sexta-feira, agosto 22, 2003

Está mais dolorido do que poderia ser na verdade.

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— ... então não toma Prozac. Vou precisar das suas lágrimas...

Minhas lágrimas são suas, homem que eu amo. Minhas lágrimas são suas, meus sinos dobram por você. O meu remedinho só está potencializando o que me é custoso de sentir. Minhas lágrimas insistem em se agrupar na borda do meu olho desde ontem, minuto congelado no dia.

— É só uma questão de tempo. Vou embora.

E como vou ser sem você? Ser, do verbo mesmo. Existir. Como? Como é que se se vive sem um pedaço do coração? Como serei sem minha melhor parte, sem um dos dois homens que têm o melhor de mim? E as fotos que ainda faltam ser tiradas? E as risadas que ainda faltam ecoar pelas noites? E o que eu vou dizer pros discos voadores quando eles vierem chorar no nosso ombro? Quem vai me beijar embaixo da chuva, sob uma luz de mercúrio, sentados entre terra e mar?

O roteiro da história era feliz. Tinha você, tinha eu, uma história que corria em paralelo ao mundo cruel e chatinho. Eu tinha tanto do meu mundinho pra te mostrar. Com que sinal gráfico eu termino esse capítulo? Ponto final? Ponto, e um parágrafo seguinte? Exclamação, mas seguida de que? Interrogação? Prefiro terminar com reticências, três lagriminhas no papel que deixam subentendido que a história não tem fim...

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E quem vai secar as minhas lágrimas que despencam? Quem vai me abraçar e dizer que está tudo bem? Quem vai cuidar de mim até que os soluços do choro parem de sacudir o meu corpo?

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