ansiedades, angústias... e — como negar? — a sensação do prazer antecipado...
********
PAREM ESTA PORRA QUE EU QUERO DESCER!!!
********
A quase-proposta que recebi hoje é quase-indecente. A possibilidade de ganhar uma grana da maneira como poderia ganhar (e excluam a prostituição: com este shape só ia conseguir dois vales-transportes e um chiclete de bola) é, por baixo, sedutora. 30 dias entre céu, e mar, e montanhas.
********
Separado por 8 estrelas, mas quase o mesmo assunto.
A pior reação que eu esperava sobre o assunto "De Volta Pra Casa" era da mamãe.
Esse ser humano me surpreende absurdamente.
— Mãe, eu recebi uma proposta para viajar 30 dias...
— É curriculum? É grana?
— Mãe, 30 dias longe da faculdade seria o golpe de miseicórdia nesse semestre...
— Vai valer a pena?
— (breve silêncio) Vai!
— Então a faculdade pode esperar...
— (SILÊNCIO)
— Mas o problema é que quando você voltar, vai ficar quase sem fazer nada até o próximo semestre. Você fica depriida quando não faz nada...
— Uh... mãe... é... bom...
— Não ouvi nada!
— EU QUERO IR PRA MINHA PASÁRGADA ASSIM QUE VOLTAR!
— Tudo bem...
— Mas mãe, eu preciso voltar pra casa, preciso voltar a me virar soz... COMO É?
— Tudo bem, Dani.
Estou em choque até agora.
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E o planejamento, até segunda ordem, é:
.se rolar esse trabalho, passo os próximos 30 dias nele.
.volto e passo 5, 7 dias pra organizar minha vida aqui.
.embarco para a minha Pasárgada no final de fevereiro.
Caso paguem muito bem o meu Carnaval, fico aqui até lá, mato essa grana e embarco para a terra do pastel.
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Planos, claro, passíveis de alterações. E isso pq ainda não pensei nos contras, só nos prós.
.o quesito dinheiro é grave.
.o quesito casa também.
.o quesito faculdade é o de menos, mas é.
.faculdade pública nenhuma vai querer aceitar esta aluna medíocre que vos fala.
.faculdade particular é um tiro na minha terra.
.emprego, meu Bom Jesus dos Navegantes... onde vou achar um que me pague o suficiente para me manter?
.freelancer ou carteira assinada (Rá, como se eu pudesse me dar ao luxo de escolher!)
E mais uma tonelada e meia de questões, ansiedades, angústias... e — como negar? — a sensação do prazer antecipado...
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PAREM ESTA PORRA QUE EU QUERO DESCER!!!
domingo, janeiro 12, 2003
Pronto-socorro virtual
Mandado por alguém que parece que lê meus pensamentos, pq o horóscopo veio responder aos meus anseios, às minhas aflições. Obrigada, meu amor, pelo colo virtual...
"A semana para Gêmeos
O encontro de Mercúrio e o Sol no signo de Capricórnio pode fazer você entender o sentido do teste de paciência que o céu anda fazendo com você. ..."
Árvore do Bem - Horóscopo para Gêmeos
********
Pra uma pessoa que não vive sem procurar respostas para os porquês, uma promessa de que vou entender o teste que me vem sendo aplicado é quase como prometerem o paraíso. Que assim vibre!
Mandado por alguém que parece que lê meus pensamentos, pq o horóscopo veio responder aos meus anseios, às minhas aflições. Obrigada, meu amor, pelo colo virtual...
"A semana para Gêmeos
O encontro de Mercúrio e o Sol no signo de Capricórnio pode fazer você entender o sentido do teste de paciência que o céu anda fazendo com você. ..."
Árvore do Bem - Horóscopo para Gêmeos
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Pra uma pessoa que não vive sem procurar respostas para os porquês, uma promessa de que vou entender o teste que me vem sendo aplicado é quase como prometerem o paraíso. Que assim vibre!
Insône. Estúpida insône. Estúpida e insône.
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São 07:05, 10:05 hora Zulu (um dia eu conto essa história da "hora Zulu", mas por enquanto leia-se GMT) e as minhas angústias me expulsaram da cama. Tenho meio maço de cigarros à minha frente, sinal de que a outra metade virou fumaça em algum lugar desta madrugada. Entre cochilos e linhas lidas, meu tormento aparecia como segunda voz da consciência.
Alguém anotou a placa da patrola? Não?
O que sobrou do "atropelamento" emocional desta noite foram alguns músculos doloridos, um cinzeiro abarrotado com restos de cigarros que apontam para mim, como dedos a me acusar do crime que ainda não cometi.
Um longo email-desabafo, um copo de chá gelado, horas de pensamento sem fio de condução, e vejo o sol cumprindo sua função de juiz. Dessa vez, não das atitudes impensadas, mas sim das decisões longamente ponderadas. Para o bem ou para o mal, minha decisão está tomada, e é irrevogável. Irrevogável como são as minhas leis: quem as faz sou eu, quem as quebra sou eu também.
********
Dilema profissional para mascarar a dúvida pessoal. Nem sei mais o que sou, o que quero, o que pode dar certo. Deve ser a lua nova, que faz crescer as marés e as lágrimas dos meus olhos. Lua mexe com as águas.
Acho que estou cortando laços inconscientemente. Estou andando temerariamente por cima da fina camada de gelo-equilíbrio que passei os últimos dois anos construindo. Dane-se se ela quebrar. Estou pronta para o que está por chegar. O que quer que seja.
********
07:27. Apagar o último cigarro da noite, tentar dormir. Fim da transmissão.
********
São 07:05, 10:05 hora Zulu (um dia eu conto essa história da "hora Zulu", mas por enquanto leia-se GMT) e as minhas angústias me expulsaram da cama. Tenho meio maço de cigarros à minha frente, sinal de que a outra metade virou fumaça em algum lugar desta madrugada. Entre cochilos e linhas lidas, meu tormento aparecia como segunda voz da consciência.
Alguém anotou a placa da patrola? Não?
O que sobrou do "atropelamento" emocional desta noite foram alguns músculos doloridos, um cinzeiro abarrotado com restos de cigarros que apontam para mim, como dedos a me acusar do crime que ainda não cometi.
Um longo email-desabafo, um copo de chá gelado, horas de pensamento sem fio de condução, e vejo o sol cumprindo sua função de juiz. Dessa vez, não das atitudes impensadas, mas sim das decisões longamente ponderadas. Para o bem ou para o mal, minha decisão está tomada, e é irrevogável. Irrevogável como são as minhas leis: quem as faz sou eu, quem as quebra sou eu também.
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Dilema profissional para mascarar a dúvida pessoal. Nem sei mais o que sou, o que quero, o que pode dar certo. Deve ser a lua nova, que faz crescer as marés e as lágrimas dos meus olhos. Lua mexe com as águas.
Acho que estou cortando laços inconscientemente. Estou andando temerariamente por cima da fina camada de gelo-equilíbrio que passei os últimos dois anos construindo. Dane-se se ela quebrar. Estou pronta para o que está por chegar. O que quer que seja.
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07:27. Apagar o último cigarro da noite, tentar dormir. Fim da transmissão.
sábado, janeiro 11, 2003
As asas da minha alma têm-me conduzido ao lugar onde mais gostaria de estar.
********
Prazeres e vícios
Cigarros mentolados. Tirinhas do Calvin. Banhos longos, com um bom livro. Livro, aliás. Água quente. Escrever. Pastilhas Garoto. Chiclete de bola. Doces. Coca Light. Fanta Uva. Spiderwebs. Daschunds. Tatuagens. Sims. Sundae de caramelo do Mac Donalds. Desenhos animados antigos. Mochila. Conhaque e Coca Light. "Ela disse adeus" ao vivo. Pizza de presunto, catupiry e alho. Dia nascendo. Vento no rosto. Dose diária de lirismo e carinho que recebo do meu bittersweetclown...
********
Tudo, tudo está me empurrando para fazer o que o meu coração manda. Não sei se me assusto ou se me encanto com a viabilidade dos meus planos.
********
Resolvido: me encanto e me assusto. Eu sou geminiana, eu posso sentir coisas diferentes.
********
Alone in the dark. Again. O que está acontecendo com os outros seres humanos que costumavam interagir comigo?
********
Prazeres e vícios
Cigarros mentolados. Tirinhas do Calvin. Banhos longos, com um bom livro. Livro, aliás. Água quente. Escrever. Pastilhas Garoto. Chiclete de bola. Doces. Coca Light. Fanta Uva. Spiderwebs. Daschunds. Tatuagens. Sims. Sundae de caramelo do Mac Donalds. Desenhos animados antigos. Mochila. Conhaque e Coca Light. "Ela disse adeus" ao vivo. Pizza de presunto, catupiry e alho. Dia nascendo. Vento no rosto. Dose diária de lirismo e carinho que recebo do meu bittersweetclown...
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Tudo, tudo está me empurrando para fazer o que o meu coração manda. Não sei se me assusto ou se me encanto com a viabilidade dos meus planos.
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Resolvido: me encanto e me assusto. Eu sou geminiana, eu posso sentir coisas diferentes.
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Alone in the dark. Again. O que está acontecendo com os outros seres humanos que costumavam interagir comigo?
quinta-feira, janeiro 09, 2003
Os dias têm sido um arremedo de produtividade.
********
Pela primeira vez joguei o assunto "Voltar pra Casa" na mesa do almoço. Meu pai recolheu com o cuidado de um dreamcatcher, e não teceu nenhum comentário desfavorável. Só perguntou como eu ia me manter na minha Pasárgada.
— Vou garimpar alguma coisa, pai, e se conseguir, transfiro a faculdade pra lá.
Ainda não sei se é o o que vou fazer, tampouco sei se é o caminho correto a trilhar. As pessoas estão indo embora. Amigos de quem eu não achava que ia sentir tanta falta, amigos que vão e a gente, insuspeitamente, já tem saudade.
Talvez seja a minha hora de fazer o roteiro inverso. Uns vão embora de casa, outros voltam pra ela. Peixe sonhando com a piracema. Faço parte do grupo das tartarugas que correram mundo, mas que voltam às areias de onde nasceram. "Voltar é uma forma de renascer; ninguém se perde no caminho da volta."
********
Fazendo um email-blog agora de manhã, escrevi o texto abaixo. Gostei, e pedi a autorização do destinatário das palavras, o agora dono do texto, para publicar. Antes da permissão chegar, resolvi postar. Desculpa, meu Clown querido, por esta indiscrição...
"Como abandonei a faculdade nada menos que cinco vezes, nesse semestre a minha matrícula é condicional. Tenho que ir na Secretária de cursos e inventar uma boa desculpa para preencher o formulário de processo e justificativa. O que eu poderia dizer?
JUSTIFICATIVA:
'Prezados senhores:
No mês de agosto do ano que findou-se há exatos nove dias fui abduzida. Levada por uma civilização superior chamada Yargo, passei nove luas por lá, mas não a lua daqui. A lua de Yargo. Fui estudada, fizeram uma operação onde foi-me retirado o apêndice para fins cientificos, mas aproveitei a estada e estudei bastante a civilização deles.
OBSERVAÇÕES:
Poderia eu converter as nove luas yargonianas em tempo de curso de extensão, atividade esta obrigatória para a conclusão do meu curso? Caso não seja possível, posso aproveitar as horas passadas em estudos no outro planeta para o meu currículum terrestre? Pouca diferença faz: eu não entendia nada do eles diziam, mas também não entendo nada do que dizem aqui.' "
********
Pela primeira vez joguei o assunto "Voltar pra Casa" na mesa do almoço. Meu pai recolheu com o cuidado de um dreamcatcher, e não teceu nenhum comentário desfavorável. Só perguntou como eu ia me manter na minha Pasárgada.
— Vou garimpar alguma coisa, pai, e se conseguir, transfiro a faculdade pra lá.
Ainda não sei se é o o que vou fazer, tampouco sei se é o caminho correto a trilhar. As pessoas estão indo embora. Amigos de quem eu não achava que ia sentir tanta falta, amigos que vão e a gente, insuspeitamente, já tem saudade.
Talvez seja a minha hora de fazer o roteiro inverso. Uns vão embora de casa, outros voltam pra ela. Peixe sonhando com a piracema. Faço parte do grupo das tartarugas que correram mundo, mas que voltam às areias de onde nasceram. "Voltar é uma forma de renascer; ninguém se perde no caminho da volta."
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Fazendo um email-blog agora de manhã, escrevi o texto abaixo. Gostei, e pedi a autorização do destinatário das palavras, o agora dono do texto, para publicar. Antes da permissão chegar, resolvi postar. Desculpa, meu Clown querido, por esta indiscrição...
"Como abandonei a faculdade nada menos que cinco vezes, nesse semestre a minha matrícula é condicional. Tenho que ir na Secretária de cursos e inventar uma boa desculpa para preencher o formulário de processo e justificativa. O que eu poderia dizer?
JUSTIFICATIVA:
'Prezados senhores:
No mês de agosto do ano que findou-se há exatos nove dias fui abduzida. Levada por uma civilização superior chamada Yargo, passei nove luas por lá, mas não a lua daqui. A lua de Yargo. Fui estudada, fizeram uma operação onde foi-me retirado o apêndice para fins cientificos, mas aproveitei a estada e estudei bastante a civilização deles.
OBSERVAÇÕES:
Poderia eu converter as nove luas yargonianas em tempo de curso de extensão, atividade esta obrigatória para a conclusão do meu curso? Caso não seja possível, posso aproveitar as horas passadas em estudos no outro planeta para o meu currículum terrestre? Pouca diferença faz: eu não entendia nada do eles diziam, mas também não entendo nada do que dizem aqui.' "
terça-feira, janeiro 07, 2003
Enquanto eu tiver uma caixa de soníferos, perder uma tarde inteira dormindo não me assusta.
********
O coração mandou, e eu atendi. Mandou que eu fizesse meu habitual papel de palhaça, expondo minha vida ao ridículo para mim mesma. Rabisquei uma boca vermelha no rosto, arremedo de sorriso, incapaz que fui de rir da minha própria piada.
Com o "Lightining for Television and Motion Pictures", livro que tem me acompanhado há uns dias, fui pro playground do prédio. Queria sentir se os efeitos que o sol exerceu sobre mim ontem seriam repetidos hoje.
Pés descalços, para nunca perder a conexão com a terra; olhos nus, para verem e serem vistos sem a máscara confortável dos óculos escuros; coração num ritmo incerto, sem saber exatamente o que queria.
Mar azul, azul na minha frente, meio mexido, e um pensamento: "Tomara que ele não tenha saído pra nadar com o mar revoltado hoje." Coração impreciso no querer, que mandou que eu fosse tentar a sorte enquanto esperava sinceramente que ele não tivesse saído pra tostar o corpo ao sol.
Segundo minha amiga de óculos, melhor que tivesse sido assim. Melhor que eu tenha recebido uma amostra do meu presente na lua nova, porque na crescente é que as coisas vão mudar. Sábia, sábia amiga, que tem certeza de que o meu homem ideal não faz parte de nenhuma lista de "Os melhores homens do passado". Sei lá, sei lá, vou deixar pra Deus a tarefa de traçar o meu caminho.
Fui sabotada pelo meu próprio coração. Bittersweet clown. Mas foi melhor assim. Preferi perder hoje que perder de vez para a Mãe Maior, para a dona das águas.
********
Meu doce Clown, quer dizer que era você ao telefone? Desculpa, se eu soubesse, minhas horas de sono vazio, sem sonhos, teriam sido preenchidas por alguns momentos de vontade saciada.
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O coração mandou, e eu atendi. Mandou que eu fizesse meu habitual papel de palhaça, expondo minha vida ao ridículo para mim mesma. Rabisquei uma boca vermelha no rosto, arremedo de sorriso, incapaz que fui de rir da minha própria piada.
Com o "Lightining for Television and Motion Pictures", livro que tem me acompanhado há uns dias, fui pro playground do prédio. Queria sentir se os efeitos que o sol exerceu sobre mim ontem seriam repetidos hoje.
Pés descalços, para nunca perder a conexão com a terra; olhos nus, para verem e serem vistos sem a máscara confortável dos óculos escuros; coração num ritmo incerto, sem saber exatamente o que queria.
Mar azul, azul na minha frente, meio mexido, e um pensamento: "Tomara que ele não tenha saído pra nadar com o mar revoltado hoje." Coração impreciso no querer, que mandou que eu fosse tentar a sorte enquanto esperava sinceramente que ele não tivesse saído pra tostar o corpo ao sol.
Segundo minha amiga de óculos, melhor que tivesse sido assim. Melhor que eu tenha recebido uma amostra do meu presente na lua nova, porque na crescente é que as coisas vão mudar. Sábia, sábia amiga, que tem certeza de que o meu homem ideal não faz parte de nenhuma lista de "Os melhores homens do passado". Sei lá, sei lá, vou deixar pra Deus a tarefa de traçar o meu caminho.
Fui sabotada pelo meu próprio coração. Bittersweet clown. Mas foi melhor assim. Preferi perder hoje que perder de vez para a Mãe Maior, para a dona das águas.
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Meu doce Clown, quer dizer que era você ao telefone? Desculpa, se eu soubesse, minhas horas de sono vazio, sem sonhos, teriam sido preenchidas por alguns momentos de vontade saciada.
domingo, janeiro 05, 2003
O vício por Sims continua, o que é uma boa coisa pra quem anda meio imprópria para o consumo humano. Acho que os meus amigos perceberam, e tenho sido esquecida com uma certa freqüência (e Zeba, se vc ainda lê isso aqui, não, não é geminianismo). Sem ressentimentos, entressafra de Daniela.
Leio, durmo, jogo e falo no telefone. Como alguma coisinha (YES!!! Estou me relacionando com a comida como uma pessoa normal!!), trafego pela casa, leio, durmo, jogo.
Sinto falta de quem eu sou quando estou em atividade. Um dos males de ser freelancer é esse: os contratantes tiram o couro num determinado período, a gente sonha com cama 24 horas por dia, encostar em qualquer lugar dá sono e almoçar é proibido — a produtividade cai pra perto de zero. Aí vem o final do evento/vídeo/show, e são dois dias dormindo e farreando indiscriminadamente. A partir daí é uma rotina terrível. Volto pra faculdade amanhã, mas mesmo assim não tenho porra nenhuma urgente para fazer. E eu AMO trabalhar sob pressão. Meus melhores textos foram feitos a toque de caixa, minhas soluções mais brilhantes vêm quando peço: " Você me dá 5 minutos?"
O resultado é que não consigo ter ânimo para nada: nem as atividades que eu tenho obrigação, nem as lúdicas. Não crio um roteiro, um conto, as crônicas que saem são essas que vcs lêem aqui...
O lado bom de ser freelancer é que as segundas-feiras são meus dias preferidos para a farra. Farra... humpf... Nada de música alta, nada de bebidas — uh... a segunda passada foi um deslize... —, nada de bares da moda. Outra coisa genial para quem não tem emprego fixo é que eu posso escolher o que vou fazer. Instituo feriados para mim, aceito trabalhos que pagam pouco — pq me apaixonei pelo projeto —, abro mão de trabalhos que pagam melhor — pq não tenho a menor simpatia pela equipe. Trabalho de graça se é por amor, cobro alto se não gosto do evento.
Cada trabalho envolve uma equipe diferente, equipe pela qual posso me apaixonar ou criar uma relação de ódio. Encontro diversas pessoas que já trabalharam comigo em outros eventos, conheço gente nova dia-a-dia, incremento o meu network. Ganho e perco amigos, ganho e perco namorados, conquisto respeito e admiração, faço rivais.
E me dou férias quando bem entendo. Carnaval, para mim, se for pago o meu peso em ouro — e acreditem: é coisa pra caramba! —, ou me deixarem trabalhar com a minha equipe preferida. Fora isso, estou zarpando para a minha Pasárgada. Pousar finalmente os olhos na minha irmã querida, no meu clown preferido, rodar sem destino, sentindo cheiro de concreto, fumaça e pastéis de feira. Voltar pra casa, e decidir o que é que eu vou fazer da minha vida daqui pra frente.
Posso ficar em Salvador, terminar a faculdade e trazer mais tarde à pauta o assunto "E agora?". Posso voltar pra casa de vez, transferir o curso pra lá, me virar pra pagar, continuar freelancer e fazer toneladas de cursos de edição, direção de fotografia... Posso ir pro Rio, adotar a casa da vovó por um ou dois meses, transferir o curso pra lá, me virar pra pagar, continuar freelancer e fazer toneladas de direção de fotografia, roteiros...
Ou posso largar tudo e ir pra Australia; ou posso prestar vestibular para Ciência da Computação, ou posso ir de vez pra Itália, ou pra Áustria, ou pra o Egito, ou pra Yargo. Possibilidades infinitas, coragem escondida atrás da comodidade. E da saudade antecipada dos que ficarão por aqui.
Leio, durmo, jogo e falo no telefone. Como alguma coisinha (YES!!! Estou me relacionando com a comida como uma pessoa normal!!), trafego pela casa, leio, durmo, jogo.
Sinto falta de quem eu sou quando estou em atividade. Um dos males de ser freelancer é esse: os contratantes tiram o couro num determinado período, a gente sonha com cama 24 horas por dia, encostar em qualquer lugar dá sono e almoçar é proibido — a produtividade cai pra perto de zero. Aí vem o final do evento/vídeo/show, e são dois dias dormindo e farreando indiscriminadamente. A partir daí é uma rotina terrível. Volto pra faculdade amanhã, mas mesmo assim não tenho porra nenhuma urgente para fazer. E eu AMO trabalhar sob pressão. Meus melhores textos foram feitos a toque de caixa, minhas soluções mais brilhantes vêm quando peço: " Você me dá 5 minutos?"
O resultado é que não consigo ter ânimo para nada: nem as atividades que eu tenho obrigação, nem as lúdicas. Não crio um roteiro, um conto, as crônicas que saem são essas que vcs lêem aqui...
O lado bom de ser freelancer é que as segundas-feiras são meus dias preferidos para a farra. Farra... humpf... Nada de música alta, nada de bebidas — uh... a segunda passada foi um deslize... —, nada de bares da moda. Outra coisa genial para quem não tem emprego fixo é que eu posso escolher o que vou fazer. Instituo feriados para mim, aceito trabalhos que pagam pouco — pq me apaixonei pelo projeto —, abro mão de trabalhos que pagam melhor — pq não tenho a menor simpatia pela equipe. Trabalho de graça se é por amor, cobro alto se não gosto do evento.
Cada trabalho envolve uma equipe diferente, equipe pela qual posso me apaixonar ou criar uma relação de ódio. Encontro diversas pessoas que já trabalharam comigo em outros eventos, conheço gente nova dia-a-dia, incremento o meu network. Ganho e perco amigos, ganho e perco namorados, conquisto respeito e admiração, faço rivais.
E me dou férias quando bem entendo. Carnaval, para mim, se for pago o meu peso em ouro — e acreditem: é coisa pra caramba! —, ou me deixarem trabalhar com a minha equipe preferida. Fora isso, estou zarpando para a minha Pasárgada. Pousar finalmente os olhos na minha irmã querida, no meu clown preferido, rodar sem destino, sentindo cheiro de concreto, fumaça e pastéis de feira. Voltar pra casa, e decidir o que é que eu vou fazer da minha vida daqui pra frente.
Posso ficar em Salvador, terminar a faculdade e trazer mais tarde à pauta o assunto "E agora?". Posso voltar pra casa de vez, transferir o curso pra lá, me virar pra pagar, continuar freelancer e fazer toneladas de cursos de edição, direção de fotografia... Posso ir pro Rio, adotar a casa da vovó por um ou dois meses, transferir o curso pra lá, me virar pra pagar, continuar freelancer e fazer toneladas de direção de fotografia, roteiros...
Ou posso largar tudo e ir pra Australia; ou posso prestar vestibular para Ciência da Computação, ou posso ir de vez pra Itália, ou pra Áustria, ou pra o Egito, ou pra Yargo. Possibilidades infinitas, coragem escondida atrás da comodidade. E da saudade antecipada dos que ficarão por aqui.
sexta-feira, janeiro 03, 2003
Se um dia te oferecerem The Sims, FUJA! Sua primeira noite após Sims será de sonhos estranhos, e você acordará suando, com medo de não ter despertado o avatar de nome "Frank" para o trabalho. E nas suas contas, seria esse o segundo dia de trabalho perdido dele. Imagens confusas de uma mansão megalomaníaca vão povoar os seus pesadelos, sempre mescladas com a sensação de que há um incêndio na cozinha, de que você não teve diversão suficiente, que não foi ao banheiro quantas vezes foram necessárias, de que não tomou banho na hora em que devia.
Se por acaso você não resistir, NUNCA, NUNCA coloque sua amiga na mesma casa que os seus paqueras da vida real. Quando você começa a ver o M. dando em cima — dando em cima, não, "interagindo" — da C., o sangue ferve, os olhos só enxergam em vermelho. O seu passado negro com o M. voltará, e aí, forte amigo Leitor Fiel, só tratamento de choque e lítio.
Se você realmente quiser jogar, reserve uma noite inteira para o primeiro dia, um maço de cigarros extra, se fumante for, e faça como eu: divirta-se!
********
Regime, OK. Mas, caramba, quem consegue lutar contra a Cabocla Formiga, que veio sem avisar? Culpa alguma tenho se a minha casa parece um buffet de doces! E juro que nem é resolução para o Ano Novo gregoriano. Vou deixar as inovações para o Ano Novo Daniélico.
********
Rá! Segunda-feira chegando e eu vou tentar voltar pra faculdade. Aulas de coral universitário, Impressos 1 e 2, Temas de Televisão... Por que raios eu não fiz Direito? Estaria formada, já, ganhando dinheiro, andando de tailler pink, espirrando absurdamente por causa dos processos empoeirados.
Mas não! Me encantei com o Maravilhoso Mundo da Televisão, e mais recentemente, Freelancer e seus Encantos. Por que não, deuses, um emprego estável, de nove ás cinco, grana garantida no final do mês, rotina confortável?
Sabe-se lá...
********
Banho, casa do Ernesto, filme. A vida não podia ser pra sempre essa vagabundagem? Aliás, vagabundagem, não: ÓCIO CRIATIVO!
Se por acaso você não resistir, NUNCA, NUNCA coloque sua amiga na mesma casa que os seus paqueras da vida real. Quando você começa a ver o M. dando em cima — dando em cima, não, "interagindo" — da C., o sangue ferve, os olhos só enxergam em vermelho. O seu passado negro com o M. voltará, e aí, forte amigo Leitor Fiel, só tratamento de choque e lítio.
Se você realmente quiser jogar, reserve uma noite inteira para o primeiro dia, um maço de cigarros extra, se fumante for, e faça como eu: divirta-se!
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Regime, OK. Mas, caramba, quem consegue lutar contra a Cabocla Formiga, que veio sem avisar? Culpa alguma tenho se a minha casa parece um buffet de doces! E juro que nem é resolução para o Ano Novo gregoriano. Vou deixar as inovações para o Ano Novo Daniélico.
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Rá! Segunda-feira chegando e eu vou tentar voltar pra faculdade. Aulas de coral universitário, Impressos 1 e 2, Temas de Televisão... Por que raios eu não fiz Direito? Estaria formada, já, ganhando dinheiro, andando de tailler pink, espirrando absurdamente por causa dos processos empoeirados.
Mas não! Me encantei com o Maravilhoso Mundo da Televisão, e mais recentemente, Freelancer e seus Encantos. Por que não, deuses, um emprego estável, de nove ás cinco, grana garantida no final do mês, rotina confortável?
Sabe-se lá...
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Banho, casa do Ernesto, filme. A vida não podia ser pra sempre essa vagabundagem? Aliás, vagabundagem, não: ÓCIO CRIATIVO!
quinta-feira, janeiro 02, 2003
Passar o Reveillon de branco é prenúncio de paz. De cor de rosa, é a garantia de um ano com muito amor; de amarelo, dinheiro. Em nenhum almanaque de simpatias para a virada do ano, entretanto, eu encontrei o significado de passar sem roupa.
E nem pensem em pornografias: tomei banho, me enrolei na toalha, deitei na cama e dormi até 23:59. Acordei com a movimentação dos indóceis familiares esperando para deixar o ano velho pra trás, e tudo o que eu queria era dormir só mais um pouquinho, cinco minutos e já estou levantando.
E com o Ano Novo dos outros, porque o meu Reveillon é só no dia 15 de junho, recomeça a Maratona Cartoon de Aniversários Estranhos. Dia primeiro de janeiro, atrapalhando o Reveillon no clube chique que a minha avó tinha preparado, nasce minha mãe. Numa conjunção celeste que deve ser no mínimo uma piada, meu pai faz aniversário no dia 2. De janeiro.
Não posso falar nada. Mais senso de humor tiveram os astros do mês de junho: eu no dia 16; Miriam Lane, minha irmã, no dia 17 e Algas, a outra irmã, no dia 25. E ainda tem mais uma tonelada e meia de aniversariantes significativos, outros nem tanto, que só servem mesmo para fazer um número expressivo na nação castorpoluxiana.
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Policamente incorreta, sim, e daí?
Sim, eu gosto de "Complicated", da Avril Lavigne. Sim, eu leio e adoro Júlia, Sabrina e Bianca. Não, não leio só isso, claro. Leio Sidney Sheldon e Danielle Steel também. E por falar em Sidney, gosto do Magal e do Omarr também. Toco air drumm. Adoro a Rede Globo. Adoro o Pequeno Príncipe. Não vejo graça no Thiago Lacerda, e arrasto um bonde pelo Jean Reno. Acho Caetano um porre, não gosto de dance music. Fumo desesperadamente. Sou a encarnação da Messalina em vida. Estou proibida pela liga da TFP de beber um coquetel explosivo de vodka e martini. Detesto peixe, só como frangos que não têm a menor semelhança com os frangos vivos (uh... NUGGETS!!), acho que chuchu é um erro, a começar pela grafia confusa. O diabo aprendeu a fazer o inferno em Jequié, Aracaju não é uma capital, é uma piada de mau-gosto. Tenho boca suja, mastigo "chicletes nervosos" o dia inteiro, sou ácida, irônica e dificilmente alguém que não seja escorpiano vai me vencer numa discussão. Adoro blockbusters, acho que o manifesto Dogma é uma grande bobagem, não vi Pulp Fiction, Matrix, nem Titanic. Choro de rir com Hot Shots, adoro filme de pancadaria, fogo e tiros; posso citar uns três diretores de fotografia absolutamente desconhecidos só pelo prazer de ver a audiência com cara de intelectual ofendido.
E se você gosta de mim desse jeito mesmo, obrigada! Eu sou isso tudo aí em cima, e mais uma lista completa de defeitos. Mas tenha certeza de que eu não sou escrota, não sou desleal, não sou sacana nem desagregadora. Sou justa algumas vezes, permissiva em outras, mas lúcida. Acima de tudo, lúcida no que tange o mundo fora da minha ilha.
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Já devo ter visto "The Big Blue" umas 13 vezes nos últimos 7 dias. Meu presente de Natal. Sou completamente apaixonada pelo personagem do Jean Reno, o Enzo Molinari, apesar do Jean-Marc Barr, que vive o Jacques Mayol, estar entre os 5 homens mais bonitos do mundo na minha lista.
I think now, looking back... Big Blue foi o divisor de águas da minha vida. Como Star Wars, Grease, Casablanca e Citizen Kane mudaram a vida de muita gente, "Imensidão Azul" faz parte da minha formação juvenil. Depois de quase dez anos, eu revi o filme no dia em que ganhei. Descobri que os últimos anos foram dedicados ao exercício de produzir clichês do filme. De expressões do vocabulário até os tênis Adidas, passando pela paixão pelo silêncio, pelo amor ao mergulho, pelo fascínio que o Mediterrâneo exerce sobre mim. Revi o filme e reencontrei locações de contos antigos que escrevi, trechos da fotografia do filme que inspiraram algumas das melhores direções que já fiz. Ângulos, cortes, seqüências...
"Le Grand Bleau" trata, antes de tudo, de solidão. Mais um clichê que eu importei da arte? Ou uma mera identificação entre os iguais?
E nem pensem em pornografias: tomei banho, me enrolei na toalha, deitei na cama e dormi até 23:59. Acordei com a movimentação dos indóceis familiares esperando para deixar o ano velho pra trás, e tudo o que eu queria era dormir só mais um pouquinho, cinco minutos e já estou levantando.
E com o Ano Novo dos outros, porque o meu Reveillon é só no dia 15 de junho, recomeça a Maratona Cartoon de Aniversários Estranhos. Dia primeiro de janeiro, atrapalhando o Reveillon no clube chique que a minha avó tinha preparado, nasce minha mãe. Numa conjunção celeste que deve ser no mínimo uma piada, meu pai faz aniversário no dia 2. De janeiro.
Não posso falar nada. Mais senso de humor tiveram os astros do mês de junho: eu no dia 16; Miriam Lane, minha irmã, no dia 17 e Algas, a outra irmã, no dia 25. E ainda tem mais uma tonelada e meia de aniversariantes significativos, outros nem tanto, que só servem mesmo para fazer um número expressivo na nação castorpoluxiana.
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Policamente incorreta, sim, e daí?
Sim, eu gosto de "Complicated", da Avril Lavigne. Sim, eu leio e adoro Júlia, Sabrina e Bianca. Não, não leio só isso, claro. Leio Sidney Sheldon e Danielle Steel também. E por falar em Sidney, gosto do Magal e do Omarr também. Toco air drumm. Adoro a Rede Globo. Adoro o Pequeno Príncipe. Não vejo graça no Thiago Lacerda, e arrasto um bonde pelo Jean Reno. Acho Caetano um porre, não gosto de dance music. Fumo desesperadamente. Sou a encarnação da Messalina em vida. Estou proibida pela liga da TFP de beber um coquetel explosivo de vodka e martini. Detesto peixe, só como frangos que não têm a menor semelhança com os frangos vivos (uh... NUGGETS!!), acho que chuchu é um erro, a começar pela grafia confusa. O diabo aprendeu a fazer o inferno em Jequié, Aracaju não é uma capital, é uma piada de mau-gosto. Tenho boca suja, mastigo "chicletes nervosos" o dia inteiro, sou ácida, irônica e dificilmente alguém que não seja escorpiano vai me vencer numa discussão. Adoro blockbusters, acho que o manifesto Dogma é uma grande bobagem, não vi Pulp Fiction, Matrix, nem Titanic. Choro de rir com Hot Shots, adoro filme de pancadaria, fogo e tiros; posso citar uns três diretores de fotografia absolutamente desconhecidos só pelo prazer de ver a audiência com cara de intelectual ofendido.
E se você gosta de mim desse jeito mesmo, obrigada! Eu sou isso tudo aí em cima, e mais uma lista completa de defeitos. Mas tenha certeza de que eu não sou escrota, não sou desleal, não sou sacana nem desagregadora. Sou justa algumas vezes, permissiva em outras, mas lúcida. Acima de tudo, lúcida no que tange o mundo fora da minha ilha.
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Já devo ter visto "The Big Blue" umas 13 vezes nos últimos 7 dias. Meu presente de Natal. Sou completamente apaixonada pelo personagem do Jean Reno, o Enzo Molinari, apesar do Jean-Marc Barr, que vive o Jacques Mayol, estar entre os 5 homens mais bonitos do mundo na minha lista.
I think now, looking back... Big Blue foi o divisor de águas da minha vida. Como Star Wars, Grease, Casablanca e Citizen Kane mudaram a vida de muita gente, "Imensidão Azul" faz parte da minha formação juvenil. Depois de quase dez anos, eu revi o filme no dia em que ganhei. Descobri que os últimos anos foram dedicados ao exercício de produzir clichês do filme. De expressões do vocabulário até os tênis Adidas, passando pela paixão pelo silêncio, pelo amor ao mergulho, pelo fascínio que o Mediterrâneo exerce sobre mim. Revi o filme e reencontrei locações de contos antigos que escrevi, trechos da fotografia do filme que inspiraram algumas das melhores direções que já fiz. Ângulos, cortes, seqüências...
"Le Grand Bleau" trata, antes de tudo, de solidão. Mais um clichê que eu importei da arte? Ou uma mera identificação entre os iguais?
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