sexta-feira, fevereiro 19, 2010

AMOR

E é por isso que eu não consigo alimentar mágoas. É por isso que meu coração sempre tem o perdão como palavra-chave, apesar de tudo. Por isso é que eu não consigo pertencer a mais ninguém, que não a ele. Por isso que o nome dele frequenta minhas orações diárias. Por isso que eu transbordo de alegria a cada vez que nos falamos, a cada vez que eu o vejo, a cada vez em que posso passar meus braços por ele e saber que está tudo bem.

Mas pelo mesmo motivo, eu não tenho mais nada a oferecer a ele. Nada, que não um dia perdido aqui, outro acolá, um final de semana, sei lá. Porque eu sei que nosso amor não merece uma barreira chamada namoro, ou casamento. Nenhum dos dois aguentaria. Eu tenho certeza de mim, e quase certeza sobre ele. Não aguentaria as limitações de dar satisfações sobre a minha vida, nem de cobrar satisfações dele. Não que eu guarde os segredos do Santo Graal, ou que tenhamos, ele ou eu, vidas compatíveis com Messalina e Calígula. Falo por mim, mas novamente creio que não é o caso dele.

Normais, dois solteiros normais, cedendo eventualmente a um estímulo externo, volta e meia tentando apostar numa paixão que não vinga. Pela última (deliciosa) conversa, não tem vingado. Se tivesse, não nos amaríamos tanto.

É uma ciranda de Fal, Gabriel, Dal, Guillermo, Bel, Daniel. É um grande circular de pessoas que, no final de tudo, não nos suprem as necessidades de cumplicidade, de ser o melhor amigo um do outro, de abraços que "still fits" (que foi o que disse a ele ontem, no último abraço).

Ele foi comigo uma pessoa melhor. Não fosse só entrar e sair, enfim, com a mesma dignidade, o trazer da correspondência, o dinheiro da empregada, o relógio que já era meu, os verbos, os pronomes, os sujeitos. Substantivos, artigos de luxo. Eu acho que tenho tentado ser uma pessoa melhor. O que acalma o meu coração é saber que a gente ainda se ama muito. Tenho isso por escrito.

Cá do meu jeito, tenho sido feliz. Se tento um novo formato de felicidade, estou ocupada, e isso supre a falta que ele me faz no cotidiano. E a cada encontro bissexto, uma atualização sobre invasões de domicílio, trabalhos, machucados no joelho, roubos de câmera, mais trabalhos, geladeiras, carinhos, tapetes, filhos e sentimentos.

Nunca como havia sido.

Talvez... Melhor.

É isso. Tem sido melhor.

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