quinta-feira, julho 31, 2003

Ao telefone...

Saio da cama para o banho, do chuveiro para o quarto, do quarto para os braços da noite. Noite, que começou com aqueles três números mágicos olhando pra mim do bina. Amigo querido que ligava, "coléeee, Dani"!

Eu, amiga de bancos de ônibus, ganhei um presente enorme do meu amigo de dias amanhecidos, feira de interior, conversas partilhadas. Amigo querido, trazido pelos ventos frios de junho, homem admirável, sólido de caráter, sólido de alma. Ele, companheiro de caminhadas pela única rua da cidade mínima.

Amigo viajante a ligar para uma amiga viajandona. Nós, seres nômades, que deixamos pedaços de coração espalhados em todos os cantos por onde passamos. Nós, cansados: cansados de rodar, cansados dos quilômetros que deixamos para trás, dos quilômetros que ainda vêm. Nós, amigos de estrada, cansados de ver a vida correndo pelas janelas dos ônibus, ficando pendurada em cada placa do caminho.

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Cão espiritualizado

Quarta feira é dia de Evangelho no lar aqui em casa. Feita a leitura, papai e Helga saem distribuindo a água fluidificada pelos viventes desta toca. E não é que a Mabs fica indócil enquanto não recebe o seu copinho com água? E hoje, como cheguei mais tarde, minha dose ficou guardada. Algas trouxe para mim, e lá vem a cachorra kardecista pedir a minha porção de aguinha do bem!

— Sai, Mabel, que a sua você já bebeu!

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