segunda-feira, novembro 11, 2002

E a o Instituto Daniela de Previsões Tarológicas e Meteorologia deu mais uma dentro: que céu de brigadeiro hoje, hein, caros associados da Oxiúros Filmes?

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O dragão acordou. Não, não terminei o processo de engorda e finalmente me tornei um ser repulsivo(pelo contrário, nesta semana consegui localizar a minha cintura de novo. Nada estrondoso, mas já estamos fazendo contato novamente. YES!!). O meu dragão, dormindo há tempos, resolveu que é hora de esticar as asas e partir em novos vôos. O ponto de partida foi identificar que futuro eu quero.

Adoro, adoro, adoro produção. Adoro saber que resolvo problemas aparentemente sem salvação em tempo recorde. Adoro saber que a minha agenda de telefones tem prestadores de serviço das áreas mais loucas. Adoro a maneira como a arte de matar um leão por hora se transformou num trunfo. Mas a direção de fotografia...

É o meu caso mais louco de amor. Sempre tive um olhar mais apaixonado para os jogos de sombra e luz, para a maneira como a temperatura da câmera pode salvar ou cagar uma matéria, como o posicionamento do silver light interfere na mensagem que se quer passar.

Ando lendo muita coisa sobre isso, e pode ser uma das direções que a minha vida pode tomar.

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Um outro rumo é assumir que escrever pode dar certo e investir nos roteiros. Ando vasculhando atrás de informações sobre a Oficina de Roteiristas da Globo, ando procurando material sobre roteiro para cinema. Tenho treinado bastante com roteiros a decupar, roteiros a escrever, material publicitário. Fiz um puta roteiro de institucional pra uma fábrica de automóveis que foi aprovado sem canetadas. E eu NUNCA tinha feito um institucional...

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Ou posso me reapaixonar por produção e viver feliz pra sempre.

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Com exceção do clip de DTEN, terminamos o curta no final de semana. Hoje me aparece um nobre membro da equipe dizendo que tinha uma silver light. 1000 watts!!! Uma "marmitinha", linda, novinha. Não teve nem a emoção de dar problemas como ontem.

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Bacana, mesmo, foi chegar em casa com as asinhas de anjinha que a Dirart esculpiu. Sim, pq o trabalho da Carol foi inspirado pelos próprios anjos. Meticuloso, cuidadoso, caprichoso, bem feito.

E olha que curioso: no dia em que ganho minhas asinhas, o meu dragão de fogo resolve fazer uso das dele...

Passei pela porta num orgulho infantil das minhas finalmente conquistadas asas. Win Wenders podia ter-me descoberto antes...

Anjinha de asas com penas brancas, entremeadas de pink. E gotas de luxo caíram do céu!

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Pronto, desceu a Cabocla Mireille Nattally, drag queen do balacobaco que desencarnou de alegria num banho de champagne.
As vezes até eu me assusto com as minhas atrocidades...

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E a minha noite terminou da maneira como deve ser: sentada na cozinha, Hollywood Green do lado, um copo d'água bem gelado... e o Homem MUITO Querido do outro lado da linha... Sempre, sempre me fazendo a cabeça girar, sempre me presenteando com indagações que há muito não faço, sempre... sempre me fazendo sentir tão bem, embora confusa...

E hoje ainda "ganhei" um hexagrama do I Ching... Que só comprovou tudo o que ELE me havia dito na última conversa.

Obrigada, meu amor, pelas horas mágicas...

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Gotas de luxo caíram do céu???

Rá! Eu devo ter surtado!

domingo, novembro 10, 2002

Essa música era pra ser postada ontem. Tive o meu primeiro sonho premonitório. E não foi bom. Não foi bom porque contrariava o que eu queria. O que eu estava vivendo. O que eu esperava. Mas não contei pra ninguém. Nem o sonho ruim, nem a concretização.



Poema
Ney Matogrosso

Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de chôro
Desculpa para um abraço ou consolo


Hoje eu acordei com medo, mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim (que não tem fim)
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito
Porque é iluminado
pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás.
Como é trabalhoso manter as convicções quando falta chá gelado nas máquinas de refrigerantes...

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Coisas que gosto sem razão:

.Penhasco que terminam no mar
.Raio riscando o céu
.Barulho de jatos levantando vôo
.Me perder viajando de carro
.Singelos cemitérios do interior
.A luz do sol no asfalto logo depois que o sol nasce
.Luz vermelha de poste no asfalto depois que chove
.Gravações diferentes da mesma música
.Voltar da praia depois das quatro da tarde ouvindo Midnight Oil
.Cais da Praça Mauá
.A temperatura interna do caminhão de externas
.A confiança de uma criança em dormir no meu colo
.Achar flor na calçada (achei uma ontem, solta, de cabeça pra baixo. Branquinha, com o miolo pink. Guardei no meu livro)
.Credencial de show
.Sax Barítono
.Elis Regina chorando em "Atrás da Porta"
.Navios de guerra entrando na baía antes das seis da manhã
.Mergulhar e só ouvir o silêncio da água
.Blues só com voz e gaita
.Bastidores de gravação
.A maneira como as gotas d'água se organizam depois da chuva nas folhas do pé de mamão
.Olhar de vaca

== Post para a noite de 09 de novembro de 2002: C E N S U R A D O ==

Ontem eu cerceei a liberdade da minha imprensa. O subtítulo deste blog é "Fazedora da própria imprensa". Sendo a imprensa minha, censurei um post. Escrevi, escrevi, escrevi. Passei quase uma hora entre a televisão, o jantar (pfffff, que piada! Como é que um ser humano quase irracional de cansaço pensa em cozinhar antes de dormir? Claro que o prato quente da ceia foi miojo com salsicha, ketchup e batata palha por cima...) e o blog.

Texto sentimental. Mas me expus demais. Meu coração estava à mostra, pedaço sangrento que insistiu em se deixar enxergar... Mas passou ("agora já passou, mas foi tão triste que eu não quero nem lembrar. Vem pra mim, e não vai mais, me abraça, me abraça, me abraça por tudo que for"... Lobão... Não resisti... ) e hoje sou eu de novo.

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Foram gravadas as primeiras cenas de "Deu$ também é neoliberal" ontem. A falta que uma mala Arri me faz... Se eu quero ser diretora de fotografia, e ainda faltam um 300 anos estudando com afinco, preciso de pelo menos uma lampadinha de 300 watts.

Na verdade, o acervo familiar tinha uma photoflood, mas a descobrimos quebrada ontem. Como já estava atrasada até a medula, deixei pro meu pai a árdua tarefa de enterrá-la. Sim, porque qualquer um ou qualquer coisa que tenha uma folha de quase 30 anos de serviços bem prestados merece um enterro digno. Mesmo que seja uma lâmpada. Nada, porém, me demove da idéia de que o papai, aquele bruto, só juntou os cacos-restos e despejou lata de lixo abaixo.

Enfim, como diria o saboroso Ricardo Bittencourt, vamos gravar. Cheguei em casa quase sem noção da vida, e ainda saí com o meu pai. 20 livros, 15 livrinhos de seleções e uma ida ao supermercado depois (dia de compras... Livros, pão integral, CHÁ!!!!!!), eu queria cair na cama e dormir por dois dias seguidos. Banho, cama.

Consegui? Quem disse? Sono leve, de quem está com a cabeça a milhão. Noite quase insône, e lá pelas duas da manhã, meio sonolenta, ouço o bip do meu celular. Mensagem de texto, FELIPE!!! "Tá acordada? Me liga?". Liguei. Mais uns minutinhos de presente na madrugada.

Houve um tempo em que o Felipe fazia isso com certa freqüência. Ligava na hora em que dava vontade, e eu sempre adorei, mesmo que estivesse dormindo. Adoro a idéia de ser lembrada de um modo tão carinhoso que os pudores de ligar na madrugada ficam pra trás.

Tenho um bom amigo, o John, que faz isso com uma das suas amigas, mais próxima que eu. Cada vez que lembra dela, e isso pode ser várias vezes por dia, ele saca o celular e dá um único toque para o dela. Fica lá, registrado junto com o número, a prova de que ele sentiu saudades.

E eu senti saudades, também. Senti saudades de ser lembrada com carinho a hora que fosse.

sexta-feira, novembro 08, 2002

Há uma certa tristeza em aeroportos. Adoro — com uma intensidade que não se mensura — o barulho dos jatos. Adoro a possibilidade de estar um dia num lugar, outro dia no outro lado do mundo.

Queria ser piloto de avião. Nunca enxerguei bem para isso, e não, não posso fazer a cirurgia corretiva. Tenho ceratocone, que é um afunilamento da córnea, e isso impede qualquer intervenção.

Mas há um quê de triste nas pessoas chegando sozinhas no aeroporto com suas malas, estacionando os seus carros sozinhas, sem um abraço no portão de embarque.

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Não sei há realmente algo de tristonho no fato de se estar só num aeroporto. Zeba, na sua primeira de duas experiências no Rio nesta temporada, pode achar que nada é melhor que ficar só com os seus pensamentos num aeroporto.

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Talvez triste seja minha atual disposição. Lacrimejei pelos cantos da casa hoje o dia inteiro. Até em matéria sobre casamento coletivo eu chorei. Tá, o Alexandre Leal era o cara mais indicado para cobrir aquela pauta. NINGUÉM aqui na TV Bahia conseguiria dar o tom singelo que a matéria merecia. Só ele.

Principalmente pq era uma matéria sobre o sonho das pessoas. Seja o sonho que for, deve ser respeitado e tratado como cristal. Aprendi com a Lu, minha madrinha em TV, que não se desdenha dos sonhos dos outros. À primeira vista, uma matéria sobre casamentos populares e coletivos é para mostrar o ridículo. Pq ridículo é aquilo que não nos agrada. Nada mais que isso.

E pode não me agradar o modelo do vestido de uma, ou o noivo que a outra escolheu. Pode ser que na minha experiência não caiba aquele monte de babados, nem bordados, nem nada. Mas saber que foram 600 sonhos realizados é uma coisa que ultrapassa a razão. Foram 600 pessoas que levaram parentes, que passaram meses, anos sonhando com esse dia; que espremeram os bolsos pra fazer festas para comemorar, que têm esse dia como linha divisória.

Foram pessoas que acreditaram que era possível. Fosse qual fosse o sonho, era delas, e não interessa a ninguém a maneira que foi escolhida para realizar. A maneira como elas vão conduzir suas vidas a partir de agora é outro assunto. Casamento deve ser, antes de tudo, um eterno respeitar de individualidades.


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É, pq é muito comum ver alguém dizer que atura agora o que o parceiro faz, mas depois do casamento "ele vai ver se eu não o coloco no jeito..." Droga, então arruma alguém que já esteja no jeito! Arruma alguém que satisfaça aquela lista de pré-requisitos que todo mundo tem! A gente deve comprar o pacote completo, sabendo que não dá pra mexer pq não vem com "opcionais" de fábrica.

Eu nunca entendi o horror que se estampa no rosto do outro (e mulheres são campeãs nesse quesito...) quando vê-se a toalha molhada em cima da cama. Ou pq o tubo de creme dental está apertado no meio. Ou porque o papel higiênico roda para o lado que não se deve (e tem lado certo???). Casamento é mais que isso. É a cumplicidade, são os risos partilhados, são as noites em que um sonho ruim pode ser apagado só de encostar as costas nas costas do outro. É... casamento, pra mim, é muito, muito mais que uma toalha na cama (mesmo pq eu mesma faço isso, e deixo sempre a cozinha uma zona depois de uma crise de chef).

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Mas não era isso que eu ia dizer. Comecei a escrever pensando em como são tristes os aeroportos, como estive meio chorosa o dia inteiro, como isso continua... Escrevi esse post todo pensando em dois hiatos bons, uma doce conversa com o Homem MAIS QUE Querido, uma conversa rapidinha com uma amiga MUITO querida. Os dois papos pelo mesmo meio, longes, longes, longes.

Nada que uma ida ao aeroporto, um embarque, mesmo que solitário, não resolvesse.

Sem speed nenhum pra trabalhar. Preparam-se, meus doze estimadíssimos leitores: vou encher os seus também estimadíssimos sacos com o "Mundo Bizarro da Dani".

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Pra vcs terem uma idéia da minha falta de speed par atividades lucrativas, é a terceira vez que escrevo esse port. Termino, reviso, e quando dou o publish, entra aquela maldita mensagem de página indisponível. Tudo bem na primeira vez, mas na segunda foi burrice minha...

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As pessoas são estranhas... Chegaram neste blog procurando por:

.fotos de modelos/pessoas anoréxicas (váaaaaarias recorrências: as pessoas estão de sacanagem comigo!)
.Caculé (alguém mais além de mim e dos músicos conhece essa cidade-irmã do Desrto do Atacama!)
.desenhar garrafas (pra quê, meu Deus, pra quê?)
.perfume francês (o imbatível "Salvador Dalí" é de uma maison francesa, né? Eu sei que ele era espanhol, não me subestime!)
.zakk wylde (YES! Ele é um dos grandes!)
.Por que é que o sumo da uva se transforma em vinho? (Porque Deus quis assim!)
.mantra ketchup (eu avisei que as pessoas as vezes eram bizarras)
.american hi músicas (Lugar certo! tem um link aí do lado. Estão na minha lista Top 5 bandas!)
.LIBERDADE DE IMPRENSA (Free Speech!! Sou quase jornalista, pô!)


And the Oscar goes to: PUTAS DE ITABUNA!!!

Pois é, essas senhoras continuam sendo as mais contadas neste blog. Qual a mística das ladies sul-baianas?

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E dessa vez não foram só as grapiúnas: as putas do Pará e as putas da Paraíba também tiveram um voto cada!

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Ainda mudo o nome deste blog para Puteiro!
Esse horóscopo é virado no mói de coentro!

Não estranhe se você se sentir sufocado pela over dose de paixão que vai estar circulando no mundo. A poderosa Lua Nova desta segunda-feira pode transformar em necessidade urgente um antigo desejo de fazer mudanças radicais no seu cotidiano. Tome cuidado para que uma explosão emocional não acelere um processo que ainda não se completou. Acolha os apelos do seu coração, mas peça socorro ao pensamento claro e preciso que chega dos signos de Ar. A emoção pode ser uma aliada importante na hora de destruir o que é velho, mas só a razão é capaz de construir uma nova realidade, mais adequada à sua originalidade.

Árvore do Bem - Semana de Gêmeos

quinta-feira, novembro 07, 2002

E no final nem atrapalhei a Diretora de arte! Pelo contrário, consegui um desconto de R$ 0,50 numa caixa para disjuntores!!! Certo, ele custava 4 reais, mas o desconto foi significativo.

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Problema foi passar incólume pela seção dos brinquedinhos... Tinha um saquinho com trocentos vasinhos de flor de plástico, bem coisinha de boneca, mesmo. Não, não são aqueles arranjos de flor que a gente acha na casa das nossas tias que não casaram. São uns vasinhos com uma flor em cada, flor durinha, coloridinha...

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Comprei minha primeira caixa para disjuntor da vida! Lálálá!

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Pra quê? Em "Deu$ também é neoliberal", Deus pretende privatizar o mundo. Chama Jesus para uma conversa, Jesus tenta convencer o pai de que não deve fazer isso, lista todos predicados da Terra em forma de musical (meio Grease, meio Hair),





***SPOIL***





e Deus finalmente resolve não privatizar, mas explodir o mundo. E essa caixa de disjuntor é pra fazer o botão de destruição.

Prende, mas não esculacha!

Nunca um rompimento defintivo foi tão definitivo nem tão indolor. Acabou, acabou de uma vez por todas, e sei que acabou porque não doeu. Acho que a finalidade das histórias continuarem se cruzando mesmo depois de eu definir que nunca mais o queria na vida, era justamente me provar que pode haver fim sem sofrimento. Não foi um rompimento. Foi uma suave transição.

O episódio tinha tudo para ir para o Darwin Awards, ou para o rol das palhaçadas do ano. Como boa piadinha da vida real, atendendo ao Awards, ou boa palhaçada que foi, terminei o telefonema rindo. Rindo de felicidade, rindo de espanto, rindo de incredulidade. Ri por vários motivos, mas ri, principalmente, por causa do alívio.

Alívio? É, alívio de enxergar mais longe agora do que enxergava há duas semanas. Alívio de saber que só meu corpo precisava dele, e que agora nem isso, mais. Alívio de saber que foi uma história estupidamente linda, que esse homem me fez feliz como há mais de dez anos — exagero? tenho registros históricos! — nenhum homem conseguiu me fazer. Que 20 dias de sofrimento não foram nada, perto do bem que esse homem me fez.

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E que ele consiga queimar esse karma que ele tem na vida, que ele ache enfim uma mulher que o faça ter vontade de entrar nos eixos, uma mulher a quem ele fará a mais feliz do Hemisfério Sul. Que seja doce...

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Se vocês olharem pra esse boxezinho aí do lado, abaixo da tarja escrito eu, vão ver que mudei meu estado civil. De "Um namorado" mudei de volta para "Sem namorado". E pela primeira vez em muito tempo não incomodou estar sozinha de novo...

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Respeitável Público,

Eu tenho a honra de anunciar que, apesar de algumas pessoas terem a falsa idéia de que tenho resistência às novas tecnologias, EU TENHO UM MSN!!!

Logo, se você é usuário desse novo mundo que se descortina sob os meus pés, meu email é danihenning@hotmail.com.

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"Algumas pessoas" não. Homem MUITO Querido é mais verdadeiro. Mesmo que o Homem MUITO Querido desconfie da enorme capacidade que eu tenho de fazer as novas tecnologias comerem na minha mão... Humpf!

Indo fazer produção de arte para "Deu$ também é Neoliberal"...

Eu, sem o menor pendor artístico, acho que só vou atrapalhar a Dirart... Mas vou pedir uma ajudinha para fazer uma produção de arte pessoal... Meus 12 leitores, tremei! A delegação da Bahia está aprontando...

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Alguém sabe como tirar o cheiro de água sanitária da mão? Meu pai sem-noção (plágio descarado da Fernanda!!) diz que é com vinagre, mas depois, com cara de quem está confabulando consigo mesmo, pergunta baixinho:

— E depois, o que é que tira o cheiro do vinagre?

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Todo mundo precisa de um amigo como o Emerson. São 11 anos aturando aquela onça, onze anos saindo juntos para fofocar, onze anos em que eu espero que ele seja compreensivo, carinhoso, menos pragmático. Sincero demais, é a síntese da praticidade masculina. O máximo que consegui arrancar dele, depois de conseguir fazer com que ficasse calado por 20 minutos, enquanto eu desfiava o meu rosário de sofrimentos, foi:

— Relaxe, Dandanzinha, que potência não quebra. Potência no máximo trinca...

Mas é amigo, acima de tudo. Amigo na mais completa acepção da palavra. Nunca falhou quando precisei dos conhecimentos informáticos dele, que já perdeu noites e dias aqui em casa, configurando máquina, instalando rede, formatando disco. Basta um telefonema, "Emerson, vou dormir na sua casa, preciso conversar", e ele me manda direto pra lá, chega com mais problemas que eu, me faz sentir um ser humano fútil depois de contar TODOS os problemas dele mesmo, senta na cama, abre um sorriso, aperta o meu nariz e emenda num outro assunto que não tem nada a ver com as minhas mazelas. E mesmo asism conseguiu me fazer olhar o mundo de uma maneira menos pessimista...

Pq isso tudo? Pq hj é aniversário dele, e não há nada no mundo que me impeça de largar a pré-produção no meio para ir jantar com ele. Não, estou LONGE de ser irresponsável, o final da pré-produção pode ser amanhã fácil. Isso se não chover, pq a meteorologia prevê dias nublados e chuvosos até domingo, e como gravar num iate se não tiver sol? Mas de qualquer maneira, eu iria, mesmo que as gravações fossem amanhã...

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O que dar de presente para alguém que é quase um geminiano, embora seja nativo de Escorpião? Um cara sensível, mas prático, sincero, mas que consegue pincelar a conversa com doçura. 30 e poucos anos, mas ninguém diz que tem um filho quase maior do que ele, além de nunca ter crescido de verdade. É o chefe que eu queria ter, não é o namorado que eu queria ter, mas recomendo pra todas as minhas amigas (as 4); tem um pouco da inconstância geminiana, muito do ciúme escorpiano, muito mais do próprio homem que é. Deve ter um Oxóssi de frente, quem sabe um Ogum, tem olhos de gato, adora sabres orientais.

Alguém me dá sugestões?

quarta-feira, novembro 06, 2002

Ligeiramente triste.

Não triste. Melancólica.

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Estou tão desconectada do que sempre me foi essencial... Há meses não abro o tarot. Há meses não piso no Centro. Há 2 semanas não tomo um banho de mar. Estou com seis meses de atraso com a minha obrigação no terreiro. Não fiz minha água de guerra. Nem um ritualzinho pagão. Nada. Nem uma trilha para caminhar por ela. A apatia espiritual é pior que a indecisão.

Segundo dia de chá gelado, e alguma coisa naquela composição à base de tangerina me afetou.
As tangerinas são sensacionais. Tm um sabor delicioso, são umas gracinhas. A casca é um prodígio: é feita não para facas, e sim para as mãos. Têm um cheiro com propriedades calmantes, têm as cores maravilhosas.

Então...

POR QUE RAIOS AS PESSOAS DETURPAM AS TANGERINAS FAZENDO SUCOS INDUSTRIALIZADOS?

Por que raios não deixam a tangerina como está, ao invés de macular sua imagem com esses chás monstruosos, esses sucos miseráveis? Deveriam fazer com a tangerina o que os indianos fazem com a vaca: tornar sagrada, e ninguém mexe mais.

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Mas o chá de maçã é um fenômeno. Bom até não poder mais. Mas a maçã pode ser processada e mexida e alterada. Não tem um décimo da nobreza da tangerina.

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Cafeína, que falta que ela me faz...

*sigh*

Que sono, que vontade de ficar lagartixando na cama...

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Uma das coisas boas de ser geminiana é saber que posso fazer 30 coisas ao mesmo tempo, e ter a certeza de que todas as 30 vão sair bem feitas. Estou lendo meus emails, respondendo um email que merece uma atenção redobrada — já que trata dos sonhos de uma amiga que está com os sonhos meio maltratados —, montando um texto, escrevendo no blog, ouvindo música, e volta e meia ainda falo ao telefone. Brigo com as cachorras (Não são, Zeba!), cotuco um pontinho de dor nas costas, disperso o pensamento, volto. E recomeço tudo outra vez...

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Minha lista de músicas do winamp também é surreal. O modo shuffle me assusta pela diversidade do que vai na minha cabeça. De ABBA, com sua Dancing Queen, passo para Inti Ilimani e as pan flutes. De lá, para a minha seleção de músicas com o meu nome. Uma infinidade de Danielas, em vários idiomas, ritmos, com várias significações.

E todas essas Danielas sou eu. O folk germânico, a baladinha, o doce romantismo, a certa melancolia dos italianos, um solitário holandês que deve ter passado seus dias mais felizes numa praia à beira do Adriático e lá conheceu a sua Daniela.

Das Danielas para Dick Dale, para 3 Doors Down, para a depressão eterna do Nick Cave, para a Ângela Rô Rô.

Tenho algumas esquisitices: o tema da Pantera Cor-de-Rosa em ritmo de punk rock com os metais do ska, a orquestra da UNISINOS tocando uma música chamada "Missões", um encontro do R.E.M com Mano Negra, uma versão louca demais de "Bigmouth Strikes Again", a risadinha do Mutly, o grito do Capitão Caverna, o som da "cabongada" do violão do Pepe Legal.

Não posso, nunca, servir de referência pra ninguém...

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Um retorno ao zodíaco: Ontem, das sete pessoas à mesa, 4 eram geminianas. E estávamos os quatro sentados um ao lado do outro, sem nenhum hiato pisciano, taurino ou aquariano. Nós vamos mesmo dominar o mundo.

terça-feira, novembro 05, 2002

Primeiro dia de chá gelado e tudo bem! Certo, a verdade é que nós ainda não nos encontramos. Mas não encontrei a Coca Cola Light, também.

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Tenho duas cachorras: Nana e Mabel. As bonitinhas, apesar de uma coexistência um tanto quanto conturbada, dividem o mesmo prato de comida. Nunca se adaptaram a dois pratos. E hoje, pra minha surpresa, constatei que a tartaruga da minha irmã também come ração para cachorros! Ela não se intimida: bateu fome, ela ruma pro prato de ração!

Minha casa deve ser um portal para um universo paralelo...

Demovida irrevogavelmente da idéia do piercieng... sabe como é, aquela coisa meio bovina...

*um sorrisinho de canto de boca*

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Admito: opiniões de pessoas-chave contam pra caramba. Influenciável? Sem vontade própria? Sim, e daí?

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Jantar com Luna, Jaga, Felipe e Perazzo. Deuses, um encontro de produtores, diretores de fotografia, diretores de elenco... Nunca, nunca nesta terra ia sair coisa que se aproveitasse! O que era pra ser uma reunião do "Deu$ também é neoliberal" acabou num grande evento agregatício, com risadas, troca de informações sobre profissionais que vamos ter que engolir uma hora ou outra, macetes... Ou seja: uma reunião de produção.

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"O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade
Por esta noite

Porque está amanhecendo?
Peço o contrário ver o sol se pôr
Porque está amanhecendo?"


Relicário

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E mais uma vez eu estou vendo o dia seguinte se rascunhando, e eu nem apresentei as contas a pagar do dia que acabou. Dívida nenhuma, aliás: eu consegui fechar a balança em superávit! Dia mediano, mas que noite... Noite de conversas, de risos, de cumplicidade, de trocas, de algumas confissões — algumas arrancadas, outras que vieram fáceis como a vida.

Noite feita para se criar: criar o esboço de DTEN, criar novas concepções, novos parâmetros para continuar, criar uma nova ordem de produção, criar um croqui do que a vida vai ser, criar diretrizes, criar uma maneira de ser mais feliz. "Por um segundo mais feliz".

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E é nessas noites que consigo me sentir forte. É nessas noites que vejo que sozinha sou muito pouco, que só sou alguém com alguéns. Que nós juntos somos fortes, por mais que isso parodie Chico Buarque em "Os Saltimbacos". Ele sabia o que estava fazendo...

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Tentei. Tentei guardar só pra mim, mas blog é, acima de tudo, um exercício de crescimento. E como descartar do rol de "exercício de crescimento" a longa conversa que permeou a minha madrugada? Como não ficar espantada com o homem admirável que encontrei do outro lado da linha? Como não divagar a respeito de duas horas e meia de trocas? Como não terminar a minha madrugada repassando cada minuto de texto dito, de palavra contada? Como não ouvir novamente cada risada meio rouca, cada alteração no acento?

Poucas experiências são equivalentes. Encontrar um alma companheira? Talvez. Um irmão de outras vidas? Perto. Um espelho seu? Estamos no caminho.

Não sei. Muito tempo vai passar antes que eu defina a sensação de identificação que senti. Tinha que ser assim.

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Tinha que ser um homem TÃO querido como ele é. Se não fosse assim, não estava valendo.

segunda-feira, novembro 04, 2002

Show do Lenine. Que show fantástico! Esse homem cantando "Paciência" é uma experiência que ultrapassa a razão. Meu dia inteiro foi vivido praquele momento.

E que relação linda a dele com a Ana! Que mulher admirável, que mulher linda, que casal feito nos céus...

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Tá, tinha a Ivete. Sempre excelente no palco, mas não é a minha praia. Fiquei o tempo do show dela conversando com o Celsinho, cara da Técnica da TV, com quem trabalhei um ano. Ele, que já foi produtor de longa, de documentário, de VTs; eu, produtora apaixonada pelos bastidores, matamos as saudades. Saudades um do outro, saudade do tempo em que trabalhamos juntos, saudades de produções que já fizemos pela vida, saudades de pessoas em comum.

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Assim é que as coisas devem ser: encontrar um ser humano que nem me cumprimenta mais — em tempos outros me encontrava e fazia festa — fazendo o mesmo trabalho medíocre de sempre, enquanto eu estou bem sentadinha no backstage, cerveja bizarra na mão — pq a cerveja era péssima — com pulseririnha de acesso à área VIP...

Pronto! Passou o momento "chic descontrol"!

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E um resto de dia como deve ser também: enlouquecendo mais um pouco para enquadrar o roteiro no regulamento do FazCultura. Mais um final de semana desses e eu volto ao esquema workaholic...

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Mas o mole que aquele carinha do ABC me deu foi qualquer coisa... Acho que ele não lembrou que já tinha trabalhado comigo...

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Esse tal de Brandon Lee era a última Coca Cola gelada do deserto, hein?

sábado, novembro 02, 2002

EU QUERO UM DINGO TAMBÉM!



A pergunta é: conviverão os dingos e os greyhounds (apesar de estar-me apaixonando pelos whippets... ) em paz?

O detalhe: 16th, June, É MEU ANIVERSÁRIO!!!!!!!

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Os dingos são fofos, mas ainda não bateram os greyhounds na minha lista de "eu quero um!"

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Nós, crianças, somos estranhas...

Regina, a sem-noção

Shopping Barra, final da tarde. Entramos numa loja carérrima, Regina em busca da camisa perdida.

Vem a vendedora metida a dasluzete:

— Posso ajudar, senhora?
— Quanto é essa blusinha?
— 120 reais, senhora.
— 120 e a minha mãe na zona, fazendo vida...
— (silêncio)
— Obrigada, viu?


Acabou? Não!

Loja de roupas para velhotinhas. Segundo a Regina, corôas usam conjuntos combinandinhos. Entramos na tal loja de conjuntinhos. No primeiro a Regina comprova o que eu disse: são roupas com estamparia só permitida para senhoras acima de 65. Do tipo que só vende mediante apresentação da carteira de idoso.

Chega a vendedora, solicita:

— Posso ajudar, senhora?
— Não, obrigada.
— É para a senhora?


Regina, com o ar mais cândido do mundo:

— Não, é pra minha avó.

O problema começou aí. Se tocando da grosseria, ela me fez embarcar no texto e escolher uma roupa pra santa vovozinha falecida dela. Quase a faço comprar aquele vestido bizarro, de bizarras flores...

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Passei uma semana atípica. Deletei o outro da minha vida de uma maneira definitiva. Sem sofrimentos. Certo? Errado!

Daniela vagando pelo shopping, como a alma que se apaixonou num longínquo setembro, procurando uma jóia para piercing. Pois é, caro leitor, esta que vos fala tem planos de furar o focinho. Certo, no umbigo fica mais sedutor, mas decerto não conheces a minha cintura (aliás, nem dá pra conhecer. Ela sumiu!). Enquanto as arrobas extras não se vão, fico feliz em flagelar meu corpo com um piercing no nariz, terreno da rinite.

Então... vagando, procurando um pontinho mínimo de prata, toca o telefone. Esta anta antende. Ele. Como se o mundo fosse cor-de-rosa, sorrindo, dizendo que está morrendo de saudades, que quer me ver...

Peraí!!!! Tá pensando o quê? É a Festa da Uva, é? Né assim não, cara-pálida! Some da minha vida, me dá um mês ardendo no fogo do inferno, sofrendo que nem pé de arroz na caatinga, para um dia ligar, dizendo que está morrendo de saudades, que quer me ver? Samba, Juliana! Falta fazer um esforço maiorzinho pra ver se atinge o tempo de classificação. Falta dar umas voltas de aquecimento, falta fazer o qualifying!

Se me quer de volta, tem que jurar que nunca mais vai me fazer sofrer. E mesmo assim... Deixou livre demais, amigo.... Mulher não se deixa assim, meu chapa. Principalmente uma geminiana...

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Tenho um bruto medo de sofrer de novo. Medo menor que antes, mas ainda tenho. Estou mais contida, mais fria, tenho outros interesses tanto quanto ou mais fascinantes que ele....

Rá! Vou superar fácil essa etapa!

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Tenho uma missão na vida: aprender a desenhar pra poder fazer o MEU tarot do Deserto. Já imaginaram esse ser humano sem habilidades tentando desenhar? É capaz de sair um tarot com a Dama de Copas igual ao Valete de Paus, ao Rei de Ouros: aqueles desenhos de palitinhos e bolinha no lugar da cabeça!

Mas quem viver, verá!



sexta-feira, novembro 01, 2002

Por que raios eu esqueci que beber água é necessário para a sobrevivência dos seres humanos? É claro que ia dar em problema: uma desidratação leve. Meio tonta, suor gelado, as cores do mundo indo e voltando... O mais primário erro que um produtor pode cometer!! Pô, parece até que eu NUNCA gravei embaixo de sol... Eu, que fazia um programa de turismo, que trabalhava embaixo de sol ao ponto de aprender a usar protetor solar, que voltava das viagens negra como a asa da graúna, que aprendi a levar uma garrafa d'àgua na bolsa mágica até para o cinema... como é que EU desidratei??? Daniela incompetente!

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Entre mortos e feridos... Argh!!!!!, como odeio esse ditadinho!!!!! "Entre mortos e feridos" o caralho, meu nome é Zé Pequeno!

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Sim, mas o tal documentário foi o tipo da coisa que as pessoas têm que fazer pelo menos uma vez na vida, com amigos que te proporcionem tantas horas de diversão quanto os meus.

As pessoas têm que fazer um trabalho desses, pra depois sentar num boteco qualquer na Cidade Baixa, ver um cara andando sobre as águas. As pessoas precisam ouvir pelo menos uma vez os gritos de alegria da equipe quando as duas últimas atrizes do próximo trabalho "caem do céu", fazendo jus ao papel de anjinhas.

As pessoas precisam jantar com os amigos que, depois de destruir uma pizza família, andam dez metros além da pizzaria e sentam num bistrô austríaco. Todo mundo devia compartilhar as risadas impunes, as garrafas de cerveja, a (re)descoberta do suspensório, a conta errada.

Essas coisas é que fazem a vida valer a pena.

quinta-feira, outubro 31, 2002

Reunião com o pessoal da "Justa" ontem. Festa estranha, com gente MUITO esquisita...

Um documentário com TODAS as delegacias da Bahia, estado que tem 417 municípios, alguns deles com mais de uma delegacia? E isso não é nada... Eles querem uma radiografia das delegacias da "Dura", tb... Vamos calcular aí 2 mil delegacias, batalhões, companhias e distritos?

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O bacana são os novos amiguinhos... Vou poder andar com o que eu quiser no bolso que ninguém vai sonhar em me enquadrar num
artigo 55

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Recorte

— A gente vai acabar falando da arquitetura das delegacias... Teve até um cara que apresentou um projeto de delegacia com um fosso de crocodilos embaixo da carceragem! O projeto estava prontinho, com renovação de ar, captação de luz natural...

(risos gerais)

Um cara da "Justa", pensativo:

— E o IBAMA ia deixar?


Corta e copia!

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O que é que eu ainda estou fazendo aqui, quando tenho que tomar um banho e sair pra gravar daqui a pouco?

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Que quarta-feira iluminada!!!

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Acho que foi aniversário do Denilson, puta editor do Paralello.

quarta-feira, outubro 30, 2002

Samba de Roda. Axé boy band. Curta. Longa. Documentário. Outro longa. Texto. Orçar diretor de fotografia. FazCultura. Orçamentos gerais. Email de um homem muito QUERIDO, delicioso de ler e responder.

E um dia eu tive CORAGEM de dizer que minha vida anda um tédio...

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Alguém conhece um médico que me dê receitas de anfetaminas? A cinturinha de ovo precisa sumir, não nos toleramos mais!!!

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Não sei o que tem havido com os meus amigos. Ou comigo. Ou eu sou a mala-mor do mundo, e as pessoas precisam mentir para sobreviverem comigo por perto, ou alguma coisa está muito errada. Impressionante a quantidade de vezes que esta que vos fala foi feita de idiota nas últimas duas semanas. É amigo que mente, que omite, que engana, que enrola. E eu lá, diligente, cúmplice, amiga, solidária. Será que é nisso que eu estou errada? Será que eu estou errando no excesso de amor?

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E este não é um recado, se fosse não seria só pra você. Dos males, a omissão é a menor.

terça-feira, outubro 29, 2002


O Holden Caulfield fez um post fantástico para o dia 29 de outubro. Eu ia copiar e publicar aqui, mas na verdade já não sinto muito mais por tê-lo (não ao Holden, ao Outro, claro!) tirado da minha vida. Não está incomodando tanto, não estou mais enlouquecida de dor. Até a possibilidade de ter que lidar com ele profissionalmente já não me fere tanto.

Se ele tiver que voltar pra minha vida, que volte. Mas vai voltar nas MINHAS bases, dançando a minha versão latina de punk rock...

E danem-se Dick Dale, Yngwie Malmsteen, Steve Vai e o resto.

Alguém já viu o Gato Félix no fundo do jarro de chá gelado?

Não?

Ai, meu Deus, pq voltei pro chopp gelado?

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Mega noite no Ao Léu. Já comecei levando uma geral do Felipe:

— Porra, demorou pacas!

Pois é, meu nobre amigo, moro na Barra, Ao Léu é na Pituba, sou míope que nem uma marmota, não dirijo... E o resto da noite? Ah... depois do final de semana miserável que ganhei de presente, tudo em paz. Se o Frederico conseguiu fazer as barbaridades dele comigo ao longo de 14 anos e eu perdoei, pq é que uma bobaginha ia macular uma história tão bacana?

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Vou rasgar a lista do homem ideal e começar tudo de novo. Vamos ver se dessa vez acerto, mas... Geminiana, né? Tenho mais vidas que um depósito de gatos... E isso é que é o bacana da vida...

" ... e acreditar
e acreditar
mesmo sem ver as provas..."


Vianna, o Herbert

segunda-feira, outubro 28, 2002


Uma foto digital, e de repente ele está de novo no meu quotidiano. Num instante — o tempo exato que o computador levou pra carregar a fotografia dele — eu esqueci tudo e ele voltou a ser aquele homem que preenchia 37 da minha lista de 40 itens. Maior a memória do computador, menor teria sido o tempo para ele voltar pra mim.

Abro direto no Photoshop. Vamos brincar um pouco.

A primeira opção que dança na frente dos meus olhos é “Efeitos de Iluminação”. Mais apropriado, impossível. Experimentei todos os efeitos de luz nele. Iluminei seu rosto, escureci seu corpo, explodi o flash nas suas mãos, dei à sua aparência um quê de sacro.
Ctrl+Z. Undo. Desfazer. Sacro?

Como um Deus de saias, vou manipulando suas feições. Num clique do meu mouse-vontade, derreto seu rosto, transformo aquele homem num ente que só eu seria capaz de amar. Só eu, porque eu o fiz. Desfaço novamente.

Criadora contemplando a criatura. Num outro minuto, ele passa a ter a textura de um personagem de quadrinhos. Meu super-herói, meu vilão, meu bobo, personagem do meu gibi. Agora ele é um pôster. Meu rock star, ídolo desta mulher-adolescente, por quem enfrento multidões de outras mulheres-adolescentes, enfurecidas perseguidoras do mesmo sorriso que um dia foi meu.

A ferramenta “Plastificar” é a minha preferida. Corta o contato dele com o ar. Evita que o amor amareleça, mantém esse homem pra sempre assim. Meu. Selecionar a opção 3D me trouxe uma quase-surpresa: uma ligeira alteração o transformou num clone — 20 cm mais baixo, verdade seja dita — do Kiko, outro amor antigo.

Quase surpresa porque já o sabia parecido com o Zeca, cuja foto, pendurada no alto do meu quadro na parede, me censura: “Se era pra arranjar alguém tão parecido comigo, que a gente nunca tivesse se separado, então!” . Vc tem razão, Zeca... Vc nunca me fez sofrer como ele, nem quando arranjou uma namorada com o meu nome. Se era pra ter uma Daniela, que fosse eu, né?

Tem uma opção que não conheço pelo nome. Crayon Conté. Enrolo a palavra na boca, como degustador de vinho. Cuspo o Crayon Conté no rosto dele. Experimento, e sua foto se transforma numa imagem de TV com interferência. Se eu aumentar o “Nível do Primeiro Plano”, aumentam as interferências. Bom. Minha tela da “televisão” está cada vez mais borrada.

Cansei de você. Desta vez, quem vai te tirar do ar sou eu. Um clique no mouse-controle remoto e pronto: sua fotografia some, entra no lugar a logomarca da emissora. “Desculpem a nossa falha. Voltamos aos nossos estúdios...”

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—Daniela, sua mente é buraco negro. Ninguém sabe o tamanho, ninguém sabe o que pode sair daí de dentro.

Isso foi um elogio?


domingo, outubro 27, 2002

Votar... Sigh...

Tomara que o mesário seja o mesmo...

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Alôoooooo, tem alguém aí?

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Zeba, seu anel é meu por usucapião.

Certo, sinais não existem... Mas alguém podia convencer o meu Winamp disso?

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Ao telefone:

— Eu tirei esse homem da minha vida, Vel! Não quero mais saber dele, não quero mais nada com ele. Pra mim acabou!

Começa a tocar:

"I was down at the New
Amsterdam, staring at this
yellow-haired girl
Mr. Jones strikes up a
conversation, with this black-haired (...)"


Argh!!!!!! Por que raios o meu player faz isso comigo??? É a música que ele adora, que queria aprender a tocar!!!

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Mas não adianta. Eu tirei esse homem da minha vida de uma vez. Todo o contato que quero com ele é profissional, de agora em diante.

(E agora está tocando Surf Rider, do Dick Dale & His Deltones!!!

Pulei a música.

Nitro, do mesmo Dick Dale!!! Nem o Winamp me respeita!!!!)

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Quero um Namorado 1.2. Com as mesmas características da versão 1.1, mas sem os bugs.


sábado, outubro 26, 2002

Ainda bem que tive o bom senso de voltar pra cama.

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Amarga do jeito que eu estava (ava?), eu ia acabar concluindo que realmente não há nada mais solitário que um paulistano.

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Não voltei pra cama a tempo. Eu concluí, sim, que não há nada mais solitário que uma paulistana.

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Pq as pessoas não fazem as merdas das suas carreatas em silêncio? Eu quase desisto de voltar no tal candidato por causa da zona que seus seguidores fizeram. Aliás, vou pensar bem sobre esse assunto...

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Acho melhor tomar um Dormonid e parar de aborrecer o mundo com a minha irritação. Ah, Daniela, deixa de supervalorizar o passe... Você não acha realmente que as pessoas estão se importando com o que vc sente ou deixa de sentir, né?

Um caso de repostagem (de foto)

Pq de vida... Ah, vcs já devem ter visto isso antes...





"Nada a perder
Pra quem não tinha
Nada a ganhar
É como ver o dia morrer,
A noite chegar,
O tempo passar


E quem vai ficar
De bem com a vida, quem vai ficar
Com a chave da saída que dá
Pra outro lugar
Que não seja aqui?


Eu tentei
Vc viu que eu tentei
De todas as maneiras


Eu errei
Vc viu que eu errei
De todas as maneiras


Eu amei
Vc viu que eu amei
Como um homem qualquer


É assim que isso tudo começa
Foi assim
Que isso tudo acabou
E eu amei
Vc viu que eu amei


E o que vai sobrar
Do amor
Que eu guardei pra te dar?
A história que eu queria contar
Não era tão triste
Nem sei se ela existe..."


Danilo Caymmi - Nada a perder

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Acabou.

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E eu não vou sofrer. Acabou uma das histórias mais intensas da minha vida. E eu SEI que não sofrer. Não quero, não vou, não posso. Eu AMEI esse homem como NUNCA tive coragem de amar ninguém. Ou admitir. Mas acabou a história de amor mais viva da minha vida.

Meu corpo ainda não sabe. Vou contar aos poucos.

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A piada de humor negro da vida é que a partir da quinta-feira vou precisar dele. É o melhor profissional da área. Confio nele.

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Mas acabou. E a maneira foi tão prosaica, e ao mesmo tempo tão rara pra mim. Acabou, e nem Ele nem meu corpo sabem disso.
Quem se habilita a contar pros dois?

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Meus doze leitores, um pedido: uma torcida corajosa por mim nos próximos 25 anos. Esse homem tem que ser abstraído.

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"A história que eu queria contar
Não era tão triste
Nem sei se ela existe..."


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Sincronicidade? Ou porque nada é por acaso? Good luck for us, dear...

sexta-feira, outubro 25, 2002

E eu apostando que hoje era quarta feira.

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Eu cruzo as ruas por onde passo procurando um vestígio dele. Um carro do mesmo modelo, um homem com óculos escuros, uma aba de boné, uma risada mansa, uma câmera. Nunca. Nada. Procuro o cheiro dele em outros corpos, o beijo dele em outras bocas. Fecho os olhos, traço outro rosto com o dedo, e a linha dura do maxilar não está lá. Não é ele. Nunca. Nada.

Até hoje. Na frente do escritório dele, colei o rosto no vidro do carro em movimento, criança de rua em loja de brinquedo. "Muito tarde, Daniela-idiota, ele já deve estar na outra dimensão, onde mora!". Mas o que é o pensamento racional quando o corpo pede, precisa, ignora o cérebro pra se curvar diante da falta que sente daquilo que lhe garante o bater-de-coração-nosso-de-cada-dia?

Contrariando as probabilidades, o carro dele estava estacionado na frente do prédio. As perguntas lógicas? Essas só vieram depois... Na hora só deu pra sentir um misto de amor que dói, saudade que dói mais, uma sensação de impotência, de mãos atadas. Como um sol girando em torno do girassol, curvei meu caule até perder o carro de vista. Até romper o elo que efemeramente fiz com ele naquele átimo. Tão perto, tão longe.

Seguimos adiante. Toquei a vida, tocaram o carro, a lua nasceu.

Mas alguma coisa minha ficou ali. Alguma coisa que me é vital ficou presa ali, naquele carro. Ficou esperando que o dono saísse da hora extra no trabalho.

A Daniela que foi pro show do Beto Guedes chegou no destino faltando um pedaço. Mais um. Cada dia menos da Daniela. Como um eclipse. Estão tapando cada dia mais a minha luz. Um dia eu sumo.

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Pela primeira vez o branco não serviu como rebatedor. Ao invés de devolver toda a luminosidade que incidi nele, o branco absorveu toda a minha luz. Deu em troca a escuridão.

quinta-feira, outubro 24, 2002

Is This Love?
Whitesnake





I should have known better
Than to let you go alone
It’s times like these
I can’t make it on my own
Wasted days and sleepless nights
And I can’t wait to see you again


I find I spend my time
Waiting on your call
How can I tell you, babe
My back’s against the wall
I need you by my side
So tell me it’s alright
‘Cos I don’t think
I can take anymore


Is this love that I’m feeling
Is this the love
That I’ve been searching for
Is this love or am I dreaming
This must be love
‘Cos it really got a hold on me
A hold on me


I can’t stop the feeling
I’ve been this way before
But with you I’ve found the key
To open any door
I can feel my love for you
Growing stronger day by day
And I can’t wait to see you again
So I can hold you in my arms


Is this love that I’m feeling
Is this the love
That I’ve been searching for
Is this love or am I dreaming
This must be love
‘Cos it really got a hold on me
A hold on me

EU QUERO UM GREYHOUND!!!
E novamente surpreendi o sol antes de o sol raiar.

Mas valeu a pena. Noite com um homem muito interessante, que além de ter uma prosa que sai do UFO, passa pelo Chico, e chega até as jujubas de cereja, beija bem demais, é cavalheiríssimo, divertido, inteligente, culto, carinhoso e gentil.

Noites como essa, regadas à Coca Light (pq dessa vez eu despacho minha cintura de ovo pros infernos), é que me fazerm crer que sinais realmente existem...

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Roubado desse blog delicioso.

"Nasceste no lar que precisavas,
Vestiste o corpo físico que merecias.
Moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com teu adiantamento.
Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades,
nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.
Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização.
Teus parentes, amigos são as almas que atraístes, com tua própria afinidade.
Portanto, teu destino está constantemente sobre teu controle.
Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas, tudo aquilo que te rodeia a existência.
Teus pensamentos e vontade são a chave de teus atos, atitudes, são as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivencial.
Não reclames nem te faças de vitima. Antes de tudo, analisa e observa.
A mudança está em tuas mãos.
Reprograme tua meta, busque o bem e viverás melhor".


(Chico Xavier)

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Que dia de bons sinais! Começar com um beijo, um carinho, um abraço, um elogio e um texto achado do Chico Xavier? E só estamos começando!




"E, last, but not least, a divertidíssima Daniela Henning, verve, humor ácido e delicadeza reunidas em única figura. E ela nem sabe quantas vezes nós já pegamos ônibus juntos..."

Ai, Holden, que delícia ouvir isso de alguém que me faz rir e chorar num mesmo post! Obrigada, obrigada, obrigada! Minha quinta-feira começa bem assim!

quarta-feira, outubro 23, 2002


Descobri mais uma vocação: ghost-writer de blogs...

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Mundo blogueiro em pane: minha sócia tirou o blog do ar.

Sócia, não era pra ser tão radical. Um pedido de desculpas servia. Se vc disser que foi vacilo, que gostou muito mas não se tocou de linkar, tudo bem. É capaz de a gente acabar com essa rusga numa boa. Sou partidária disso.

Quer tentar? Meu email é daniela.henning@bol.com.br. Be my guest.

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Dé, pq a gente demorou tanto pra se falar ao telefone??? A gente devia ter começado isso antes... Minha amiga linda, feliz aniversário atrasado!!! O seu ano-novo começa agora. Prepare-se para colher tudo de bom que vc andou plantando...

Sobre clones sem créditos

Eu adoro quando as pessoas gostam do que escrevo. Adoro quando as pessoas copiam trechinhos dos meus textos para usar em outros blogs. A Rê Ticências tem um texto lindo chamada Teoria das Garrafas que fala sobre isso.

Eu sou campeã do mundo em copiar trechinhos de posts dos outros. Mas eu credito absolutamente todos! Eu nunca roubei um post sequer que não tenha apertado o botão do hyperlink e colocado lá o endereço da fonte. Mesmo quando roubo citações eu indico de onde foi. Não roubo descaradamente e uso como se fosse meu. O respeito à criação do alheio é uma coisa séria, que ou a gente aprende no berço ou nada feito.

Pq todo esse desabafo? Pq estava com ele no icq, e acabamos conversando sobre usar os textos dos outros. Bom. Ele me mandou um link de uma pessoa que tinha usado um texto dele e linkado. Ainda disse pra ele que era o reconhecimento do esforço, do trabalho bem feito, achei bacana pra caramba. Fui lá ver.

Qual não é a minha surpresa quando vejo uns 5 textos meus ligeiramente adaptados (ligeiramente significa mudar o nome apenas) e assinados pela tal. ASSINADOS, como se ela tivesse acendido um cigarro, recostado na cadeira e escrito cada linha daquilo. Eu trabalho, ela é quem fica vermelhinha?

Não, não vou linkar pra não virar festa. Vou deixar pra lá. Pela quantidade de textos meus roubados, ela deve ser a minha visitante número 1. Não deixa de ser lisonjeiro. Eu comecei o post dizendo que gosto quando as pessoas apreciam meus textos. E gosto mesmo. Pode continuar a usar, minha amiga "Grife de Camiseta". Se gosta tanto, se me acha tão genial, deixa os dedos acharem o caminho crlt+c, crlt+v. Mas não esquece de colocar uma referência.

Nem precisa colocar links. Escrevo para quem, por algum motivo, se interessa pelo que eu escrevo, pela minha vida. Não tenho a menor pretensão de virar estrelinha do mundo virtual. Não tenho tempo, não tenho talento, meu blog não tem o charme necessário para isso. Não escrevo para agradar a ninguém, senão a mim mesma. Não faço questão das 23.000 visitas que em teoria minha "sócia" tem. Mesmo pq eu acredito em counters adulterados... Os links que tenho em outros sites são de pessoas selecionadas, pessoas que tem afinidades comigo. Não faço questão do seu link pq seu modus operandi é completamente oposto ao meu.

Então ficamos combinadas assim: você pode continuar clonando tudinho, mas coloca meu nominho embaixo, tá?

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By the way: desista dos vibradores para a sua sobrinha atormentar os cachorros. Aposte no curso de francês para que a sua sobrinha possa mesmo encontrar um francês fofo e gentil... E a cópia de "Relatos Febris" ficou absolutamente sem sentido. Ninguém entende pq não é pornografia se vc não coloca o nominho nem contextualiza.

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Eu sou meio low profile. Nunca fiz um spam do meu blog, e meus amigos sabem disso. Nunca fiz propaganda sobre o que escrevo, apesar de ganhar parte da vida fazendo isso: escrevendo. Faço freelas de roteiros, tenho alguns institucionais maravilhosos, sem falsa modéstia. Já fiz muito texto para off de televisão, já fiz muito texto para comerciais.

Sou muito vaidosa quando o assunto é "textos profissionais". Mas no meu blog... O meu blog é um exercício mais de autoconhecimento, mais de registro, do que uma tentativa de literatura. Tenho, sim, algumas coisas mais elaboradas, mas pq foram escritas em momentos inspirados.

Não escrevo para ganhar o Pulitzer. Escrevo para manter um registro. Escrevo pq adoro escrever, pq é a minha cachaça. Se alguém não gosta, não volte. É simples. Eu nunca convidei ninguém (minto, convidei meu Valete preferido, mas se ele não viesse, acabava tudo entre nós...) para visitar este blog que vos fala. Veio quem quis, voltou quem gostou.

terça-feira, outubro 22, 2002

Não importa de que matéria são feitas as almas; a minha e a dele são uma só.
Emily Brontè

É necessário correr o máximo possível para ficar no mesmo lugar. Se você quer chegar a algum lugar, deve correr pelo menos duas vezes mais.
Coelho Branco


Roubado daqui




segunda-feira, outubro 21, 2002

Está difícil sem ele.

Yara, mulher do Juca Chaves, se tornou meu ícone quando deu uma entrevista para uma revista qualquer dizendo que certa feita conversava com o Juca por telefone, ela na Bahia, ele no Rio. Ele desligou dizendo que estava tarde e ela precisava ir dormir. Dez minutos depois, ele recebe um fax dela dizendo:

— Não consigo dormir pq uma metade não fica sem a outra.

Acabei que virei fã daquela mulher, a conheci pessoalmente, conheci o tal aparelho de fax por onde ela fez a mais linda declaração de amor que já vi.

Mas é assim que me sinto. Ontem tentei racionalizar o que era a minha relação com Ele. Pesei rapidamente, num dos poucos momentos de lucidez que consigo, sobre o que ele era realmente. Infiel, não fez faculdade, não entende minhas piadinhas sutis. Esse conjunto de caracteristicas seriam suficientes para derrubar qualquer "pretê". Mas não são suficientes nem para arranhá-lo.

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Acho que amar é sinônimo de admirar. Quanto mais se admira, mais se ama. Admira-se desde o cabelo até a competência profissional, passando pelo empenho espiritual, pela afinidade com crianças, pela receita de jujubas douradas, POR QUALQUER MOTIVO. Sem admiração não existe amor. E é assim: quando os defeitos passam a pesar mais que as qualidades, quando a lista de admiração diminui, o amor reduz/acaba. E eu admiro esse homem de uma maneira quase estúpida, burra. Eu admiro seus antecedentes, sua vida profissional, sua calma, sua mansidão, seu modo doce de conseguir as coisas... E acho que é o tipo de admiração que nunca vai passar, pq ele nunca vai deixar de ser o homem que é

É tão louco sentir isso tudo, mas ele me completa. Sem a minha metade não aquieto, não sossego o coração.

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Final de semana exemplar. Mais um desses, comendo desse jeito, e eu vou ter que pedir a saia da minha irmã emprestada para emendar na minha... Mas valeu cada minuto. Destaque para a caruara de fome no caminho para Itapoan no domingo de manhã...

— Rê, eu estou com fome!
— Ah, menina, quando chegar lá vc come alguma coisinha...
— Rê, é muita fome!
— Mas lá...
— Rê, EU ESTOU TREMENDO DE FOME!

Só comi lá, mesmo. Pouca coisa eu me lembro depois de ter sentido os braços formigarem e ficarem dormentes...

domingo, outubro 20, 2002

Risos. Praia. Queijo coalho com melaço. Paralamas do Sucesso cantando "De Música Ligeira". Pasta de gorgonzola. Chuveiro quentinho. Saudades. Saudades enormes. Piscina. Malibu. Boteco do França. Gargalhadas. Toalha de mesa como cobertor. Air drumm. Protetor solar. Mais saudades. Fonte. Um pouquinho de tristeza. Coca Light. Decupagem de curta.

Sábado. Porque ontem foi sábado.

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Os amores das outras pessoas são sempre mais fáceis e menos saborosos que os nossos.

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Um pedido aos meus 11 leitores: façam uma prece por mim nesta próxima semana. Vou tentar dar uma guinada na vida.

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Um mês. Se eu parar e olhar pra trás, vai parecer um ano, uma vida. Mas tem só um mês. Ou a minha noção de tempo está completamente equivocada, ou os dias estão se arrastando.

De toda sorte, um mês. Deixem os parabéns pra um dia mais adequado.



sexta-feira, outubro 18, 2002

Pulamos da incrível marca dos 2' 30" para os 12' 56", divididos em dois tempos. Acho que ele é um celular da OI: mudaram o chip, mudaram as configurações, mas o shape é o mesmo. Obrigada, meu Deus, por fazer melhor a cada dia o que sempre, sempre foi muito bom!

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Eu não sei se espero demais das pessoas ou se elas realmente não me dão o que peço e preciso. Sigh...

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Preciso tomar um porre Dele. Um porre é exagerar nas quantidades do que quer que você esteja ingerindo. É deixar que a substância te satisfaça. É caprichar na dose, é usar demais, é ter em abundância.

Quero um porre Dele. Quero ter demais Dele, quero embebedar naquele gosto, naquele cheiro. Quero ficar tonta e cair naqueles braços, encostar a cabeça no peito dele pra ver o mundo girar em segurança.

Mas o porre não vem sozinho. Depois do porre vem a ressaca. É um enjôo que não passa, uma dor de cabeça sem fim, e parafraseando L.F. Veríssimo, "Ressaca de licor de ovos. Um dos poucos casos em que a lei brasileira permite a eutanásia." Nem só de licor de ovos. Qualquer ressaca deveria ser um passaporte para a morte merecida.

E é por causa da ressaca que quero o porre. Quero ter tanto dele em mim que eu enjoe. Quero olhar pra ele e sentir o meu estômago se revoltando. Quero ter horror a ele. Quero nunca mais precisar dele como preciso agora. Não posso e não quero mais depender desse homem. Meu corpo não pode me trair desse jeito. O coração não tem o direito de martelar tão forte na antecipação de um prazer. Não quero acordar e continuar sonhando com os beijos dele. Quero pensar nele e sentir repulsa. Ou como Veríssimo e a garrafa de rum: "Não sei o que a cuba-libre fez com meu organismo, mas até hoje quando vejo uma garrafa de rum os dedos do meu pé encolhem."

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E rezar para que depois da ressaca, nunca, nunca mais sentir vontade de me embebedar dele. Rezar para não ter deixado o vício fugir ao meu controle.

"Jurava que nunca mais ia beber, mas, antes dos trinta, "nunca mais" dura pouco. Ou então o próximo sábado custava tanto a chegar que parecia mesmo uma eternidade."

Luís Fernando Veríssimo - Ressaca

quinta-feira, outubro 17, 2002

Nunca, nunca, em tempo algum, vai existir uma mulher que te ame, que tenha te amado, ou vá te amar mais do que eu.

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Felipe tem sua coleção pessoal de maluquinhos. Nunca houve um dia em que tivessemos parado num posto de gsaolina pra uma cerveja em que não encostasse um... Essa noite não foi diferente. Bira, um carinha que diz que voltou há 5 dias dos Estados Unidos. Eu, no meu inglês castiço, perguntei quanto tempo ele tinha vivido lá. Pergunta simples. E ele... ELE NÃO ENTENDEU O QUE EU ESTAVA FALANDO!

De toda sorte... Domingo tem churrasco na casa do Bira. E o Felipe cismou que vai. E a Dani cismou que vai também.

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Zeba, que presente essa noite!

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"Zé Pequeno o caralho, meu nome é Zé Grande!"

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E o amor nunca teve uma casa definida. Morava de favor aqui, ora ali. Nunca teve um lugar onde pudesse arriar seus alfarrábios e dizer:

— Esse é o MEU lugar!

Sempre vagou, levado pelo sabor do vento, que se aproveitava da sua angústia para conduzi-lo a pastagens outras.

O amor cansou. O amor precisa agora de um porto de registro, para onde possa voltar quando pegar um mar 9, pra quando precisar fugir. Pra quando precisar voltar.

E a gente sempre precisa voltar. O mundo é muito bacana, mas de que servem todas aquelas cores atraentes quando o nosso vermelho (pq eu adoro vermelho!) está tão longe?

E eu não sou exceção: preciso voltar. Não sei pra qual porto, pra qual bandeira, pra qual amor. Mas eu cansei de explorar os meandros da insensatez, estou aborrecida com a inconstância dos pieres nos quais atraco meu amor. Preciso parar. Mas aonde?

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Pela primeira vez a idéia de engravidar foi promovida. Passou da categoria de "Indesejada" para "Não-Planejada". E isso faz toda a diferença.

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Quinta-feira gloriosa. Ponto.

Simples assim.

Detalhes sórdidos depois...


quarta-feira, outubro 16, 2002

Estou há uns 20 minutos tentando montar um roteiro com final feliz. Não estou conseguindo. Já mudei a locação 4 vezes, já demiti o diretor de fotografia, o ator principal ora entrou só em off, ora gravou do início ao fim.

Tá, pra escrever e dirigir essa história só tenho uma exigência na equipe: meu diretor de fotografia preferido!

Atendidas as minhas reivindicações, amanhã eu entrego o roteiro pronto.

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Nando Reis, em Relicário, canta divinamente... igualzinho à Marisa Monte...

terça-feira, outubro 15, 2002

Esse tem endereço:

De que adianta tanta cultura, tanta retórica, se não existe vestígio de maturidade emocional? De nada vai te valer tudo isso enquanto for escravo de substâncias outras para tomar coragem e ser homem.

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Ai, que delícia ser desaforada...

Eu sempre quis ter um closet.

Depois que a minha irmã mais nova se mudou de quarto, passou a habitar sozinha a library, fiquei eu e Miriam Lane dividindo o mesmo quarto. Como nunca me adaptei a dormir numa cama baixa, continuei no beliche. A cama de baixo ficou vaga.

Ei, isso pode virar um closet!!!

E virou. Tenho mais roupas na cama de baixo do que no armário. Retificando: atualmente tenho mais roupa no chão do que no armário e na cama debaixo. Por que será?

Porque eu tenho uma daschund enlouquecida, a Nana, que tem pelo menos 3 crises de gravidez psicológica por ano! Adivinha onde ela resolveu fazer ninho dessa vez? Biduuuuu: minha cama-closet!

Nana nunca foi o cachorro mais doce do mundo. Daschund, mas jura que é rotweiller. Com gravidez psicológica, então, vira Cérbero, a guardiã do inferno.

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Dessa vez ainda tivemos a sorte de não nos tornarmos seus filhotes. Sim, pq todas as vezes ala acha que é minha mãe e mãe do meu pai. Meu Deus, sou neta da minha genitora! Além de mim e do meu pai, ela costuma "parir" uma fauna: um hot dog de borracha, um dinossauro cor de rosa, um urso cor de abóbora, um fusca de língua de fora. Meus irmãos.

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Tenho medo de um dia me apaixonar por um carinha que volta e meia passeia pela minha órbita.

Aliás, acordei pensando nele, coisa rara, e há dias venho nutrindo certa admiração e respeito. Bem, a confissão: sim, tenho medo da reação de meio mundo. E talvez essa tenha sido a coisa mais estranha que já proferi.

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Colagem de diálogos

— Vc conhece Fulano?
— Fulaninho? Aquele que não faz aérea, que não faz imagens com carro em movimento (MENTIRA!!!)? Claro que conheço!
Ouve-se outra voz:
— Fulaninho???? Trabalhei com ele na "Não-sei-quê Filmes", fiz varejo para o supermercado "Antônimo" com ele na fotografia...
Uma voz de barítono se intromete:
— Excelente na fotografia, mas o forte dele é o áudio. Já fez meus áudios em várias campanhas.
Uma voz feminina:
— Vc já fez campanha com Fulaninho? Eu já fiz umas duas com ele, é muito bom.


E a conversa segue. Foram boas as referências profissionais; serviram para que eu me sentisse mais próxima. Mas eu descobri que ninguém conhece o Fulano. Conhecem o Fulaninho, não o homem. O homem não é um diminutivo. O homem que eu conheço tem nome e sobrenome.

segunda-feira, outubro 14, 2002

Puts... Por que é que ele faz isso comigo?

Jornal O Globo

— O que é pior nessa história toda?

— O pior é deixar de me ver no espelho dos olhos dele — Sarita nem pensou na resposta. Estava pronta, à espreita. — Deixar de enxergar as coisas boas que ele via em mim — ela passou para trás da cadeira, fugiu de meu ângulo de visão e tentei adivinhar o que lhe ia pelo coração, através das modulações da voz.

O pior é acreditar que a gente não é capaz — ela quase sussurrou. — Fiz tudo o que se pode fazer, quis morrer de fome, enlouqueci, arrastei a cama pra porta do quarto, pra evitar que ele escapulisse na calada da noite, cantei meus boleros, tomei remédio pra dormir — tomo remédio pra dormir — engordei, emagreci, pensei em morte, pensei que tudo podia voltar a ser como antes, depois, percebi que já não conseguia ver nada no espelho dos olhos dele, a não ser o meu próprio avesso.

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Eu devia passar a assinar Sarita.

"Se o hipotálamo for muito desenvolvido, a criança pode crescer muito"
"O célebro..."
"Um exemplo de deficiência hormonal? Quando a menina engravida muito cedo"
"Sistema endócrino é um neurônio que lança produtos para fora do corpo"
"Explique pq o sistema nervoso se assemelha a uma rede de computadores:
— Pq quando a gente fica nervoso envia um monte de informações para o cérebro"
"A função do neurônio é obedecer a todas as vontades do cérebro"


O que é isso? O pequeno teatro de horrores, ou minha irmã corrigindo provas na mesa atrás de mim...

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Nick Cave nunca apareceu na minha seleção randômica do winamp. Até hj. Só na última hora eu o ouvi 2 vezes... Se isso for um sinal, alguém me ajuda a interpretar?

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Neruda...

"Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
Te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Senão assim deste modo que não sou nem és,
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
Antes de amar-te, amor, nada era meu."


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E lá vou eu de novo, caminhando em linha reta, com os olhos fechados. Que espécie de ser humano chegamais longe sem enxergar do que analisando cada centímentro do caminho com os olhos míopes?

O mundo é uma ervilha!

11 anos depois... FIQUEI COM O ANJINHO LOURINHO!

E eu garanto que valeu esperar cada dia... Que homem doce, que homem atencioso, bem humorado, que companhia deliciosa!

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O outro que se cuide. Me perder ou não é uma decisão dele.

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Disparar os tiros de empreego amanhã. Façam suas preces e apostas.


sexta-feira, outubro 11, 2002

Criatura estranha. Estou na balada desde segunda feira. Hj é sexta e estou em casa, sem as lentes, já, e acabei de perder o saco pra sair.

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Estou numa das maiores crises de sinceridade que já tive. Estou dizendo tudo na lata, ou me ressentindo com motivos claros, ou mandando neguinho se foder fácil.

Isso é péssimo apra o relacionamento com os outros seres humanos... Mas sou eu. Quem quiser levar, tem que ser o pacote completo.

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Bem, continuo aqui. Sinal de quem ninguém quis.

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Isso é que dá arranjar um namorado complicado. Sexta feira a noite em casa, esperando o Globo Repórter. Mas não é queixa, viu, Deus? É só constatação.

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FEBRE


O calor aquece o corpo e garante que haja sempre energia e movimento de transformação...

O calor modela o que se apresenta rígido.
O fogo nos aquece em uma forja amorosa que
nos permite desenvolver novas formas.

O calor no corpo traduz, em expansão, o que já construímos
como matéria física concreta.
A febre é uma forma alternativa de experienciação
dos processos de crescimento e de unificação
do indivíduo.

É no calor que vivemos a
expressão e o acolhimento.
A febre traz à tona o Amor que necessitamos
para acolher o novo em que nos transformamos!

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Minha última febre foi há um mês. Foi o período das minhas mudanças. A febre precedeu o sucesso. Foi o corpo se adaptando às novidades que vão se estabelecer na minha vida.




Eu surpreendi o sol antes de o sol raiar
Estou saltando as noites sem me refazer...

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Praia agora! 1ª Chamada.

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Minha resistência ao "visquinho" está cada dia melhor. Cinco, CINCO doses ontem à noite. E olha que eu estava exausta, sem dormir há dias. Uma cochilada, ou uma "carga rápida" só pra poder badalar. E mesmo assim resisti bravamente à overdose alcoolica de ontem.

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Só ele pra me tirar de casa ontem. Caracas, como eu estava cansada! Mas um telefonema me chacoalhou:

— Você VAI comigo!!! E não tem discussão!

Ai, como adoro esses homens que mandam na minha vida! Como eu estava cansada de mandar na vida dos outros, de empurrar todo mundo pra frente, de convidar e insistir pra sair. Esse de ontem e o irmão dele, por exemplo, controlam a minha vida de uma maneira deliciosa, do bem. Controlam os horários dos meus remédios, os meus horários pessoais, se comi ou não, e se comi bem... O Taurino é outro que me conduz na rédea.

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Há anos eu morei com 3 mineiros e um soteropolitano. Todos juntos, era uma delícia. Nesse período eu descobri que somos, mulheres e homems, somos diferentes, sim, e que não é desmérito nenhum sentir prazer em cozinhar para os homens da casa. Eu não carregava um saco de supermercado. Algumas vezes eles ficavam assistindo ao futebol pela televisão e me pediam alguma coisa pra comer. E eu tinha um prazer tão grande em ir pra cozinha...

Adorava aquela atenção masculina. Não sou da geração feminista, que acha que mulher é melhor em tudo. Somos todos bons, cada um de uma maneira diferente. Não se pode negar a superioridade física masculina, mas tb não se pode negar que mulheres têm um senso de proteção maior que o dos homens.

Se a maneira que eles tinham de cuidar de mim era carregando pacotes de compras, a minha maneira de mimá-los era cozinhando. Isso é que é legal: é você dar o que tem de melhor pro outro. A minha maneira de dar amor era indo pra cozinha e brigando com aquele fogão do demo, fazendo picadinho, purê de batatas, feijão, fazendo no domingo coisas que não estavam no nosso cardápio de todo dia. Estávamos todos longe de casa, todos comendo mal pra caramba, todos com um volume de trabalho acima da média.

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Cozinhar é a maior das magias. Não é simplesmente jogar um monte de coisas na panela e mexer. É pegar um punhado de comida crua e transformar num motivo para estar juntos, para rir de piadas lembradas e histórias contadas, é compartilhar. Por isso lembro com tanto carinhod aqueles dias nem tão leais assim. Comer era um ritual.

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Praia agora! 2ª Chamada.


Exausta. Uma semana inteira de ócio criativo, com uma pausa de criatividade produtiva ("Deu$ também é Neoliberal" em fortíssimo ritmo de pré-produção), cercada de dor por todos os lados. Foi foda ver um romance tão inusitado naufragando. Mas a história na qual não apostava nem um caracol está rolando.

Aquele homem. Ah, Deus, obrigada por esse homem enrolado, complicado, saboroso, valioso, especial. Obrigada por ter me mostrado que EU POSSO!!!

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Dick Dale não usava distorção. Naquele tempo ele usava apenas as caixas valvuladas(hã???). Palavra de quem manja...

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Seria muito fácil me apaixonar por ele... Quer dizer... Bom, na verdade não estou apaixonada. Meu corpo é que precisa do dele por perto. Não meu coração.

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Que seja doce, que seja doce, que seja doce...

quarta-feira, outubro 09, 2002

— Alguém anotou a placa da patrola que passou por cima de mim?

— Não, eu só vi o motorista, que estava de boné e óculos escuros...

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Funcionou. Doce. Feliz? Quase. Falta pouco.

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Que o outro lá seja feliz. Estou feliz do lado de cá. Um telefonema que não me dizia nada me deixou feliz para caramba.

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E afinal, a pergunta que não quer calar: Dick Dale usava distorção?

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Sorrisinho idiota na cara que está olhando tudo lá do cantinho...

terça-feira, outubro 08, 2002

Estou vivendo um caso de amor com Dick Dale.

Sempre fui louca pelo estilo precursor dos Centurions, mas depois que o Taurino me contou a origem da guitarra acelerada da surf music, juntei uma coisa com a outra e cai de cabeça no mundo do spaccatto.
Já devo estar na décima música baixada, e ouvindo uma atrás da outra.

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Maldito. Tomara que broxe com as próximas 30 mulheres que levar pra cama. Epa, tem que ser mais, senão a maldição só vai durar uma semana....
Epa, e se for comigo? Tá, tomara que broxe com as próximas 60 mulheres que levar pra cama, com exceção de mim.

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Quando a gente consegue rir da própria miséria, é um excelente sinal...

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Que seja doce, que seja doce, que seja doce!