domingo, junho 15, 2003

Ônibus. Óculos. Música. Água.

Uh... testando os acentos, né?
Amanha é o meu aniversario!

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Dia de muito, véspera de coisa de coisa nenhuma: dormi antes das onze, ontem...

sábado, junho 14, 2003

Entusiasmo

— Bibia, o que você vai fazer no shopping?
— Tomar "gualana" e brincar no pula pula pula!


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Impressionante como sempre dou um jeito de me meter numa briga de futebol...

No Mercado Modelo, fui atras de uma camisa do Brasil para gravar as cabeças do programa, e acabei batendo boca com um vendedor torcedor do Cruzeiro. No Pelourinho, esperava o final das gravaçoes com os Filhos de Gandhy, e terminei com o meu sorriso irônico estampado na cara:

Ele: — ... tinha camisa do Vasco até no estadio da Copa do Japao. Vai ver se tinha camisa do Vitoria ou do Baêa...
Eu: — Vascaino usa a camisa do time no Japao porque la ninguém conhece, e fica mais dificil de passar vergonha...


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Ah, é porque eu apostei cerveja com uns caras do Bistrô em cima do resultado do bahia e Vitoria de amanha. Droga, devia ter apostado no Galo contra a Raposa, amanha!

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sim, eu ADORO Kubanacan. Alias, ADORO as novelas do Carlos Lombardi. gosto dos dialogos rapidos, das sacadas, da maneira como ele transforma simbolos sexuais em atabalhoados personagens, e vice-versa. Ele é o autor que eu quero ser.

Meus compromissos sao marcados todos para depois de Kubanacan, e foi com prazer que passei uma boa hora comentando aspectos técnicos, roteiros, interpretaçoes e cenarios com o meu amigo geminiano, na ultima quinta.

Vida longa à Adriana Esteves, ao Vladimir Brichta, ao Bruno Garcia (ai, ai...), ao Lombardi, ao Wolf Maia. Para fazer uma trama dessas tem que ter estofo.

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Sera que ele vai reconhecer todo o amor que imprimi nas palavras que escrevi para ele? Sera que ele vai reconhecer o esforço de duas horas para compor três paragrafos? Sera que ele vai sentir o gosto da saudade que sinto, da confusao que me enfiei? Sera que ele vai perceber que passei uma hora inteira para escrever a linha de subject? Sera que lembrou de mim como cançao de amor? Sera que ele vai perceber que estou negando que o quero, que acho essa relaçao impossivel, que nao pronuncio o seu nome nem para amigos mais intimos? Sera que ele pensou em mim quando ouviu aquela musica? Sera que ele teve tanta saudade de mim quanto senti dele?

Noite desassossegada, feliz. Perdi o trem do espetaculo, mas engatei no vagao da vontade e segui adiante. Alcancei os sonhos, alcancei a firmeza. Eles estavam andando devagar, nos trilhos da incerteza. Quase esperando por mim.

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Daqui a pouco eu faço uma "orelha" para este selo ai do lado.

sexta-feira, junho 13, 2003

Final de inferno astral (produtivissimo!)

Raiva. Frustraçao. Inveja.

Sim, tenho sentimentos vis, e me orgulho de cada um deles. Tenho orgulho porque fazem parte de mim, porque nao sou perfeita, porque sou humana, porque me aceito como sou.

Trato cada um desses itens com carinho. Cansei de cultivar — em vao — somente os bons sentimentos, tentando me transformar numa super humana. Nao sou. Sou defeituosa, e faltando 3 dias para o meu aniversario, constato que é um pouco tarde para tentar trocar na fabrica.

Essa postura da idiotinha em busca da elevaçao espiritual cansou. Quero, sim, retorno de energias ruins que me sao dirigidas. Quero, sim, que Fulano se exploda, que caia o pau de Sicrano, que tudo va pelos ares e que sobre somente eu, dançando como louca por cima dos escombros fumegantes.

Sou muito boa para dar conselhos... e so! Nao sigo minhas proprias diretrizes, desrespeito o MEU codigo de conduta, o meu manual do bem-viver. Esse joguinho de Polyanna, de ficar desculpando todo mundo que me ofende, encheu o saco! Se me sacaneou, nao é porque Marte estava num mau aspecto com Saturno, ou porque Plutao teve a rota alterada pelo Hubble: é porque é um bom filho da puta, mesmo! Por que eu sou escrota quando piso na bola, e os outros sao "desfavorecidos pelo astral"?

Vou deixar doer quando magoarem, vou xingar quando for ofendida, vou reagir quando for da minha conveniência. Em aproveitando os passos errados que dei no passado, vou meter as caras e continuar a fazer aquilo que acredito. Se é pra fazer merda, vamos fazer assumindo, e nao fazendo cara de coitadinha no final, de protagonista a figurante no proprio filme.

quinta-feira, junho 12, 2003

O que essa moça escreve é sempre lindo. Mas o que ela escreveu hoje é de uma lucidez — e me identifico tanto...

o topo
Uma das dúvidas mais cruéis da minha vida é:
Quando se chega no topo, o que vem depois?


Saí de casa aos 20 anos, um ano depois de virar mulher, para viver sozinha, por minha própria conta e risco. Aquela mania de ser independente e abrir mão do carro do papai, piscina do prédio e da comidinha da mamãe e máquina de lavar e bolo de cenoura.

Só tinha um pensamento na minha cabeça: subir, subir, subir e chegar no topo.

Passei então a encarar sozinha o que eu chamo de projeto-mor da felicidade: meu trabalho. Sempre quis chegar num momento onde as minhas idéias seriam ouvidas, eu teria reconhecimento, eu seria procurada, eu seria lembrada como a filha da puta que criou aquela comunicação foda e que deu certo e trouxe resultados e que revolucionou e todo mundo babou de inveja e eu lá em cima do topo dando tchauzinho e desprezando qualquer outro designer infeliz que pudesse se imaginar melhor que eu.

Fiz um bons trabalhos, tive ótimas idéias, trabalhei cinco anos feito camela, muitos tapas na cara, muitos esnobes, muitas noites sem sono e muitas transas que deixei de fazer por causa do meu envolvimento com o trabalho e com a perfeição de tudo o que eu conseguisse criar. Revolucionei, vi resultados, bateram palmas pra mim e lá estava eu sendo requisitada para projetos cada vez mais importantes, como nunca tinha sido antes. Depois de tudo isso, cheguei a conclusão que havia chegado no topo. Não o topo de um Everest, mas o topo que deveria estar neste momento, com a minha idade, com a minha experiência. O topinho-baby do topo-papis.

Acontece que chega um momento depois das medalhas e taças, que é o momento pra reciclar, renovar, repensar... e eu não tive esse momento. Começa dia, termina dia e eu aqui, nessa mesa infame, queimando calorias cerebrais, com os olhos esbugalhados, uma pac-girl engolindo todos os projetos sem mastigar. E claro, um projeto indigesto se alojou no meu estômago e toda vez que eu abro a boca ele diz: vá pra casa, suas idéias acabaram, você não tem mais criatividade! Você vai ter que me englolir!

Agora, quase meia-noite, véspera do dia dos namorados, estou sozinha na mesa (convertida em playcenter) de trabalho, e o barulho do ar-condicionado, pedi um disk-hamburguer-e-coca que já comi e estou tentando encontrar uma lâmpada mágica com um gênio que vai atender ao meu desejo e me dar idéias geniais e vou fazer um lance maravilhoso e amanhã às nove horas da manhã quando todos os chefes e clientes chegarem, eu terei o belíssimo trabalho prontinho pousado sobre suas mesas.

E depois disso, eu às nove e meia, exausta e com o cérebro latejante e palpitações e mãos pegajosas e testa enrugada de tanto pensar, rastejando para o taxi na próxima esquina, rumo ao meu lar-doce-lar para dormir por centenas de horas, perdendo o dia dos namorados e lamentando não ter o namorado nesse dia nem nos próximos. E dormir com a sensação de ter esquecido a minha suposta vida pessoal em algum lugar por aí... Mas feliz pois apesar de tudo, o meu trabalho vai estar maravilhoso e no dia seguinte, a sexta-feira 13, vão me dar tapinha nas costas pelo grande feito da semana e vão me desejar um maravilhoso fim-de-semana, mesmo eu sabendo que na segunda-feira tudo vai se repetir, que a cada semana eu envelheço mais cinco anos.

Por que não fui escolher outra profissão, oh my god???
Sei lá, qualquer coisa, dentista, bailarina, garçonete, esposa, professora...


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E depois de uma meia duzia de telefonemas da empresa pra qual prestei serviço no último mes, fica mais facil de perguntar: já que a vida profissional redundou nessa bosta, QUE MERDA FOI QUE EU FIZ DA MINHA VIDA PESSOAL?

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Vou vomitar minha frustraçao profissional ali e volto. E nem passe perto: nao vou desviar se respingar em voce!
Abstraiamos este dia inglorio! Esqueçamos todas as cançoes ridiculas de amor, a enorme quantidade de coraçoes pendurados pela cidade. Ignoremos todos os casais que arrulham como pombos pelas ruas. Morram, oh, filhos das trevas!

Sem nenhum rancor desta que passa mais um ano fazendo freelancer emocional no dia dos Namorados.

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Fiz, fiz, até que consegui uma alergia à tonelada de chocolate que consumi ontem. Dei de presente para mim mesma uma quantidade obscena de açucar. Presente de namorados, autoflagelo, satisfaçao instantanea, escolha!

Se hoje for uma copia de ontem, domingo ja atingi a obesidade morbida. Ja imaginou uma paquiderme toda cheia de bolinhas de alergia? Que fofura!

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Hoje nao ouço nenhuma musiquinha melosa! Vou me dedicar aos "United States of Whatever", "Hino do Fluminense", aos meus 40 episodios de "Jackass", aos desenhos da "Pantera Cor-de-Rosa"... Ops, a Pantera nao, a Pantera nao...

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Musicas terminantemente proibidas:

.Kiss the rain, da Billie Myers (sei que você tem horror a ela, Carol, mas essa m?sica...)
.Come together, Beatles (eu corro, corro e nao escapo)
.Only you, do Portishead (alias, NENHUMA do Portishead)
.Enredo do meu samba, Sandra de S? (forbidden love)
.All Star, Eller

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Wish lit: 2? parte

.um greyhound
.uma Revo Styler
.uma bolsa de estudos para o Alaska (juro!)
.uma tatuagem (ou duas)
.um piercing (ou dois)
.uma tarde de compras na Adidas Store
.uma DVPro
.uma semana no EcoResort Praia do Forte (so nele!)
.uma aliança na mao esquerda com o nome do Bonitinho e Nada Ordinario
.um curso de pilotagem de aviao
.uma gaita
.uma moto (nem me venha com as CGs!)
.um curso de francês (e/ou alemao)
.um assinatura da TPM, da VIP, da Turma da Monica e da Turma Disney
.um curso de cinegrafista
.uma bolsa para a faculdade de publicidade ou para cinema
.uma soluçao para as minhas janelas pop up do novo template
.um chopp com a minha irma de alma em Sao Paulo (puts, ela e mais uma galera de pessoas queridas!)
.um emprego que me pague muito bem e que me faça viajar duas (ou quatro) vezes por mês
.ingressos para os shows do American Hi-Fi, Jimmy Eat World, 30 Seconds to Mars, Aliados 13
.um curso de tai chi chuan
.uma festa com a velha guarda do samba partido alto (samba de breque serve)
.um jantar com o meu companheiro de floresta
.o Chico Buarque. Sim, ele mesmo!
.ir pra Chapada acompanhada
.um curso de roteiro com o Lauro Cesar Muniz (ou o Carlos Lombardi)
.uma consulta com um vidente bala
.um convite pra fazer um document?rio em qualquer lugar ex?tico do mundo
.um computador mega turbinado, com Velox, ou acesso via radio
.TV a cabo ou por assinatura com pacote m?ximo
.todos os livros do Stephen King (mas eu posso esperar por varios aniversarios até completar a coleçao)

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— Lady Marmelade! Te flagrei ouvindo Portishead!
— Nao se preocupe! Estou imunizada contra dias dos Namorados!

quarta-feira, junho 11, 2003

Wish list (ou tudo o que eu queria ganhar de presente de aniversario)

.discman com MP3. Acha-se baratinho no Mercado Livre
.carteira de motorista
.livros, varios livros
.casacos
.meu frasco de Prozac
.uma tarde escolhendo roupas num brecho
.tintas para um quadro
.tarot do Deserto
.uma tele para a minha camera
.uma passagem para a Inglaterra
.vaaaaarias camisas de times europeus de futebol
.um notebook
.ta, eu fico feliz com um rocket book (ou um palm)
.um tabuleiro de War
.DVD Ruas de Fogo
.um celular novo (e a conta atrasada paga)
.passagem para Sao Paulo
.carinho já me deixaria bem feliz...
Tenho medo de conseguir postar, e todos os acentos virarem interrogaçao. Acho que vou me mudar daqui... Mas a Ju se mudou e voltou pra casa antiga em três dias...

Tenho certeza de que a culpa é do Dia dos Namorados!
Eu quero que esta porra deste Blogger va para o diabo que o carregue!
Num site de leilao

"Vendo Manual do conquistador de mulheres + Manual da Hipnose"

Eu fico imaginando se o segundo é parte integrante do primeiro e nao pode ser vendido separadamente...

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Ecos do domingo

Ela: — Fulano (que nao vale o pao que o diabo amassou com o casco) melhorou muito!
Eu: — Morreu?!

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SSA/LHR/SSA: R$ 4456,00

Sera que eles têm troco para cinco mil?

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Com a Algas dirigindo, descobri: sou irma de uma caminhoneira!

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Noite dessas...

... cheguei em casa e o pega-ladrao estava passado na porta. La vem a Mabs, recém-acordada, abanando o rabo. Enfio o braço pelo vao da porta, acendo a luz, faço carinho nela.

— Mabs, vai chamar alguém! Vai, Mabs, vai acordar alguém!

La vai a cadela sonada de volta pro quarto. "Aposto que a maré-mansa voltou pra cama"!

La vem Mabel, novamente abanando o rabo... e Miriam Lane, com o bom humor que lhe é peculiar!

— Essa cachorra desavisada subiu na cama e ficou me cutucando até eu acordar e levantar da cama!

Revi meus conceitos em relaçao à Mabs...

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Quero que todos os casais de namorados morram! Para alguns eu recomendo uma morte mais... uh... trabalhada?

terça-feira, junho 10, 2003

Da série "Menina Antenada"

Ha coisinha de um mês (ja?), eu vinha no carro com um homem a quem admiro estupidamente, ouvindo um cd gravado por ele. O cd era no melhor estilo Daniela: banzé no velho oeste total, com todos os ritmos ja lançados mandando sua colaboraçao. Depois de ouvir Boi de Haxixe, que fazia um tempao que eu nao escutava — e que sempre fez parte das "3 mais" do segundo cd do Zeca Baleiro —, começou a tocar "Enredo do meu samba", musica que amo, que povoa minha fortuna infantil. Oooooobvio que eu nao cantarolei outra coisa no ultimo mês, e qual a minha surpresa quando vejo que ela esta voltando a ser hit! Mais um ponto para essa menina de visao!

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"Enredo do meu samba" foi tema de uma novela chamada Partido Alto, exibida pela globo em 1984. Memoria violenta e inutil, né?

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O mar estava cinzaverdeazul, e a traineira ignorava as ondas para poder chegar. Mar de ressaca nos da esses presentes, às vezes...

segunda-feira, junho 09, 2003

Uma das mais lindas maneiras de se distribuir amor é cozinhando. Você pega um punhado cru, feio, seco, e transforma num bom motivo para estar juntos, num pretexto para celebrar.

Ele, além de especial, além de doce, de sensivel, além disso tudo, ainda cozinha. Mas nao é um cozinhar qualquer. E um cozinhar com amor. Nao um amor qualquer: muito amor.

Cada garfada na pasta ao pesto deixava evidente o carinho com que foi feito. Festa para o paladar, festa para os olhos, que foram presenteados com as cores fortes e os tons pastéis de uma salada, explodindo nos seus vermelhos, verdes e amarelos.

Domingo que nasceu cinzento, dia cujo azul do céu se rendeu e veio comemorar conosco. Tarde que pôs a ressaca a nocaute, que elevou a alma, que fez rir, que agregou. Domingo que terminou com açucar e mais afeto: torta que prometia um conforto para as papilas, e que nos presenteou com um sabor levemente acre. Boa surpresa para a lingua, que esperava a suavidade do chocolate, sem nunca imaginar que o azedinho do limao pudesse estar por perto.

Sabores dispares que formavam combinaçoes surpreendentes, e acredite: nao estou so falando da torta de limao com chocolate. Estou falando de gente, de pessoas de fés, cidades e profissoes diferentes entre si, mas que funcionam como uma boa receita: junte todos os ingredientes, misture delicadamente, va para o canto da sala e aguarde. O resultado é o que se viu ontem: uma massa de gente feliz, crescendo. Como uma boa massa de pao.

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Tarot na casa da minha Valkiria Ruiva. Escolhas, decisoes, e as cartas voaram ao vento, levando junto meu calor, meu endereço. Noite de mulheres fortes, de mulheres sensiveis, de volta pra casa em 80 minutos. Jogo anotado, porque algo no sistema elétrico-emocional da minha "biomachine" entrou em curto: nao me lembro de uma virgula do que foi dito de especifico.

Voltei pra casa flanando, livre do peso que me ia nas costas. Carregada pelo vento frio, braços dados com a delicia, ombros desnudos, e nao é que essa temperatura amena esta uma delicia? Cinco minutos de caminhada, e o dia foi passado em revista, ja com uma ponta de saudades. A conversa no corredor do prédio, com as risadas multiplicadas por dez pelo eco das paredes; o vinho tomado na mesma taça, partilha de amor; o clip da receita na televisao; "you can dance, you can jive, having the time of your life". Having our time.

Onibus, casa, welcome to the jungle, baby. Se nem tudo pode ser perfeito, deixei que voltar para a "casa dos outros" fosse o anticlimax do dia. E mesmo assim resolvi na me deixar abater: inspirada pela cozinha amorosa dele, me presenteei com o melhor creme de feijao que posso ter feito um dia. Feijoes, que ativam o nosso centro das vontades. Feijoes, que me devolveram os sonhos bons de um dia real.

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Hora de colocar a vida em ordem. Hora de passar o defrag no HD pessoal, recolocar as pessoas em seus devidos clusters. Cada macaco no seu galho, para acabar com o lirismo hi-tech. Chega de energias conflitantes, de pessoas que nos vampirizam, de pessoas que querem que Daniela se exploda pra poder comer churrasco de palhaça.

Chega! Pessoas queridas, vamos fazendo fila para a distribuiçao pelos grupos. Para o grupo de amigos, fila da direita. Para o grupo de familia, nao peguem fila: façam um bolinho de pessoas ai no canto que a gente ja conversa. Contatos profissionais, caminhem em linha reta até a beira do precipicio. Nao, so parem de caminhar quando eu mandar.

— Ainda estao me ouviiiiiindo?
— Hein??????
— Parem agooooora!
— Heeiiiiiiiiiiiiiin...


Ploft.

Bom, eu avisei que podia parar...

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Para o dono desse blog saborosissimo : ja deu tempo para passar a vida a limpo umas três vezes.

Volta, Herbert, volta! Seu texto é delicioso!

domingo, junho 08, 2003

Que nota se dá para uma criatura que chega em casa às 4 da manhã, cantarolando que "Não entendi o enredo desse samba, amor. Já desfilei na passarela do seu coração", como se a felicidade tivesse sido inventada só pra ela?

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Conclusões de botequim

(Por menos botequim que o programa de hoje fosse!)

Coloquei os dois na balança hoje. O terceiro e o quarto não: um não me serviria nem vivendo três vida; o outro... o outro... Bom, deixa pra lá.

Coloquei dois no paredão hoje. "Qual dos dois, Daniela"? Um segundo de hesitação, e a cultura venceu o dinheiro! Parece meio reducionista, mas a verdade é que nada substitui uma citação a Stanislaw Ponte Preta. Não anulo o primeiro pelo segundo, nem pelo terceiro, talvez pelo quarto. Mas o segundo, e sua sensibilidade, sua cumplicidade, seu savoir faire... Cachaças entornadas juntos, o chopp combinado, "Você é malandra?", "Come Together", a mesa escolhida...

Pronto, acabou o "Momento Hello Kitty".

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"I think now, looking back..."

E não é que estávamos sempre próximos um do outro?

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"Gastei a subvenção
Do amor que você me entregou
Passei pro segundo grupo
E com razão..."


Enredo do meu samba - Sandra de Sá

sábado, junho 07, 2003

O signo não é meu, mas...

Leia três vezes em voz alta.

"O passado não é infalível, tudo pode ser mudado, o passado inclusive. Todo mundo duvida disso, mas na verdade o passado, por ser uma memória, muda na mesma medida em que você lhe outorgue outro valor e significado."

Valei-me, Nossa Senhora das Produtoras Candidatas a Diretoras!

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Do Quiroga, né?

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Em tempo: é a previsão para o signo do Playmate da semana passada.

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Em falando em horóscopo

Leio todos os dias as previsões para o Bonitinho e Nada Ordinário. O mesmo signo de um outro forte candidato a Mr. Right, cujas previsões eu consultava diariamente, também. Há quase um mês venho acompanhando as loucuras do céu para o meu companheiro de chopp, e EM MOMENTO ALGUM eu me lembrei que o outro é do mesmo signo.

Sinal do tempo... Que é senhor da razão!

Numa outra dimensão

Viagem curta, dia ensolarado. Passa a Desavisada para me pegar, abastecemos o carro, e a notícia:

— Minha sogra vai pegar uma carona até lá! E você vai sentada na frente para co-pilotar!
— Nem que a vaca tussa em Si Bemol eu vou sentada na frente! Vou é pular pro banco de trás!


Depois da Desavisada enfiar o carro numa contramão, de não saber o número do apartamento da mãe do dito cujo, ela ainda me olhou com ar de súplica e resmungou:

— Quem vai acender os meus cigarros?
— Eu acendo aqui no banco de trás, fica fria.


E lá vem uma velhinha cheia de bolsas, sacolinhas, caminhando em direção do carro.

— É ela?
— Não é, não...
— Então estão te mandando a velhinha errada.


Não era a sogra, mesmo. Era a empregada da sogra, chegando com os pertences antes da passageira. Ela já ia descer.

Lá pelas tantas, vem uma senhora meio cambaia, com o sorriso rasgado até as orelhas. E era ela que a Desavisada queria que lagartixasse no banco traseiro do carro...

Ela chega mais perto, e Oh, não!, eu sei exatamente de onde a conheço! Ano passado dois amigos queridos, parceiros de trabalho, estavam dirigindo um filme para a campanha do dia das Mães e precisavam de uma velhinha com ar meio triste, que mudasse a expressão para um radiante sorriso no final. E não é que descolaram a Sogra da Desavisada?

Bem experiente, mas não avisaram que ela só sabia interpretar a segunda parte do VT, a da vovozinha feliz depois do presente. Duas horas depois — e 17 litros de suor derramado —, a paciência já estava no fim, e a única que ainda conseguia sorrir — na hora errada! — era a sogra.

— Dona Sogra, eu preciso que a senhora faça uma cara bem tristinha no início...
— Meu filho, a única coisa que eu sei é sorrrrrrriiiiiiirrrrrr! —
e rasga os lábios até a orelha.

Diz a lenda que ela foi substituída logo depois desse último esgar de alegria.

***

No carro

Sentei no banco atrás dela, e pra Desavisada não resmungar, levei os celulares e os cigarros comigo. Tocou, atendo. Quer fumar, acendo.

A sogra:

— Eu demorei um pouco porque fui tentar fazer umas gotas de xixi... Estou com incontinência urinária, quero aguentar ir até lá...

Por via das dúvidas, fui de pés bem encolhidos até aquela bela cidade baiana.

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Não sei quem pediu comida chinesa. Toca a campainha, não sei quem abre. Camisa do Brasil, cabelos meio revoltos, castanhos claros. Bonito esse entregador, né? Parece com...

— Oi, Dani...
— Bonitinho e Nada Ordinário, você???
— Eu queria ficar aqui... Peguei o primeiro emprego.


[corta para]

Estou encostada nos seus joelhos, e acima de mim, só o céu, os seus olhos e o peso de um amor não-confessado. Eu neguei, ele até tentou me convencer do contrário. Tempo curto. Mais um único dia, e a história que eu queria contar não seria tão triste.

Seu dedo percorre a curva dos meus lábios, e eu respiro fundo, coração martelando na garganta. É amor, amor na mais pura apresentação, versão redux.

Sim, foi um sonho. Mas estou sentindo até agora o traçado do indicador na minha boca...

sexta-feira, junho 06, 2003

Portishead

[que sempre me remete ao lúbrico]

"It's only you, who can tell me apart
And it's only you, who can turn my wooden heart"


Only you

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Eu tinha umas coisinhas anotadas caprichosamente no bloco, prontinhas para serem contadas. Não hoje. Hoje quero dedicar meu pensamento à tarefa de decifrar o Mr. Only You. Estou relendo um email ainda sem resposta, coração na boca, sem saber a sua reação. Um turbilhão de coisas me atropela, e nomes e siglas laceram minha pele, espetam os meus lábios num beijo de Masoch.

Hoje vi um homem igual a ele. Puxei do livro do I ching sua foto, mostrei pro Zeba, comparamos juntos. Igual, na forma, no talhe, no estilo. Não há um motivo razoável no mundo para que eu goste dele. Nenhum. Nem o signo dele combina com o meu. Vendida por um cheiro de pele, vendida por um punhado de sardas germânicas, vendida por... Vendida.

quinta-feira, junho 05, 2003

A vida estava muito tranquila sem ele. O ano que está acabando somente agora deu seu golpe de misericórdia.

Um envelopinho no canto direito inferior da tela indicava a chegada de uma mensagem.

— Humpf... JB online, AS.org, ou um outro spam qualquer...

Rá! Eu poderia viver mil e quinhentos anos, e jamais, jamais imaginaria que o nome desse que me arrancou tantas lágrimas estaria na linha de "remetente"!

O corpo da mensagem o deixava mais próximo de mim do que esteve nos últimos anos. Ele não muda, e olha que o julguei morto no meu íntimo. Como matar um grande amor, porém? Como calar aquela voz meio rouca? Como apagar a lembrança dos olhos cor de avelã derretida? Como esquecer...?

Tantas texturas e sabores e cheiros, e novamente me encontrei impregnada dele, do seu cheiro de madeira com tabaco, dos seus cabelos em ouro velho. 14, 15 linhas de mensagem, email banal, e estive novamente sentada no meio da rua com ele, noite escura, conversa que preencheria uma vida e meia.

Amor que me tirou do prumo, que me levou a cometer os atos mais insanos da minha biografia. Amor que derrubou no primeiro round, e ainda assim segui espectral por todos os outros assaltos. Amor cataléptico, que acordou por alguns minutos, para adormecer novamente. Sono mais tranquilo, agora. Ele dormindo, eu em vigília, mas ambos em paz.

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A verdade vem da boca dos pais (e dói)

— Eu vou fazer cirurgia espiritual no joelho.
— Ei, eu queria operar os olhos espiritualmente!
— Boa idéia, Dani! Vou ver isso pra você!
— Eles podiam aproveitar e operar os meus joelhos, a coluna, o estômago...
— Dani, o espiritismo não é a favor de milagres...


Uma campanha da Shaggadelic Rancor Inc.

quarta-feira, junho 04, 2003

Eu nunca disse que ouço Carmina Burana quando estou com a cabeça a milhão, não é?

Dentro da química, aprendi que ácido + ácido = base + água. Aplico, então, a equação ao meu modus vivendi: quanto mais atormentada, mais forte deve ser o BG. E guardo Carl Orff para momentos de turbilhão absoluto. Como hoje.

Ele me escreveu. O meu desafeto ligou. Escrevi para o terceiro. Reencontrei o quarto pela internet. Vi o quinto passando no carro da empresa. As notícias não são das melhores, mas nada que me envolva. Ou não, como diria Gilberto Gil.

Não, Fiel Leitor, não enlouqueci de vez. Não de todo. As más notícias não resvalam em mim diretamente. Mas atingem uma pessoa a quem amo. Um amigo querido. Tenho certeza de que ele vai transmutar esse vodu em energia boa.

E a ópera continua no modo repeat, para apaziguar minha alma, para levar meus ânimos até a ebulição, para logo em seguida baixar sua temperatura abaixo do zero. Coração enfim pasteurizado.

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Faço longas cartas pra alguém. E nunca as envio. Apertar o botão send tem sido custoso. Longas linhas rabiscada a troco de nada.

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Acabei de apertar o send de uma longa carta. God gave me strenght... Thanx!

terça-feira, junho 03, 2003

"U r not bigger than this
Not better
Why can't you learn?"

Jimmy Eat World
Josie Geller é meu alter ego!

Até o BG é o mesmo!

Selma Barravento hoje dá trégua e ...

TOCA JIMMY EAT WORLD!

segunda-feira, junho 02, 2003

Sistah, I luv'ya!

Cozinha. Miriam Lane passa por mim, balançando seu pé barulhento, resmungando:

— Assim é foda! Tentar parar de fumar no inferno astral é foda!

Corta para

Quarto da mamãe, novela das sete. Miriam Lane começa a me beliscar, e repete como mantra:

— Preciso de cigarro!
— Miriam Lane, se você não melhorar, eu vou injetar nicotina na sua veia! Você fica rebaixada da categoria de ser humano quando pára de fumar!
— Não grite comigo! Estou no meu inferno astral!
— EU TAMBÉM ESTOU!


Mais calminha, Miriam Lane pergunta em meia voz:

— Uh... as duas em inferno astral... Você está tentando parar de fumar também?

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A mesma Miriam Lane tem dois sobrinhos, agora crescidinhos. Certa feita ela levou os meninos, com 3 e 7 anos na época, para passear de pedalinho. Lá pelo meio do lago, as pernas pediram arrego. Pedala que pedala, pedala que pedala, e ela pergunta candidamente para as crianças:

— Vocês já pensaram em voltar nadando?

Ela é quase um milagre da educação dos infantes...

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Num coquetel

Um diretor a quem prezo muito, contando de uma conhecida atriz que encenou uma peça espírita. Fracasso de bilheteria encarnada, a platéia contava com três pagantes. Pagantes encarnados, como ela fez ver para o elenco, já que o resto dos lugares estava tomado por espíritos.

— E lá fora está um bafafá de desencarnados se engalfinhando na fila, querendo entrar!

Bom CD esse "Il canto di malavita", as músicas tradicionais da Máfia Siciliana.

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Não sei o que o Cosmo quer quando manipula meu winamp e me coloca para ouvir aquele samba antigo, ou Pennylane, ou Only you, do Portishead. Acho que quer me enlouquecer. E eu vou, tô facinha...

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Sigo forrando de espinhos o lombo do dragão que me conduz. Jogo a manta por cima, encilho, mas eu e ele sabemos o que há entre nós. O sargaço dói nele, dói em mim. Sei que uma hora o meu dragão vai corcovear, e me atirar ao chão. Estou plantando isso. Porque insisto em me ferir, ou pior, dar as armas nas mãos alheias para que tenham como única alternativa me machucar? Por que estou pesquisando sobre um assunto que não me diz respeito?
Eu tenho consciência de que tenho que viver umas três vidas mais para fazer jus a ele, para evoluir do ponto de vista físico quanto espiritual. Mas como, Senhor, como esquecer a maneira como escolhemos a mesa do restaurante, em meio às risadas e fachos de luz filtrada pelo jardim?

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O corpo tem necessidade de algo mais artístico do que as palavras, mas a minha capacidade é restrita ao batucar das teclas do computador. Desenhar o meu tarot? Montar o meu site novo? Fotografar?

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Só checando

Vocês já não viram essa novela antes?

domingo, junho 01, 2003

Esse Bruno Garcia... Pai celestial, eu largava a minha insípida carreira, meu insosso (ma non troppo) curriculum, minha terra multicor, e tratava de seguir a trilha dele...

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Dada a largada! Dois dias de vadiagem, e estou voltando à ativa amanhã. Curto descanso, depois de um desgaste violento de mente, corpo e espírito. As coisas não serão mais simples agora, com a diferença de que quem manda nesse novo terreiro sou eu.

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Santos e São Paulo. Nunca, nunca fui tão santista quanto hoje... Toca Baravento, toca Paulo Miklos!

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Delícias

Inventar coisas pra fazer na rua, e ter o papai como cúmplice. Rodar a cidade atrás da diversão do domingo, acabar com um filme alugado, dois bons livros novos e a promessa do reembolso. Falar mal da vizinha na fila do supermercado, e ter a amiga/parente dela logo à frente. Perder 10 minutos na frente da locadora desfiando um rosário de possibilidades de distração dominical, antes de resolver entrar e alugar mesmo uma fita. Rodar pelas delicatessens atrás da coxinha ideal — e terminar comendo uma gelada, mesmo, mas com o catupiry celestial.

Achar um samba antigo na internet, que me foi lembrado por um sultão das matas num dia qualquer a caminho do Pelourinho. Receber um email cujo remetente me chama de gostosa. Continuar a ouvir o samba da Sandra de Sá, e lembrar da flecha de São Jorge. A indecisão: dormir, comer, ler, assistir ao Austin Powers? Saber que ele não é pro meu bico, e não ficar deprimida com isso. Antecipação do prazer de sacanear um sãopaulino ferrenho. É querer desejar "Força corithiana", e rir com isso. Virar casaca porque o coração manda.

Delícia é ter passado mais uma tormenta, é ser walker on the storm, é sair ilesa da briga. Delícia é apertar o send da mensagem que termina assim:

"... repetir o ritual sem você não teve a menor graça."

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Pois é, pois é... danihenning não teve o menor sucesso na hora de conectar no chat com o Bruno Garcia... E eu queria tanto saber qual a diferença entre o menino franzino, com o olhar levemente blasé, de "Dona Flor" — que decupei 318 vezes — e o homem deliciosamente insitgante que ele é...

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Uma enormidade de dados para alimentar meu banco de informações profissionais, e saco regulado entre o zero e o um para fazer isso.

sábado, maio 31, 2003

Chove a cântaros, e eu continuo árida.

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Achei que era muita ousadia me imagina alvo daquele interesse. Idiota, pequena estúpida. Quem cita o sobrinho da Tia Zulmira com tanta facilidade, quer mais é encontrar seus pares entre os amantes de bons livros, bons filmes, bons vinhos e boa gastronomia. Vou pelo caminho de Jung: não existe impressão que não seja calcada na realidade.

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Ser ruiva é um estado de espírito... de porco! Estou encarnada na Jessica Rabbit!

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Alguém já sacou que o nome do hospital de Kubanacan é San Pancrácio? St. Pancras, como descobriou o meu amigo Holden. Vale lembrar que este blog é fã de St. Pancras...

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Cervical estertorando. Vai, sacana, brincar de cabowoman, carregar bolsa de bateria e fita de CAM, vai...

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14 de junho esta que vos fala poderá ser vista na televisão, em rede nacional. Aguardem.

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Aliás, dia 16 vocês poderão juntar-se para desejar tudo do bom e do melhor para esta futura aniversariante.

sexta-feira, maio 30, 2003

A felicidade é uma noite longa, um copo de leite e um punhado de rosquinhas.

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Um pai enfaixado, um cão que não me reconhece; irmão de amigo fazendo sucesso com a banda, uma nova postura, um tantão de cinismo. Vários episódios novos de Jackass, uma discussão sobre quitina ser polissacarídeo, uma forte menção ao FEBEAPA. Um amigo com diagnóstico de calvície, outro que vacila; uma recém descoberta paixão por Portishead — e sua livre associação com a lascívia. 3 paixões revezadas qual carrossel holandês, inúmeras manchas roxas, um cansaço desumano, cafés da manhã suntuosos, saudade que dói.

Um colar novo. Uma briga. Paz. Um rebatismo: Selma?!

Basta eu ficar 10 dias fora e o mundo muda todinho, né?

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A distância era enorme, e mesmo assim ele veio. Bateu de um lado, tabelou com o outro e, meu Deus, será que ele não vai falar comigo?

Em 10 segundos ele estava com as suas mãos espalmadas nas minhas costas. A voz custou a sair.

— Força! E TOCA BARRAVENTO! Me liga?
— Ligo.
— A gente precisa conversar. Você...
— e bate com o punho fechado no peito. Volta a me abraçar, e deixo que caiam por terra as minhas reservas. Fecho os olhos, braços passados por trás do seu pescoço, cheiro que é meu. Quero dizer, mas a voz não sai.

O abraço se desaz como papel na chuva, teimoso e resistente. As mãos ainda se acham, mas o tempo é curto.

— Aquilo que eu disse no primeiro dia ainda está de pé —, e por um momento de tortura ele não sabe o que exatamente ainda está em vigor. Que o quero? Que sei que me quer? Que ir até a praia antes de voltar pra casa ainda será o NOSSO segredo?

— Minha casa é sua casa.
— Óoooobvio, Selma! Selma? E pode ser que eu...
— e nossas idéias de trabalhar juntos um dia volta à tona. Não foi dessa vez.

Só os olhos confirmam agora o que eu achava que nunca tinha acontecido. Aconteceu, sim, e em momento algum esteve esquecido. Talvez por isso mágoa seja uma palavra mais adequada de que raiva.

Segui com o olhar o traçado que ele deixou nas pedrinhas seculares da calçada. Quando ele sumiu do meu campo de vista, endireitei a coluna dolorida e voltei pro campo de batalha, sem passar mais no assunto.

Minto: como segunda voz de dois cantores, a música latejou na minha cabeça pelo resto da tarde:

"Eu perco o sono e choro,
Sei que quase desespero
Mas não sei porque
A noite é muito longa
E eu sou capaz de certas coisas
Que eu não quis fazer
Será que alguma coisa nisso tudo faz sentido
A vida é sempre um risco
E eu tenho medo do perigo..."
Voltar pra cama e dormir ou voltar pra cama e ler?

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Versinho do pé (e do ingês) quebrado

Many things to say
End of time, and
Nobody can hear my voice
Could you stay with me in the dark of night,
Knight of mine?

Achei de primeira a música que mais gostei do Portishead!

Memórias automotivas!
De um comment (ou "post chato pra caramba!")

Apenas de passagem, uma prima me indicou o site e vim conferir. Blogs são, por natureza, "umbiguistas", há quem diga que beiram o autismo. Nem tanto. Se quer saber minha opinião (não quer, obviamente; não me conhece e tá se lixando), o problema é que que acaba-se caindo no individualismo exacerbado, no sentimento adolescente de incompreensão, o comentário indiscriminado das experiências amorosas, que, afinal de contas, interessam a poucas pessoas (duas, na verdade). Auto-referência, resumindo, o mal das artes pós-modernas. Mas, como disse, é essa a essência dos diários virtuais, e não há nada que se fazer. Se se até o "Arts & Letters Daily" (www.aldaily.com), o maior site de crítica literária, colocou uma lista de links para blogs, não serei eu, um ilustre desconhecido (oxímoros e aliterações, sempre presentes), que irá julgá-la sumariamente... (todo blogueiro que se preza usa e abusa das reticências). Em suma: boa sorte e até uma próxima. Fabricio.

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Aproveitando meu último dia de loura: é uma crítica ou um elogio, Caetano?

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Blogs são realmente autoreferenciais, como o foram os diários de papel, os rabiscos de mesa de bar, os guardanapos com poesias abstratas. A menos que você se identifique como um voyeur digital, ou um exibicionista hi-tech, nem vale a pena se forçar a engolir as palavras autocentradas de um blogueiro.

Blogueiro é uma raça estranha, meu prezado Prezadíssimo. Quer contar mas não quer dar bandeira. Aí inventa subterfúgios, apelidos, inverte períodos, exercita a literatura quase de cordel em prol da própria satisfação. Blogueiros são carentes, admito. Ou falta carinho, ou falta amor, ou falta compreensão, ou falta tudo isso e mais um pouco. Tornar públicas as nossas reflexões egocentristas nada mais é que a tentativa de se fazer entender, já que um maior número de pessoas têm acesso aos meandros das inquietações.

Blog é um exercício de vomição. Vomição das frustrações, vomição de desejos, vomição de tudo que nos embrulha o estômago. Blog é um circo: tem marmelada? Tem sim, senhor! Blog é um armazém de secos e molhados: nas prateleiras tem frascos com sorrisos, compotas de dores, embalagens de alegria, tudo coberto com a etiqueta do dono do botequim. Entram no boteco quem quer, compra quem (não) tem juízo, vira freguês quem é esquizóide também.

terça-feira, maio 27, 2003

Alone ou avec?
M. Blasé, Mr. Style ou Mr. Right?
Louro claro, louro escuro ou castanho?
Dormir com o inimigo, com o amigo ou com o cúmplice?

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Por que raios ele tinha que ser tão bonito, tão doce comigo, tão galanteador?

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Eu só gostaria de lhes avisar que este blog está em lua-de-mel consigo mesmo e com os outros três até o final da semana.

sexta-feira, maio 23, 2003

Meu dono. Cão sem coleira, sigo atrás da mão que me afaga.

— Você é minha! — e ele deixa bem claro para os outros da turma que a garotinha linda, de trancinhas, tem dono. Versão Eminem menina, gorrinho de lã laranja cobrindo os cabelos "fauve", rebelião de fogo manso na cabeça — dentro e fora —, abro meu caminho entre feras, bestas; homens e amores.

Sim, o outro é lindo, e o boss realmente aprecia muito a minha companhia. Sim, o lindo se diverte comigo, deve ser casado, mas e daí? Salvador é tão longe da minha Pasárgada, eles podem fazer o que der na telha.

Comportamento atípico, em parte explicada pela raiva do dia hard. Mas a cumplicidade explícita nunca foi tão negritada. Nunca fomos tão "nós" quanto fomos hoje. Nunca ficou tão claro que as minhas ações não estão no mercado aberto. Único acionário da Dani INC., só não viu quem não quis.

— Todas as noites a gente pára para ver a praia quando vou deixá-la em casa — e o "-la" em questão sou eu. Certo, meu amor, rememore para os seus amigos a primeira noite, então.

— Eu tirei os tênis na primeira noite na praia, e... — e nada!

— Você não tirou! Gente, não consegui convencer este cristão de que molhar os pés seria delicioso! — e a palavra "delicioso" remete ao inevitável: olhos que procuraram os meus, triunfo brilhando no tecnicolor da íris ("and I give up forever to touch you...") multicor. Foi delicioso, sim, e ele sabe a medida exata a usar na receita do bolo ideal: uma pitada de verdade, um punhado de sugestão, e uma dose generosa de promessas.

Estava lá: éramos mais próximos entre nós do que entre quaisquer uns dos outros; se o dia for hard, como o meu feeling da puta prevê, ele paga o cinema hoje. Matrix.

E como a cidade é grande, como um quilômetro se multiplica por dez quando está entre ele e eu; como a noite passa rápido quando são os pés dele que volta e meia chutam os meus por baixo da mesa, como vai ser difícil quando tudo for hiperdimensionado, inclusive os dois mil e trezentos quilômetros que nos afastam.

Doppelgänger de mim, que sou Doppelgänger dele; conexão quase indecente de idéias, mãos que se procuram enquanto as bocas sorriem e provam para os outros olhos e bocas que "não, obrigada, não aceito dividir a minha mulher com nenhum de vocês."

Deve ser o tal do karma. Karma do nome...

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Ei, isso vai render outro post!

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Arembepe amanhã! Hippies fedorentos...

quinta-feira, maio 22, 2003

Pouco mais de um metro nos separava. Pronto: 1 metro e dez, o tamanho exato das minhas pernas.

Pouco mais de um metro, ele lá, eu cá, e a certeza de que apenas um centímetro e meio se interpunha entre um beijo e o não-beijo. Havia mais: entre nós havia a minguante, eles, um banco e os problemas. Força que atraía e afastava ao mesmo tempo: pólos iguais que se repudiam, positivo e negativo que não conseguem se afastar.

Um cigarro, os olhos não conseguem se perder, a cabeça quase encontra refúgio naquele ombro. Duplando nas fotos, num projeto multimídia para o final de junho, viagem longa e com todos os predicados para ser solitária... Se fossemos eu e ele, ao invés da sagrada instituição "nós", seria uma condenação ao degredo.

Pouco menos de dez centímetros mantém sua boca longe da minha. Dez centímetros, 24 horas, 1440 minutos, 400 quilômetros rodados juntos, uma cesta de dilemas: escolha o seu escalímetro. Convergência de paixões, mentes univitelinas, áudio syncado com vídeo. Cartesiano emotivo, retas que se chocam, se afastam, se chocam, se afastam. Cerveja óbvia, mureta da praia, e você conseguiu esquecer aquela noite?

— Eu adoro quando você me lança esse olhar de ódio! — diz com um sorriso cativeiro, dentes que me mantém refém dentro da boca. Síndrome de Estocolmo, presa apaixonada pelo predador, e já não sei quem sou: caça, caçador, amiga, amante, trampolim, baralho em noite chuvosa.

Manda na minha vida; decide que vou, sim, jantar, porque está farto de me ver pulando os almoços, jantares e cafés. Declama minha carta Natal, e conta com uma ponta de orgulho que sou "Câncer com ascendente em Escorpião". Gêmeos, meu amor, monstro de duas cabeças, dois cérebros que insistem em manter o foco em você. Valho por duas, dez, milhares, e todas as minhas Danielas estão apaixonadas.

Um certo orgulho vem impresso nas suas palavras de admiração pelo que me tange, e não o flagrei encarando feio o boss, que deitava seus olhos sobre mim e lá deixava?

— Vamos comigo?

Onde quer que você vá, que você me carregue. Mas não demora, liebchen, e... TOCA RAMONES!!

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Segunda noite quase virada. Dormir, né?
Escrevendo...

terça-feira, maio 20, 2003

"Seus pêlos, seu gosto (???)
Seu rosto
Tudo
Que não me deixa em paz
Quais são as cores
E as coisas
Pra te prender?"


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Eu não preciso falar: ele ouve, e verbaliza. Eu não preciso contar: ele sabe; e ri comigo. Eu não preciso falar: ele intui, e me tortura.

Tortura de mão dupla, cheiro que não sai da pele, engastado como rubi em jóia rara. Cheiro que sei, cheiro que ele sabe, mãos que percorrem costas, que conehcem nuances, que vasculham em braile. Olhos fechados, promessa de mais, e o dia tá raiando e a gente não larga essa angústia do olhar.

— Não posso te beijar.

Problema é seu. Te beijei a tarde inteira em pensamento. Correr meus dedos ávidos pelas suas costas foi só a coroa de espinhos. que adotei seguindo um ritual de Masoch. Se o que tem pra me ofertar são suas costas e o seu cheiro, bebo cada centimetro das suas sardas germânicas, cada gota miscigenada que evapora da sua pele, roubo cada centimetro que deixa desprotegido.

Que diferença faz um beijo em troca da alma, que já sei cativa?

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Dormir, que o dia é longo-curto.

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— Porque quinze dias com você vai ser pouco!

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E a dor não me esquece...

segunda-feira, maio 19, 2003

Num cyber da vida...

Praia do Forte. Fortes temos que ser nós. A nuvem chegou, e nos refugiamos entre céu e mar. Mar, que distribui generosamente seu sabor salgado entre minha pele, meus cabelos, meu espírito.

Uma festa que não fui, um amigo de infância (?) LINDO reencontrado, a vitória de caber num shortinho de novo, a Coca Cola tomada enquanto se vagueia (sem) rumo às informações que nos são vitais. Almas vadias, cães sem dono; e tanto, tanto em comum...

Exercício de aterrar no torrão mais antigo que se tem notícia acima de Porto Seguro. Mágica, incenso, mosquitinhos, pés na grama, reequilibrando o chakra básico enquanto se coloca em dia os assuntos práticos da vida. Mochilas ao sol, maços de cigarros sendo devorados com a fome de quem precisa de amor.

Aldeia hippie de noite? Oh, yeah, e de vez em quando o (pouco) que eu via ficava granulado, e tinha a nítida impressão de estar mergulhada num sonho morno, de contornos, sons e texturas. Dani McBeal, minha vida é um seriado. Como vim parar numa aldeia onde não tem energia elétrica, e a fonte de luz mais próxima são as Três Marias?

Mc Donald's. Digestão atrapalhada de tanto rir. Aquele cheiro bêbado de protetor solar. Cocada de tabuleiro. Chuva, chuva que molha o meu divino amor. (Dois) Beijos roubados-dados numa noite de dilúvio, boca macia e insegura, boca que não volta a me encontrar.

Noite que vira dia que vira noite. Noite que me trouxe presentes, prefácio de um livro bom. História de princesa-bruxa, principe-repórter, castelo sem luz, sem archotes. Só areia e vento. E estrela e mar. Só. Sós. Areia. Vento. Estrela. Mar...


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... e nós.

Dia que começa com um sonho bom, sonho de aconchego no Alê, costas que finalmente encontram a parede que o peito dele virou para eu poder encostar. Alê, que persegue minha vida desde aquele início de fevereiro de 2000, quando a ocasião ia nos forçar à convivência. Amor e respeito que começaram ao telefone, vida estranha que nos empurrou para o mesmo lugar ao mesmo tempo. De novo.

Encontros. Encontros que combinam com o prazer que tenho em ver estudar a cor da sua pele, de investigar a real textura dos cabelos, de mergulhar naquele sorriso e naufragar no gosto doce da boca.

Alê, cuja mão delgada se apossou da minha; dedos entrelaçados nos meus. Mão que me conduziu dentro do meu próprio sonho, que tomou as rédeas e cuidou de mim. Alê, que nunca fez do sorriso uma moeda; companheiro de mesa, de cama, de outra vida, de outros carnavais.

Alê, que veio essa noite pro meu dia nascer feliz.

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Se não fosse a felicidade de estar entre meus pares (Vivendo entre os patos, anotem isso), ainda teria o prazer de encontrar o Jorginho no restaurante da Dadá, acompanhando o apresentador de um programa bacana da TV Mãe da TV Minha Casa. Na esteira, Roberto Carlos, cinegrafista titular do dream team de técnicos, cinegrafistas, supervisores e assistentes.

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Sleep to remember...

sexta-feira, maio 16, 2003

Amigos completamente desorientados



John no telefone, agorinha:



? Dani, você já viu a mulher do Fulano?

— Não, só conheço de nome...

— Pensa numa coisa grande e oblonga... No dia em que fui lá, eu a vi quando ela passou remando pela sala...




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Bom... tem um vôo GRU/SSA que chega amanhã, 12:29, que...uh... Um carro alugado até segunda, meio dia... Logo depois tem um almoço no restaurante da Dadá, e... O hotel é pertinho da minha casa, mas fui intimada a me mudar para lá pelas próximas 300 horas... E vou até Arembepe amanhã... E São Gonçalo domingo...



Ainda não é o vôo que mais espero, de C*S para cá. Mas vindo de GRU, trazendo quem traz, por enquanto, tá de bom tamanho...



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Voltando o outro PC, teremos fotinhos do final de semana!



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Confirmado: bastando eu aceitar, meu mês de junho vai ser passado inteiro com o Prometido de Outras Vidas...



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Só para não esquecer nunca: estou a 30 dias do meu aniversário, logo...



Feliz inferno astral!!!



Rá! Chegaram até aqui procurando por Matheus+reporter+tv+bahia+bonito+lindo!

De fato, o Matheus é uma graça, ex colega de FACOM, tem olhos lindos e sempre tive uma quedinha ele. É alto, tem um corpo interessantíssimo, tem cara de bom genro, de bom moço, de excelente marido e é um bom profissional. Não, prezada Leitora Fiel — não excluíndo os meus amigos que também o acham um filé — nunca o coloquei no colo, mas que ele tem cara de quem pede, ah, isso tem...

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Não sei sinceramente se o Matheus é o meu preferido da TV Bahia. Mas como fazer um ranking num lugar onde tem Alexandre Leal, Jorge Allan, Serginho Pinheiro, Renato, e ainda teve Paulo Renato Soares? e isso porque estou falando da linha de frente! Nos bastidores ainda tem o Cláudio, o Rô, o Marcelo, o Roberto, o Figueiredo, o Portela, o Fábio, o Marcos... Nham...

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Super máquina doente de novo. No conserto, e lá vamos nós armazenar tudo no computador que não tem memória: tem uma vaga recordação...

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Amanhecer com a Ana Maria Braga, que eu adoro em voz alta, e olha só, uma matéria sobre tratamento do mau humor. A terapeuta, uma simpática Leonor Correia antes da ciruriga de estômago, anda com uma plaquinha de claque na mão o tempo todo, pedindo sorrisos ou aplausos.

Eu, enrolada no cobertor como um grande bicho da seda:

— Essa mulher tem problemas! Basta a câmera focalizar nela, e ela abre um sorriso tão grande que parece que sofre de pele curta! Ninguém consegue ficar sorrindo o tempo todo desse jeito sem ter uma deficiência mental! tomara que ela sente em cima da plaquinha de claque!

Algas. a síntese da alegria matinal:

— Taí, Dani, você devia fazer essa terapia do mau humor com ela!

Cai o pano. Próximo ato.

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Envelhecer com arte

Taí era um guaraná, alguém lembra? E Fanta Limão? Iô iô da Coca Cola? Também da Coca Cola, aquelas garrafinhas de coca no engradado, com o nopme do produto em 300 idiomas, alguém lembra? Ploc Monster com os nossos nomes, né, Carol?

E tem mais: desenho dos Harlem Globetrotters, dos Muzzarela, aqueles do Thor das antigas, em que ele caminhava sem mover as pernas, Principe Namor, Brasinhas do Espaço. E Aquaplay, alguém teve? Lá, lé, li, ló, Lu Patinadora, quero um Big Trem para brincar! Autoramas, Ferroramas, Mão Biônica, Lancha do Playmobil, piscinas Regan; cavalo malhado que sempre ganhava na corrida do Bozo, O Povo na TV, Lengruber entortando garfos, Domingo no Parque com o Silvio Santos, tênis Montreal, porque você é jovem; bicicletas Monark dobrável azul, Cecizinha com cestinha...

E antes que você, Fiel Leitor, balance a cabeça e diga: " Ela recebeu um daqueles emails nostálgicos, já te aviso que veio tudo da memória, que foi disparada pelo "Taí" de lá de cima.



quinta-feira, maio 15, 2003

E o ruído do lado de fora era o estertor da palmeira.

Na noite de lua sem lua, escondida entre as nuvens escuras e mal humoradas, tudo o que pude ver foi a silhueta das folhas caídas, palmas voltadas para baixo. Triste recorte contra o prédio feio, um monstro à espreita no escuro do quintal vizinho. Toco melancólico, tombado pela força da garoa fina. Triste cena, um resto de árvore que derrama suas lágrimas verdes tronco abaixo, salgueiro que nunca foi, árvore feia em vida, horrenda na morte. Triste fim, toco de árvore espetando o céu, numa revolta muda e solitária.

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Engraçado. Dessa vez doeu...

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De toda sorte, vou dormir de janela fechada esta noite...

quarta-feira, maio 14, 2003

River Plate x Corinthians

Soccer ou football?

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Presentes de dia das mães distribuídos, mãe e avó contempladas, minha quase-filha questiona sobre o seu presente.

— No seu dia você ganha presente, Bibia.
— Eu vou ter que esperar até o dia das Filhas, é?


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Espírito de porco

— Tenho às cinco e meia da manhã para pegar uma senha no hospital para o filho da Fulana...
— E o que o filho dela tem?
— Não sei... aquele negócio que nasce de dentro da pessoa...
— Alien!
— Nãaaaao! É perto da virilha...
— Colhões!
— Dani, você é idiota! É aquilo que vem do intestino...
— Cocô!


Era hérnia...

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Na boa... esse time do River é quase um desfile da Armani...

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Se o Casagrande me desse bola... Eu largava tudo, virava mãe de família, comportada, caseira, ia cerzir os meiões de futebol dele...

Vaga para deficiente, e um motorista estaciona, fecha o carro e sai, sem nenhuma deformidade aparente. Papai, o indignado:

— As pessoas têm que se convencer de que é vaga para deficiente físico, não para deficiente mental!

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Cena meiga

A namoradinha com o mesmo nome do namoradinho dirigindo o carro do namoradinho com o mesmo nome da namoradinha. Inveja? Nãaaaaaaao, só porque ela é linda e inteligente, e ele é lindo e inteligente, e é um namoro talhado nos céus?

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Eu tentei. Juro.

Não deu. Facom 2003.1:

T.E.R.M.I.N.A.T.E.D
Tanta espera, e ele veio de novo. Visita breve, ele, o cachorro, os livros e o porquinho da índia, que corre apaixonado atrás de mim.

Além dele, uma amiga minha, que me dizia a todo instante para não esmorecer na briga.

— Você não está entendendo: eu não estou mais na batalha. Lona, K.O., out! E além disso, não tenho mais porque cultivar uma relação paranóica, mesquinha, one way...

— ... e prazerosa, e gratificante, e completa. Orgulho é uma coisa, burrice é outra. Você sabe que todo mundo sempre torceu por vocês dois. Você teve a prova agora há pouco...

Tive, minha amiga. Ele passou por mim com um sorriso amargo:

— Daniela, eu te odeio!, sabendo ele que me ama. Sabendo eu que ele me ama. Sabendo eu que o amo.

Seu melhor amigo estava conosco, e deixou muito claro que era eu a favorita. Encontro com contornos de sonho, o sonho que não foi. Encontro que terminou sonho, mesmo, com muita água, golfinhos, paz e diversão. Tudo o que ele NUNCA me deu.

Se ainda estou no páreo? Não sei. Fui adestrada para ser feliz.

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Melhorando. tonta, ainda, mas sem enjôo nenhum. E preciso de uma alma caridosa que dirija pra mim nos próximos 40 minutos.

terça-feira, maio 13, 2003

O que pode acontecer com um ser humano que tenta parar de fumar, que faz regime, e ainda se arrisca a fazer um trabalho energético... TUDO AO MESMO TEMPO?

Bom, o que podia acontecer, aconteceu: lona, K.O.

Meu estômago tem vida própria, minhas costelas pediram demissão ontem, e foram embora junto com a alma. Dói da raiz dos cabelos até a ponta dos pés, parafraseando Caetano, na voz da Elza Soares.

A boa notícia — sim, porque a fazedora da própria imprensa não vive só de catástrofes — é que atingi o menor peso em 5 ou seis anos.

Enjoada, dolorida, de saco cheio, não pude dizer um único desaforo, e olha que me esmerei durante o sono atormentado para amealhar um repertório digno. Não consegui. Vendida por um sorriso, arrematada por um carinho.

Vou pra cama, que é lugar quente...

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— Estou enjoada demais...
— Hummmm...
— E nem adianta fazer essa cara, porque a última vez que rolou uma gravidez como essa foi há 2003 anos, vieram reis magos e uma estrela saiu passeando!


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Putz, nesse mau humor, vou estar duelando ao pôr-do-sol de hoje...

— Este planeta é pequeno demais pra nós dois!

sábado, maio 10, 2003

Ele faz de propósito.

— Estou com o seu perfume...

E vem, me abraça, encosta o meu nariz no seu pescoço, deixa tatuado na minha pele o cheiro do perfume que eu escolhi para ele. Chega com o vento, molhado de chuva, me tira do sono, me tira o sono.

Riso malandro, corpo quente, olhos atarrachados nos meus. Dia cinza, malha de lã mostarda, guarda-chuvas preto.

— Vi o seu irmão ontem... Como ele está lindo!

E que tortura ver aquela barba por fazer, combinada com os cabelos espetados em todas as direções, rebeldia que tarda mas nunca falha. Que tortura ver aquelas mãos minuciosas, os dedos longos cuidando de pequenas peças, empurrando o cabelo liso para longe dos olhos, olhos que me perseguem.

Prometido de outras vidas, não adiantou negar que ele já estava por aqui, nesta encarnação: fomos jogados um de encontro ao outro como onda e quebra-mar. Sou capaz de me lembrar da primeira vez que os meus olhos acharam os dele. Dez anos, e se eu soubesse que não me seria possível escolher, teria nos aliviado dessa busca cruel num dia morno de primavera, num saguão de prédio verde, quando os nossos cabelos eram maiores, nossas idades menores, e a fé, infinita.

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Guria volúvel, que começa escrevendo sobre um, envolve o irmão dele no meio, e dá uma guinada no fim, morrendo de saudades de um terceiro. Passageiro da chuva, que vem no trem do inverno, mão que ainda queima o meu braço; olhos pálidos que flutuam no escuro, sorrindo pra mim.

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Mamãe de volta das férias...

Telefone...

Programando o dia das Mães com as minhas mães todas...

sexta-feira, maio 09, 2003

Pra quem não acredita que narcolepsia existe, eu sou a prova viva.

Estava ótima, trabalhando, formatando um organograma lindo, Olhando meio apaixonada para a cadela que dorme na porta de casa, feliz. Até agora.

Um telefonema, e agora sim posso ter uma tênue idéia do que Jesus sentiu quando foi tentado pelo diabo. Merda, vender a alma para cobrir o vermelho da conta, ou me cobrir no manto do respeito e continuar de cabeça erguida na hora de entrar no banco e negociar os juros da conta?

Estou com um sono doentio, e estou indo me refugiar nos braços do Morpheu, até que os outros braços me envolvam e me jurem que eu não preciso realmente passar por isso.

GOD GIVE ME STRENGHT!

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É agora? E agora? Não? Quando? Agora? Depois? E agora? Vai demorar? Pronto? É agora?

quinta-feira, maio 08, 2003

Dias, quiçá semanas, brigando com um código de java. Quando finalmente consigo fazer a adaptação correta, faltando apenas mais um teste, tcharan: a PORRA do janela popup não abre a imagem que é pedida!

Acaba que desde sete da noite estou sentada nesta cadeira, tirando, alterando, acrescentando, testando linhas de programação, e só consegui fazer com que mudasse a imagem exibida. Eu tenho 24 imagens diferentes, e só uma delas aparece quando clica-se em cima do thumbnail. Se alguém quiser me dar de presente uma solução, ou mesmo um script sem problemas de esquizofrenia, eu agradeço de coração.
Meus olhos continuam reféns dos dele. Capturados que foram num já familiar shopping center, meus olhos agora se vêem perseguidos pelo azul espectral dos dele. A vida era tão simples antes...

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"I don´t wanna wait in vain for your love..."

Marley, o Bob

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E a promessa de beijinhos na barriga e atrás das orelhas fez com que ela ficasse quietinha.

— Não vai doer, minha lindinha — e se alguém mais te disser isso, não acredite. Dói, dói sim! Mesmo quando tudo dá certo, dói. Dói o ciúme idiota, dói a saudade, dói a presença. Dói.

Mas em mim ela acredita. Continua deitada, olhinhos arregalados, misto de delícia e medo. Cumpro a promessa, e encho sua barriga de beijos. Ela descontrai o corpo, e deixa que a Algas cutuque seus ouvidos doloridos com um cotonete embebido em éter. Dopada eu, dopada a Nana, e acho que a própria Helga já está pra lá de Marrakesh.

— Cachorrinho bom... cachorrinho querido e bonzinho... — e ela parece não se importar de ser chamada pelo gênero masculino. Minha Nana, daschund sem humor, agressiva, fiel, encrenqueira, divertida, voluntariosa. Meu alter ego, espelho no mundo animal.

Estamos quase termiando a limpeza e colocação de remédio nos seus ouvidos. Falta o azeite, e algo me diz que ela vai transformar a cama do papai numa saladeira. Óleo de oliva pingado no ouvido, ela sai espalhando gordura monoinsaturada pela casa toda. Sossega logo depois, aparentemente sem dor, pronta para o sono que a otite lhe roubou durante o dia.

Um olhar agradecido, um abanar de ponta de rabo, até amanhã. E ficamos nós, papai, Algas e eu, olhando como idiotas apaixonados para aquele pretzel de cachorro, enroscadinha em torno do próprio eixo; dormindo tranquila, em cima dos nossos corações.

quarta-feira, maio 07, 2003

Véspera de POTE (Pólo de Teledramaturgia), e lá fui eu pra casa da Rê, que ministrará um curso de produção. Finalização de dossiês, de textos, de expectativas, um abraço apertado, uma oração dita em silêncio.

"Que seja doce, que seja doce, que seja doce!"

E assim será! Boa sorte a gente só deseja pra quem não tem a manha. Pra quem tem certeza do que está fazendo na vida, E VOCÊ TEM, desejar boa sorte é quase uma redundância, Rê!

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Minha Naninha com dor de ouvido, e eu, impotente, passeio pela casa com ela no meu colo, a aquecer suas orelhas, a cantar musiquinhas para ela, a soprar na sua barriga, coisa que ela adora. Mãe que ainda não sou, exercito o amor desmedido numa criaturinha de cabelos vermelhos, mau humor e independência. Ei, é quase minha filha mesmo!

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Quanto falta ainda para ele chegar?